Rodrigo Ghedin

Aprendendo a filosofar

Sócrates

Odiada por muitos, que inclusive questionam a sua utilidade, a Filosofia é um caso, ou melhor, uma ciência à parte. Outrora conhecida como “a ciência das ciências”, ocorre que a especialização delas, que recentemente se afunilou, transformando-se em especificação, estreitou muito a área de atuação do filósofo. Se há alguns séculos atrás este era um ser que buscava a plenitude, o conhecimento amplo sobre tudo e todos, atualmente o filósofo está um tanto atado, já que suas antigas atribuições desovaram em novas ciências (especificação).

Sinceramente, creio que estou sendo um tanto ousado, e até imprudente, ao falar de filosofia neste humilde espaço. Minha bagagem na área, que limita-se a um ano de meio de aulas semanais de pouco menos de duas horas, não me dão méritos para dissertar sobre tal. Entretanto, neste ínfimo tempo de contato com a filosofia, pude tirar algumas conclusões e, por que não, começar a filosofar. Aliás, é este um dos pontos que eu mais questiono: o que é filosofar? Quem desdenha, diz que é ficar pensando sobre coisas absurdas, que não levam a lugar algum, e, não poucas vezes, não nos dá respostas concretas. É fato que a filosofia não nos dá respostas absolutas. Se isso acontecesse, não seria filosofia, ora! Filosofar é questionar o que está convencionado; este é o conceito que tenho comigo. Por ser uma ciência dinâmica, ou seja, sem respostas definitivas, há espaço para filosofar sobre tudo, desde questões clássicas como “por que o céu é azul?”, até contemporâneas, como “por que ocorre a globalização?”. No meu entendimento, até aquela comum reflexão sobre a vida é filosofia.

Lendo o parágrafo anterior, a sensação que se tem é de que filosofar é algo ridiculamente simples. Dependendo do ponto de vista, é mesmo. Mas, sendo assim, qual o motivo de tanta ênfase que se dá à filosofia como ciência, às faculdades de filosofia? Boa pergunta… A resposta pode até soar simples, mas é difícil de transmutar em palavras. Novamente, tenho mais um conceito particular: estudar filosofia é conhecer pensamentos alheios que, querendo ou não, ajudam na formação dos seus. Pode haver o recebimento e preservação de pré-conceitos, que corrompem a filosofia plena, mas é um risco que vale a pena correr, considerada a grande qualidade das pessoas e pensamentos que são estudados.

O estudo da filosofia é muito mais amplo e denso do que este simples texto diz. Minha intenção ao escrevê-lo é de passar a experiência que tive, e com isso, instigar mais pessoas a buscar a filosofia. Livros filosóficos, embora popularmente sejam tachados de enfadonhos, são muito interessantes! Tudo bem que minha bibliografia neste sentido seja irrisória (dois livros), mas, partindo do método indutivo, chego à conclusão de que, se não todos, a maioria dos livros de filosofia são bons (é, isso foi uma atitude filosófica…).

O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, conta, tendo como pano de fundo a história de uma garotinha que começa a receber cartas anônimas falando sobre filosofia, um pouco da história desta ciência, comentando sobre os grandes filósofos, desde a era pré-socrática, até os da atualidade. Um excelente ponto de partida (foi o meu, inclusive). Filosofia da Ciência, de Rubem Alves, é mais segmentado. Fala sobre a ciência, seu processo criativo, fases, procedimentos, métodos etc., tudo muito bem ilustrado com exemplos práticos. É uma leitura prazerosa, que transcende o conhecimento filosófico.

Uma curiosidade: a pintura (uma parte dela, no caso) que ilustra o início do texto foi feita por David, e retrata o julgamento de Sócrates, que culminaria com sua morte. Este julgamente foi descrito por Platão, na obra A defesa de Sócrates. Clique aqui para ver o quadro na íntegra.

Informações e utilidades

Quer comentar? Então envie um e-mail. Obrigado!

Publicado em 20 de May de 2005, às 12:12 pm, na categoria Papo cabeça.

Do it youself: salve no del.icio.usfaça um trackback.

Texto anterior: Elephant (White Stripes, The).

Texto seguinte: No estaleiro.

Social

e-mail

messenger

TwitterCounter for @ghedin

Sites

WinAjuda pBlog

Histórico

Rodrigo Ghedin © 2005-2008. Feito no Notepad++ e Macromedia Fireworks 8, e movido a WordPress. 13 queries. 0.285.