
Pôster de Cruzada.
“Não tenha medo ao encarar seus inimigos
Seja valente e certo para que Deus te queira
Diga sempre a verdade nem que lhe custe a vida
Proteja o indefeso e não faça nenhum mal
Esse é o teu juramento
E isso é para que não se esqueça”.
De Ridley Scott, Cruzada (Kingdom of Heaven, EUA, 2005), o mais recente épico hollywoodiano, retrata um dos momentos mais delicados da história da humanidade. Após algumas décadas de guerra pela Terra Santa, os cristãos têm a posse de Jerusalém, e os muçulmanos, liderados por Saladino (Ghassan Massoud), partem para a reconquista da cidade. Liderados por Balian (Orlando Bloom), um ferreiro francês filho de um falecido nobre, Godfrey (Liam Neeson), e que se mostra um exÃmio lÃder, os cristãos tentam resistir à s investidas do gigantesco exército muçulmano.
Como todos os épicos modernos, a parte visual de Cruzada é irretocável: grandiosidade nas batalhas, cenas panorâmicas maravilhosas, caracterização dos personagens perfeita. Durante os confrontos, não houve economia no sangue, nem tentativas de amenizar imagens fortes. Prova disso é que mostra-se a face desfigurada do Rei Baldwin (Edward Norton), resultado da lepra, quando este morre (uma das imagens mais fortes do filme).

Balian (Orlando Bloom) no centro de uma batalha épica.
Orlando Bloom já está virando figurinha fácil neste tipo de filme. Ele soma Cruzada à trilogia O Senhor dos Anéis, onde encarnou o elfo Legolas, e Tróia, no qual fez o papel de Paris. Isso poderia gerar uma sensação de deja vu que, felizmente, não acontece. Ainda mais em Cruzada. Explico. Embora todos os três sejam épicos, os personagens interpretados por ele nos filmes são completamente diferentes, tanto no fÃsico, quanto no psÃquico. Legolas é um elfo meio desligado dos problemas, como todo elfo, e metido a galã; Paris, um mulherengo covarde que se escondia atrás do irmão, Heitor; e Balian, um ferreiro desiludido com a vida que quer pura e simplesmente se redimir dos seus pecados e dos da sua esposa, que suicidou-se, por causa da morte do filho do casal. Além disso, a caracterização dos personagens é bem distinta, em certos momentos dá pra pensar tratar-se de três atores diferentes. Em suma, é um detalhe que não atrapalha em nada o filme. Ao contrário, em Cruzada, Orlando Bloom tem sua melhor performance.
Mas e a história, é fiel? Particularmente, achei que não. Quem tiver a oportunidade de ler a revista Super Interessante do mês passado, saberá o que digo. Sempre aprendemos que os cristãos foram os mocinhos, e os muçulmanos os vilões. Ledo engano… Muçulmanos, judeus e cristãos daquela região vivam na mais perfeita harmonia, até que o papa Urbano II (me corrijam se estiver errado) convocou a Europa para a consquista da Terra Santa, prometendo um lugar no ParaÃso aos que ingressassem na guerra. Na primeira fase, os cristãos foram derrotados, graças ao “exército” de maltrapilhos que compunha a primeira Cruzada. Logo após, a segunda Cruzada, mais bem equipada e preparada, conseguiu a tomada de Jerusalém. A partir daÃ, foram sucessivas vitórias dos europeus, até o dia em que os muçulmanos passaram a ser liderados por Saladino. Ele uniu o povo, e começou a dar a volta por cima dos cristãos. Não vou contar o final da história para não estragar a surpresa de quem ainda não assistiu. Pois bem, no filme nota-se claramente uma leve queda para o lado dos Cruzados, mais especificamente, do grupamento de Balian. Em ambos os lados há os justos e corretos, e os sanguinários impetuosos. Mas, não sei se foi só comigo, a tendência é “torcer” (que termo esdrúxulo) para Balian e companhia, os Cruzados justos. Neste ponto, Tróia foi mais feliz, pois quem assiste fica dividido entre a honra do troiano Heitor, e a audácia do grego Aquiles. Talvez se fosse mostrado um pouco mais o lado muçulmano, houvesse essa maior identificação para com eles que faltou.
Um detalhe legal, que sinceramente não sei se ocorreu assim, é o respeito e a honra entre os lÃderes combatentes. Os justos, claro, já que no desenvolver do filme surgem pessoas repugnantes, como Guy de Lusignan (Marton Csokas) e Reynald (Brendan Gleeson). Através da conversa, evitava-se batalhas, acordos eram firmados entre vencedor e derrotado, quem tinha honra, bem tratado era. Serve até de exemplo para colocarmos em prática na vida (nossa, algum bom exemplo vindo de Hollywood…!?). Outra coisa que não passa desapercebida é a beleza de Sibylla (Eva Green), estonteante até de cabelos cortados no talo.
Resumindo, não tome Cruzada como uma aula de História, o resultado será desastroso. Leve-o como um bom épico, digno de uma ida ao cinema, e divirta-se!
No final do filme, aparece uma mensagem falando de como procedeu a guerra daquele ponto onde o filme termina em diante, com a intervenção direta do Rei Ricardo Coração de Leão, que aparece no finalzinho do filme. Sacanagem, um cabeçudo achou que o filme tinha acabado e ficou de pé, na minha frente!!! Somente após muitos protestos ele sentou. Mas, graças à mulinha, consegui a legenda do filme e já me inteirei da parte perdida. Santa Internet!
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![]() Cuzada, de Ridley Scott. |
![]() Tróia, de Wolfgang Petersen |
![]() Tróia (versão do diretor), de Wolfgang Petersen |
![]() Trilogia O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson |
Neste dia, em outros anos...
- Entendendo Donnie Darko (2006)




12 comentários até agora ↓
1 Juliano // 05 Jun, 2005, às 10:58 am
Uiaaaa ow parece ser legal o filme heinn os cara nao corta as cenas + violentas ai simmm ainda +++ na telona hehhhehhheeh Bom d ++ se os filmes fosse assim né =D ¶=D ……
2 Raquel // 05 Jun, 2005, às 11:27 am
Humm, não senti vontade de ver esse filme, algumas pessoas da minha turma viram e tiraram dúvidas com um professor de História Antiga, estou numa fase preconceituosa em relação a Hollywood, tenho preferido os filmes europeus, um dia assitirei as Cruzadas, mas em casa. A Super Interessante fez uma ótima reportagem, em mostrar os dois lados da moeda, sem tendências, ah se todo matéria fosse assim, acho que seriamos mais felizes.
Beijo
3 duard - Carlos Aquino // 06 Jun, 2005, às 6:01 pm
Quero ver este filme.
Provavelmente será mais um item exemplificando a hipocrisia da santa igreja católica.
Até quando os Papas necessitaram de anéis de ouro e de pedras preciosas ?
4 Selph // 06 Jun, 2005, às 6:40 pm
é, o Orlando está um pouco melhor nesse filme, mas ainda prefiro ele no Senhor do Aneis ou no Piratas do Caribe.
MAs quem rouba a cena mesmo é o Edward, putz! o Cara é tão bom, que mesmo com uma mascara consegue ser mais expressivo que muitos atores por aí!
5 Normando // 06 Jun, 2005, às 10:41 pm
A única coisa de utilidade intelectual no filme, o que já é muito mais que muitos outros.
Um abraço!
6 Juninho... // 07 Jun, 2005, às 1:39 am
Faltou o “slapt” antes do “E isso é para que não se esqueça” …. tem que ter umas onomatopéias…
7 Valtemir Lima // 20 Jul, 2005, às 9:31 am
Pessoal alguém de vcs pode me conseguir a lenda em português deste filme.? Desde já agradeço de montão!!!
valtemir77@hotmail.com
8 walter // 23 Jul, 2005, às 7:35 am
pode me conseguir a legenda do filme
um abraço
wlter
9 freddy // 12 Oct, 2005, às 8:15 pm
poxa tu consegues me mandar a legenda????por favor
10 Sofia // 11 Jul, 2007, às 5:13 pm
Adoro o filme, axo lindo d morrer!
Até cmprei o dvd pa poder ver as vezes que quizer !lol
Aliás o Orlando ta mt bm neste papel!
11 Victor // 28 Aug, 2007, às 10:07 am
esse filme foi uma porcaria.
“300 de Esparta” dá de 1000000000000000 nele,
ele ñ tem quase gerra.
flw
12 Marko // 30 Jun, 2008, às 2:35 pm
eu achei esse filme meio entediante. minha professora de historia pediu pra assistir e resumir e eu posso diser sem problemas q eu n aprendi nada com isso….
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