Existe coisa mais injusta que o vestibular? Aquele teste maldito para ingressar em um curso superior, regado a perguntas escabrosas, proporção de candidatos por vaga descomunal e, claro, toda a pressão psicológica que tal teste traz consigo.
Nós, seres humanos, independente de vontade própria, nos identificamos com determinadas áreas do saber. E isso é válido para todos, incluindo aí até o mais singelo dos matutos. Vale dizer também que, por mais completo e abrangente que um teste, de qualquer espécie, seja, é impossível avaliar a capacidade de alguém com base em algumas provas, feitas em dois ou três dias, sob as circunstâncias do vestibular.
Lendo o parágrafo anterior, fica óbvio os pontos em que o tradicional vestibular peca. A prova, os assuntos, matérias, enfim, o teor da avaliação, deveria vir de encontro com o curso almejado. Pra quê diabos um vestibulando do curso de Direito precisa saber Física!? Não tem lógica, é inútil! Não sou a favor do completo especifismo, me agrada mais a imagem do homem como um ser generalista, mas pra tudo há um limite. Reprovar alguém competente simplesmente porque este não domina uma área do conhecimento que em absolutamente nada influenciará sua vida acadêmica, e posteriormente, a profissional, é algo reprovável, sob qualquer aspecto.
Há toda uma mitificação em torno do vestibular. Sem sequer conhecer, saber como é um, rapazotes e meninotas no fim da adolescência vão fazer as provas como se fossem frangos indo para o abate. Criou-se uma consciência de que vestibular é difícil, coisa e tal. Pura besteira. É difícil, mas não tanto quanto a mídia pinta. Se há duzentos candidatos por vaga, logicamente que a probabilidade de haver um número maior de pessoas com conhecimento superior ao seu aumenta. Mas o mesmo vale para o contrário: há muita, mas muita gente menos privilegiada intelectualmente que tu. São poucos os que cultivam essa mentalidade, mas essa é a mais pura verdade. O que vale mais numa guerra: cinco leões, ou quinhentas ovelhas? Façam a analogia, reflitam, e saberão do que falo.
O que falta nessas horas é tranqüilidade. O negócio é esquecer de tudo e de todos, concentrar-se na sua prova, e só! Faça-a da melhor maneira, sem pressa, mas também sem tanta moleza. Quando faltar conhecimento, ou aquele branco aparecer e resolver ali permanecer, apele para a técnica do chutômetro. É tiro e queda.
Não condeno, nem julgo estarem errados os que se matam de estudar pra passar num vestibular. Às vezes, faz-se necessário. Mas, sei lá, é algo que eu dificilmente faria. Um pouco por preguiça, confesso, mas mais por evitar me sobrecarregar. Tudo que é demais, prejudica. E isso vale pra tudo, inclusive os estudos.
Então, quando estiver às vésperas das provas, relaxe! Faça algum programa para se distrair, afinal, se você não aprendeu determinado assunto durante toda a sua preparação para as provas, não será na véspera que, miraculosamente, o conteúdo será absorvido por sua mente. Às vezes, mais útil é um momento de distração, do que horas afundado em livros.
E aos que estão, ou irão prestar algum vestibular, boa sorte!
22 comentários até agora ↓
1 Thiago Ramari // 01 Aug, 2005, às 6:37 pm
Vestibular é a injustiça no teor literal da palavra. Concordo contigo. As avaliações do vestibular costumam extrapolar em muito o seu real objetivo, que é selecionar, entre todos os candidatos, os mais aptos a ingressarem no curso em questão.
Também sou a favor de uma prova específica para cada curso. E, finalmente, pela primeira vez, eu sou obrigado a tirar o chapéu para a Universidade Estadual de Maringá, que mudou o modelo de avaliações para esse sentido. Antigamente todo mundo tinha que saber o máximo de tudo para entrar na UEM… Agora, isso foi minimizado em partes, a partir do momento que a UEM passou a elaborar um vestibular nos moldes do da UEL, mas com algumas modificações.
Aliás, faz-se necessário falar aqui a respeito do vestibular da UEL. Aquilo sim deveria ser um modelo de vestibular para todas as universidades. Tive a oportunidade de fazer tal prova no início de 2004, mas não o de passar. A avaliação lá não parte para os preciosismos que outras universidades costumam explorar com muito afinco. São três dias de provas, sendo o primeiro de conhecimentos gerais (muito gerais mesmo e somente o básico de cada disciplina), o segundo dia são as provas de língua portuguesa, estrangeira, literaturas e redação, e no último dia há a prova específica para cada curso (no meu caso, para jornalismo, eram as provas de história e português, novamente)…E não é nenhum absurdo o número de questões… é o suficiente para 4 horas de provas.
Ghedin, a respeito do upgrade do conexo, eu irei levar a idéia para o grupo hoje. Achei bem interessante sua idéia! Só preciso que todos concordem com esta mudança. Caso ela se efetive, provavelmente iremos programá-la para o mês de outubro, quando vamos completar o nosso segundo bimestre de publicações… Muito obrigado mesmo pela dica e por oferecer-nos ajuda! (Se precisarmos, pode ter certeza que vou pedir, hein! Hahahaha!)
Ps: desculpe-me pelos possíveis erros de português.
Thiago Ramari
2 Camila // 01 Aug, 2005, às 8:53 pm
Obrigada! ehe
Essa história de não sobrecarregar é a minha maior arma contra a consciência pesada por não estar estudando nesse momento. Pra quê? Números só me assustam quando eu tenho que resolvê-los em alguma conta intraduzível pra mim, agora, trezentas pessoas disputando a minha vaga… É, com certeza deve ter gente menos preparada do que eu aí, e é por essas e outras que eu vou fazer o vestibular sem medo. Se eu não passar, daí eu vejo o que eu faço da minha vida, se caso ou compro uma bicicleta, coisas nesse estilo,ehe
3 |-|enrique // 01 Aug, 2005, às 10:20 pm
eu não acho que há fórmula para passar no vestibular…cada um trabalha com suas próprias características, há quem fique seguro se matando de estudar, mas tem os que ficam estressados assim… eu, por exempol, tinha uma rotina de estudos bem definida, de poucas horas diárias e isso me foi suficiente…
e sobre a história de só se fazer provas das matérias envolvidas no curso, acho pouco eficiente…nos vestibulares concorridos, os que passam, sempre tem notas altas nas matérias específicas…o diferencial entre ele é exatamente a multidisciplinaridade…
4 Enio // 02 Aug, 2005, às 12:23 am
meu caro! eu já passei por isso, me formei, hoje faço mestrado e nem quero saber de outra graduação só por causa da merda do vestibular. não por ser dificil, mas por ser a pasmaceira que é. o ensino no brasil é uma piada; você sai do médio sem ter uma profissão, sem nada, e é obrigado a fazer vestibular: que quadro triste.
5 Dherik // 02 Aug, 2005, às 12:36 am
Concordo com o Thiago. Passei em 2003 na UEL (Universidade Estadual de Londrina), quando foi aplicada pela 1ª vez este esquema novo de provas. Realmente, é um modelo para outras universidades.
6 Coeli // 02 Aug, 2005, às 3:13 am
Veja meu caso: Aqui a universidade federal tem um tal de PSG (Programa Seletivo Gradual), são três provas, durante três anos.
Fiz a três provas sem estudar pra nehuma, cheguei até a dormir em todas as etapas e consegui passar para a prova específica. Infelizmente tinha história, matéria que acho que nem por osmose entra na minha cabeça, então não passei.
E esse ano fazendo vestibular tradicional, o primeiro da minha vida, da mesma forma do PSG, sem estudar, quase passo para segunda etapa. Não passei por causa de história e química (que também é uma matéria que não consigo aprender), pois zerei as duas provas.
Vestibular é muito fácil! É como tu falaste: É só manter a calma. Só não mantenha muito e durma como eu. Não corra o risco de babar em cima da prova! haha
7 Maitê // 02 Aug, 2005, às 10:11 am
Condeno duas coisas no vestibular. A forma de seleção e tbém essa coisa de uma pessoa de 17 anos ser obrigada a escolher o seu destino. Isso é complicado.
Ah, quanto ao Nenhum de Nós. Você não perde nada!
8 Lu // 02 Aug, 2005, às 3:33 pm
Oi, Rodrigo! Valeu pelos toques quanto ao template. Alguém já teve problemas para abrir as fotos usando o Firefox porque ele converte uma das barras em sinais esquisitos, mais ou menos como 2%C… E o lance da barra da direita também só acontece no Firefox. Se você souber como faço pra consertar esses bugs, vou ficar muito agradecida!
9 Leonardo // 02 Aug, 2005, às 8:16 pm
É…. só te desejo boa sorte….
final do ano lá vou eu também.
isso porque tem também a porcaria do serviço militar. outro big problema.
10 Ulisses // 03 Aug, 2005, às 8:05 am
Além de toda a pressão psicológica e o conteúdo avaliado,por vezes,como disse o Rodrigo,sem vinculação com a profissão futura do candidato,em algumas universidades,como por ex a Unicamp,o candidato vai passar por um verdadeiro teste físico.Não digo para o vestibular de Educação física…Mas para todos os cursos!As provas são realizadas no mês de Janeiro,geralmente o mais quente do ano.O período escolhido para as provas é o vespertino,no qual aumenta muito a temperatura.As provas são aplicadas em salas quentes,principalmente se o candidato for designado para o ciclo básico.É uma situação terrível.O calor é quase insuportável.Muitos candidatos pingam suor em suas folhas de teste;colam as mãos e braços nas páginas de tanto que suor…É um verdadeiro teste físico.Portanto,fiquem atentos e preparem-se fisicamente para essas condições adversas os que prestarão vestibular na UNICAMP-Campinas/SP-uma das melhores universidades do país.
11 duard - Carlos Aquino // 03 Aug, 2005, às 11:31 am
Vou prestar no fim do ano
12 Coeli // 03 Aug, 2005, às 3:47 pm
O problema não era na inicialização. O computador não ligava. Apertava no botão power e nada acontecia. Foi só eu trocar o teclado e ele voltou a ligar normal.
Essas coisas só acontecem comigo
13 Selph // 03 Aug, 2005, às 3:59 pm
Nunca prestei vestibular pra uma pública pelo simples fato de não haver nenhum curso que me agradasse nela na minha época de faze-lo. Agora que já me conheço melhor (e coincidentemente estou formado) e sei o que me agrada vejo o quão injusto é esse sistema. E piora com a questão das cotas.
Ainda penso em fazer faculdade na área em que quero, porém, aí entra o FATOR TEMPO. É estranho perceber que após 4 anos vc tem outras prioridades na sua vida além de estudar. Deve ser por isso que tantos jovens se desesperam perante tal prova…
Não sei se passaria se fizesse o vestibular hj. Na verdade eu nunca tive metodo de estudo ou algo do tipo.
14 Tuca // 03 Aug, 2005, às 8:52 pm
Apesar das incoerências em torno do exame seletivo, bem como o estresse da prova em si, achei divertido meu vestibular, uma pré-sala pra festa que foi a época de faculdade. Agora, o que não teve graça alguma foi chegar a conclusão de que, anos depois de formado, eu estava exercendo uma profissão que não tinha nada a ver comigo, apesar do certo status que o diploma conferia a mim.
15 Engraçadinha // 05 Aug, 2005, às 9:53 am
Eu tentei alguns vestibulares, mas como sou uma anta em exatas, me fo… quando consegui passar, foi p/ particular. Mas também, quem não é aprovado em particular??
16 Diego // 05 Aug, 2005, às 10:10 am
O problema é que o vestibular é uma barreira que não se importa com o conhecimento e sim com a triagem: Não tem vagas para todos, façamos algo que justifique a reprovação. Sou a favor de um Segundo Grau em 4 anos, com dois nos moldes atuais e dois trabalhando apenas a área de conhecimento do aluno (humanas, exatas, etc…), escolha dele. Mas isso só seria popssível se houvesse no Brasil um ensino diferente do modelo atual, em que segundo grau especialista é ensino técnico e só. Nessa fase da vida, a pessoa pode não saber muito que profissão específica quer, mas saberia já que área se sente mas a vontade. Eu, por exemplo, decidi fazer algo de humanas antes de qualquer coisa.
17 mariângela ghedin de oliveira // 05 Aug, 2005, às 5:10 pm
Estou preocupada com o ensino superior! As universidades federais são as mesma de 30 anos atras e com os mesmos cursos e numeros de vagas. Engraçado, a população aumenta mas as federais não ampliam sua unidades, vagas e cursos.As universidades particulares se multiplicam enquanto que o governo pouco investe no ensino publico superior! A juventude enfrenta essa prova crucial e complexa, e pior, até parece que todos os vestibulandos fizeram um segundo grau de qualidade! Os cursinhos é a consequencia dos segundos graus deficientes! Triste realidade.
18 Suelyn // 28 Nov, 2005, às 1:16 pm
NOSSA ÉPOCA DE VESTIBULAR
É FODA NÉ …..NINGUEM MERECE……
19 Mauro // 28 Nov, 2005, às 2:06 pm
Gente só para fortalecer a troca de opiniões, mantenho a disposição dos interessados um blog sobre a questão das cotas nas universidades:
http://www.cotasparanegros.blog.aol.com.br
Mauro Sérgio
20 >>>Alana // 26 Apr, 2006, às 2:51 pm
Esse texto era tudo ki eu tava precisando..

Pense..
tô no terceiro ano..ta uma pressão retada encima d mim..estudo d manhã e trabalho d tarde…d noite tô na biblioteca i num tô fazendo o cursinhu sei nem pq??axo ki é d tantuh cansaço!!Mexmo estudando minhas num consiguh m concentrar i minhas notas, sem comentários…hehehe
Keruh prestar vestibular p direito tbm..i sei ki é bastante concorrido..sou éssima em´exatas..tô qse ficando doida!!!!!Vestibular é a entrada para um novo mundo i issuh é assustador!!!!
Parabéns Rodrigo pelo texto..saiba ki m ajudo bastante!!!
bjuxxxx
=****
21 Danilo Braga // 12 Feb, 2007, às 6:58 am
Eu acho que minha cabeça vai explodir!
22 Núbia // 17 Dec, 2008, às 4:08 am
Olá!!
é uma frescura mesmo esses vestibulares, principalmente por exigir que o aluno saiba precisamente todas as matérias. Eu me identifico mais com as de exatas, quando fui tentar vestibular para ufal, tava em dúvida entre arquitetura ou fÃsica, a minha média era muito boa e dava para passar em arquitetura, mas escolhi fÃsica e me arrependi. Cursei seis meses e tranquei a matrÃcula para tentar vestiba para arquitetura e nesse eu acho que não me sai muito bem. você pode me ajudar com uma dúvida? queria saber que se eu zerar duas vezes uma mesma matéria eu to desclassificada do vestibular, pois acho que isso aconteceu comigo na prova de espanhol.
se puder me ajudar tá aqui o meu e-mail nubia_teixeira@msn.com
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