Rodrigo Ghedin

É bacharel em Direito, aficionado por tecnologia e admirador de cultura (in)útil.

Google explica

09 de August de 2005 · Papo cabeça

Ano sim, ano não, passo alguns dias das férias de fim de ano no litoral. Geralmente, essas estadas são monótonas, e não fosse o fato da praia ser um lugar realmente agradável, independente de quaisquer circunstâncias, seria uma chatisse total. Da última vez que estive lá, tentando combater o marasmo, comprei uma Super Interessante - aliás, tenho umas três só, todas compradas nessas viagens. Na última página desta, havia um texto surpreendente, que valeu cada centavo dos vários - absurdo! - dispendidos para a aquisição da revista. Escrito por Fabrício Carpinejar, e sob o título “Ninguém mais diz não sei”, ele aborda pontos interessantíssimos: o impacto da Internet nas comunicações interpessoais, o pseudo-intelectualismo e o uso do “não sei”.

O autor bate muito em cima do excesso de informações que dispomos hoje em dia. Em conseqüência, estamos desaprendendo a dizer “não sei”; em seu lugar, entra o “vi no Google“. Ou seja, antes falar porcaria do que não dizer nada. O importante é não passar em branco, mas sim esbanjar erudição, ainda que falsa.

Por mais apurado e eficiente que seja o Google, nunca ele conseguirá ordenar a Internet da maneira mais correta possível. Pior que isso, nunca todas as páginas estarão totalmente certas, nunca estarão de comum acordo com as demais. Em suma, a Internet é uma terra de incertezas, e antes de tomar algo provindo dela como certo, é necessário fazer uma minuciosa averiguação. O problema está na constatação de que muita gente, e põe muita nisso, não entende, ou não quer compreender isso. Até jornalistas, que têm a obrigação de checar a veracidade das informações, andam desrespeitando este preceito básico.

Outro problema, ainda mais alarmante, é a geração de acéfalos que está sendo criada. Crianças que mal saíram das fraldas têm um mundo na tela do computador, o que as fazem queimar etapas importantes do aprendizado e, conseqüentemente, da vida, tornando-os adultos angustiados e analfabetos funcionais. Esta questão se acentua na escola, onde os trabalhos pedidos pelos professores, que antes eram pesquisados em livros e mais livros, hoje se restringem a apostilas vagabundas e páginas da Internet copiadas descaradamente. Alguns nem se dão ao capricho de remover o rodapé e cabeçalho das páginas…

Por fim, e isto não quer dizer que seja este o último estágio desta escalada da ignorância intelectual, temos as pessoas ditas politizadas, que sempre têm um comentário (in)oportuno a fazer sobre todo e qualquer tema. Acho que não tem muito o que falar sobre um ser que, por assistir o Jornal Nacional e perder algumas horas do dia vagando sem rumo pelo Google, se acha superior aos demais mortais.

Não sinta vergonha de dizer “não sei”. Não se chateie ao ser corrigido por algum amigo. São duas regras básicas que nos fazem mais humildes e espertos. Falar em demasiado não é sinônimo de inteligência; pelo contrário, muitas vezes demonstra insegurança e falta de conhecimento acerca do assunto abordado.

Então, a quem servir, ouça mais e fale menos. Sua consciência e seus interlocutores agradecem!

Neste dia, em outros anos...

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17 comentários até agora ↓

  • 1 Selph // 09 Aug, 2005, às 3:40 pm

    “Falar em demasiado não é sinônimo de inteligência; pelo contrário, muitas vezes demonstra insegurança e falta de conhecimento acerca do assunto abordado.”

    Essa frase é tão foda! De que site vc a tirou? hehehe!

    Falando na boa agora, muito bom o tema. E quando vejo que a Internet está cada vez mais, mais, mais, mais… hã…ZZZZ… POPULAR (de maneira ruim, ou seja, populista) me dá um medo…

    Sério, um medo, uma angustia, uma sei lá o que, pq o placebo que nos venderam era verdadeiro. Imagina isso!

    abraços!

  • 2 Lu // 09 Aug, 2005, às 5:25 pm

    “Não acredite em tudo que lê”.
    Daí a necessidade de várias fontes de informação, pesquisas bem feitas e consutas a quem realmente entende do tema. Realmente, no caso dos jornalistas, a negligência chega a ser criminosa. E quanto às crianças… ah, saudades do tempo em que o “Globinho” era fonte de informação para as pesquisas escolares e, mais tarde, a Barsa. Tudo copiado a mão, devidamente lido, nada de ctrl+c & ctrl+v.
    Excelente o seu texto!

  • 3 Letícia // 09 Aug, 2005, às 8:28 pm

    Que pelo menos troquem o “não sei” pelo “vou pensar”. Ajuda muito. Muito mesmo.

  • 4 Sarah Ribeiro // 10 Aug, 2005, às 1:22 am

    Isso me lembra uma palestra recente do diretor-chefe do Esporte Espetacular, Garambone, semana passada no Cesumar. Ele falava justamente disso, ele disse q temos q adimitir q não sabemos nada mesmo, aliás, se nós soubéssemos o mundo não teria mais graça.
    Mas de fato, principalmente na profissão de jornalista acontece muito isso, usar palavras bonitas para parecer que sabe e no fundo não saber nada. Por isso é bom quando as pessoas entram lá no conexo e fazem críticas construtivas, pq só falar mal não adianta, tem q dar toques, sugestões… fico feliz quando isso acontece pq eh errando q se aprende né?

  • 5 Coeli // 10 Aug, 2005, às 7:39 am

    Tem um ditado que diz: “Um sábio ouve pelo menos duas vezes antes de falar uma.”.

    Comecei faculdade de Marketing na segunda, e os dois professores que já deram aula falaram sobre o Google, sobre dados falsos que ele nos proporciona, sobre alunos que só copiam e colam. Eu já sabia, claro, mas…

    Falei um monte de coisas e não cheguei a local algum.

    Texto bem bacana! :)

  • 6 duard - Carlos Aquino // 10 Aug, 2005, às 9:30 am

    Sábio que é sábio, copia e cola…e às vezes clica em Recortar :-D

  • 7 |-|enrique // 10 Aug, 2005, às 9:51 am

    Acho que a burrice se mosta na internet da mesma forma que existia antes dela… quem copia da barsa e quem copia do google está no mesmo nível. A diferença é que pra copiar discaradamente no google tem que dar uma chegada antes pra ver se a informação é verdadeira.

  • 8 Dherik // 10 Aug, 2005, às 1:58 pm

    Eu prefiro falar “não sei… procurou no Google??” =)

    Agora… para o Google até dou um certo crédito, independente… mas Jornal Nacional não dá, hahahahahah

  • 9 Daniel Santos // 10 Aug, 2005, às 2:03 pm

    Excelente texto, Rodrigo. Com relação às buscas no Google e à questão sobre a importância dos jornalistas verificarem as suas fontes, me lembrei de um post recente — e também excelente — do Marmota, chamado “Em Defesa da Credibilidade na Web”.

    Fala sobre o material que os blogueiros disponibilizam na web, e como o leitor é que se vê, muitas vezes, obrigado a verificar a autenticidade das informações que encontra on-line. Isso me faz pensar duas vezes antes de publicar qualquer coisa, pois levo o ato de blogar a sério, e gosto de passar aquilo que acredito ser a informação mais exata. E penso que é assim que todos deveriam agir. Abraço!

  • 10 Maitê // 11 Aug, 2005, às 11:51 am

    Oi!

    Pois é, vitamina ministrada pela mamãe é engraçado…

    Bem, eu concordo com esse texto. E pior, isso força as pessoas a quererem abraçar o mundo, saber todas as informações e dai que ficam com problemas de memória, pois querem memorizar tudo… Abs

  • 11 ahrenss // 11 Aug, 2005, às 2:12 pm

    Ae Ghedin não sabia alem de mestre de Informatica voce tembem filosofava ;)
    Qual o seu MSN?

    []s

  • 12 Tuca // 11 Aug, 2005, às 2:23 pm

    Com o google, eu posso posar de sábio quando estou numa conversa telefônica, tendo o computador ligado na minha frente. Muitos por aí, que não conhecem o “conto do google”, devem pensar que minha mente é uma enciclopédia ambulante. Se revelo o segredo? Nem pensar!

  • 13 Raquel // 11 Aug, 2005, às 3:24 pm

    Quando a pessoa é muito inteligente, geralmente ela é tímida, fala pouco e morre de vergonha desses seres que falam demais por não ter nada a dizer.

    Beijos

  • 14 Endora // 12 Aug, 2005, às 12:34 am

    Até porque, não é a toa que temos DOIS ouvidos e apenas UMA boca… Pior do que o cara que assiste o Jornal Nacional e pesquisa o Google, é aquele que fala “Li na Veja”. AAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRGGGGHHHH!!!

  • 15 Enio // 14 Aug, 2005, às 1:25 pm

    eu era assinate da super, até ela deixar de ser cientifica e ficar tartando de “atualidades”, dai eu enchi o saco e parei. vivem ligando pra mim da editora pra que eu volte mas… contudo, o texto qaue tu citou é bom mesmo. tece outro na mesma seção que queimava o Chico Buarque, amei aquele. abraços!!!

  • 16 Engraçadinha // 14 Aug, 2005, às 3:18 pm

    Eu não sabia q a coisa estava assim tão séria. Afinal, todos sabem q eu sou de Marte. Mas “não sei”, é a plalavra mais dita por mim, por dia. Geralmente eu não sei, mas sei quem sabe.

  • 17 rodrigo melao // 17 Mar, 2006, às 2:31 am

    falta ao google elaboracoes do que pode e o que nao pode entrar na rede por que as vezes voce entra nun assunto de ciencia e o q recebe de resposta um assunto analfabeto isso nao e justiça diante de nossa face nem mesmo digno de nossas inteligencias .deus é fiel ..jornadas nas estrelas

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