Rodrigo Ghedin

Minha meta

Há uma velha máxima que diz que, para uma pessoa ter uma vida completa, ela deve escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Não descartando, mas sim somando a estes objetivos, acrescento mais um: fazer algo que te deixe plenamente satisfeito. Morrerei desolado e melancólico se não conseguir deixar algo que realmente valha a pena, que eu olhe, reflita, e sinta orgulho, mas um orgulho de encher a alma, um orgulho maior que eu mesmo.

Raramente assisto o Fantástico, da Globo. Entretanto, numa das raras vezes em que paro na frente da TV pra assistir a chata da Glória Maria e suas reportagens bobas, passava uma entrevista com Itamar Franco, ex-Presidente da República. Não posso dizer nada a respeito do seu governo, já que quando ele era Presidente, eu gastava meus neurônios jogando video game e aprendendo a escrever na escola. Isso também não vem ao caso sobre o ponto que quero enfocar. Enfim, durante essa entrevista, e pode ser que eu tenha sido o único a ter tal sensação, o Itamar passou uma serenidade restrita aos que têm a mente tranqüila. O orgulho de ter enfrentado de frente uma missão tão estafante como deve ser a presidência nacional, ainda mais nas circunstâncias em que o país se encontrava à época, e ter feito seu papel, segundo seus princípios, da melhor maneira possível, transbordava nas suas falas. Foi empolgante. Ratifico que não sei e não importa se o governo dele foi bom ou não, só estou querendo dizer que sua postura ante ao seu passado foi venerável, impressionante e instigante.

Essas coisas me dão ânimo, vontade de correr atrás das coisas, cumprir minhas metas, e isso, para mim, que sou um preguiçoso não-assumido, mas ainda assim um preguiçoso, é muito bom. Esses exemplos de dedicação, força de vontade e civismo engrandecem aqueles que compreendem a intensidade da coisa. Não fugindo à regra, quero sim escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho, mas mais que isso, quero fazer a diferença. Não, não busco fama, nem reconhecimento. Quero apenas chegar ao fim com aquela sensação extremamente maravilhosa do dever cumprido, que só os grandes têm a honra e a graça de sentir.

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Publicado em 28 de August de 2005, às 10:59 pm, na categoria Eu e eu mesmo.

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