Talvez
20 Out
Há semanas venho ensaiando, refletindo, filosofando e enrolando pra escrever algo sobre o referendo do próximo dia vinte e três. Verdade seja dita, este assunto está mais que saturado, logo, não vou aqui somente defender meu ponto de vista, mas, além disso, comentar sobre aspectos circunstanciais do referido acontecimento.
Antes de qualquer coisa, aponto uma falha, ou contra-senso, ou erro, enfim, algo fora do eixo: esse referendo não deveria ser assim, um referendo. Jogar essa batata quente na mão da população não é a maneira correta de se resolver algo tão controverso e delicado. Vê-se que o caminho certo não é este pela baixaria que virou aquele horário gratuito para as frentes. Como o sábio velho ditado diz, “A César o que é de César”. Ou seja, ao Legislativo a incumbência de votar uma lei, ora! Afinal de contas, a fortuna que é usurpada dos cofres públicos para pagar o farto salário dos membros do Congresso é dada em troca de trabalho, e o trabalho do Legislativo é criar, discutir, votar e fiscalizar a lei. Embora eu considere um despautério pessoas sem instrução alguma criando, emendando e votando leis, ainda assim são estas as atribuições deles. Mas a questão discutida aqui não é esta, então, passemos adiante.
Pegando o gancho do parágrafo anterior, analisemos os programas das frentes do “sim” e do “não”. É incrível como o brasileiro, genericamente falando, não consegue disputar, decidir ou resolver algo pacificamente, sem criar tumultos. Ao invés de demonstrar as vantagens de suas respectivas opiniões, ficam trocando farpas, fazendo acusações descabidas e colocando a Justiça no meio. Não que não seja salutar discutir questões obscuras da Lei do Desarmamento, mas que isso seja feito de maneira harmônica.
Ambos os lados, “sim” e “não”, têm argumentos respeitáveis. Acredito, também, que independente da opção que se sagre vencedora, na prática a situação não mudará muito. No fundo, estamos fazendo um pseudo-referendo, que não mudará a realidade brasileira em absolutamente nada. A Lei n.º 10.826, em vários momentos pode ser interpretada de forma ambígua, o que causa confusão na hora da decisão. Segundo um ministro do STF, a população não deve tentar interpretar a lei, já que isto é atribuição dos membros do Judiciário. Simples assim. Então tá…
O meu voto será para o “sim”. Parto da premissa de que, quanto menos armas, melhor. Não é direito do cidadão punir um semelhante, fazer justiça com as próprias mãos, colocar em prática a famigerada Lei de Talião, argumento este tão defendido por aqueles que votam no “não”, logicamente que com outro texto. Este direito, o de punir quem infringe a lei, é exclusivo do Estado. É assim que funciona o nosso Direito, e é assim que ele deve permanecer, na minha modesta opinião. Além disso, arma não é sinônimo de segurança, chegando muitas vezes à situação de aquela ser antônimo desta.
Há outros dados e argumentos que me fizeram decidir, desde quando começou a surgir os primeiros comentários sobre o referendo, pelo “sim”. Aliás, argumentos é o que não falta às vésperas do grande dia, tanto em prol do “sim”, quanto do “não”. Ratificando o que escrevi no começo do texto, ambos os lados estão bem embasados, então, cabe a você, cidadão no sentido estrito da palavra, com direitos políticos plenos, decidir, segundo os seus princípios, o que é melhor para o Brasil.
Octávio
20 Out, às 21:40
Ok Ghedin! Mas lembre-se: É direito do Estado, tudo bem…mas já que ele não cumpre direito, temos que fazê-lo! O RS, estado mais armado do brasil tem as menores taxas de criminialidades. Desarmar é dar a certeza que não há resistência…Por isso eu votaria NÃO, e gostaria de te convencer a votar NÃO também =D
[]‘S
Marcus Danillo
20 Out, às 22:40
“Segundo um ministro do STF, a população não deve tentar interpretar a lei, já que isto é atribuição dos membros do Judiciário.”
É engraçado como eles colocam a aprovação de uma lei em votação pública e o sujeito tem a manha de dizer que a população não deve tentar interpretá-la. Assim fica difícil votar, né seu Ministro?
jun1or
20 Out, às 23:46
Cara, tenho que confessar que esse referendo me deixou com grandes dúvidas. NO fim de tudo, decide-me a votar pelo Não. Acho uma idiotice ter uma arma em casa e acho que ela não resolve em nada para a defesa de um eventual assalto, no entanto, acho que proibir alguém de ter uma arma é uma medida típica de um governo ditadorial e me adimiro de ver alguém como Chico Buarque defender o SIM.
NO fim das contas, não creio em uma mudança dignificativa da sociedade com o SIm ou com O Não, por isso voto não para manter as coisas como estão. O Foco do governo deve ser outro e a questão do referendo é um falso problema. è preciso investir em Educação e combater a criminalidade. O dia que isso for colocado como uma verdadeira prioridade, questões como essa do referendo revelarão-se por si só írrisórias…
Quanto a necessidade de se escrever algo sobre o desarmamento, como você falou no começo do texto, ei preferi publicar algo sobre isso de uma forma mais light no meu blog, com direito até à uma mini estorinha em quadrinhos, bem tosca por sinal…
Rafael Fermiano
21 Out, às 09:31
Meu voto é “NÃO”, mas vamos ser sinceros, ninguem(população em geral) sabe no que está votando. Além das campanhas não terem argumentos cabiveis, nenhum fala realmente para que estamos votando. Eu mesmo só vim a saber do Estatuto do Desarmamento, de “2003″, esses dias atrás quando procurei informações na internet.
Ulisses
21 Out, às 12:53
Eu sempre defenderei a liberdade das pessoas escolherem o melhor para elas,poderem mesmo até dispor de sua própria vida.Acho paternalismo do estado definir questões profundamente pessoais do indivíduo.Como por ex,ser obrigado a utilizar cinto de segurança.Ora ,se eu não quiser usar ,o prejudicado serei eu mesmo.E digo que conheço pessoas que ,por ficarem presos no cinto,perderam suas vidas.E daí,o que diz o estado?Nada….
Creio ser direito sagrado do cidadão ter uma arma em sua casa para se defender.Mesmo porque,nem sempre um ladrão quando invade uma casa quer apenas roubar.Muitas vezes quer mesmo molestar as pessoas,estuprar e matar.Então, quem pode dizer que não vale a pena arriscar a vida reagindo?Ninguem,senão a propria vítima.
Dizerem que crianças podem ter acesso as armas na casa,isso não aceito.Numa casa há facas,fogo,acidos,remédios,etc,etc,tudo isso é um perigo para crianças.
Esperar que a polícia nos defenda?Finalizo relatando que a última vez que liguei para o 190,ouvi isso:”No momento todos os nossos atendentes estão ocupados,por favor,aguarde.”
carla
21 Out, às 15:14
eu prefiro ficar em cima do muro e achar o referendo uma macaquice.
mas já como querem fazer com q acreditemos q podemos mudar alguma coisa no nosso país d pesudo-democracia, eu vou fingir q acredito e no dia 23 estarei lá cumprindo o q acabou se tornando uma obrigação.
=/
Mácia
21 Out, às 17:18
Colega, o desarmamento, é uma das metas do Plano Nacional de Segurança, lançado em 2001, e, inclusive, o porte de armas já foi devidamente regulamentado, essa é uma das metas de combate à violência e à criminalidade, como também consta desse mesmo Plano o combate à lavagem de dinheiro (conforme vem sendo feito, durante esses 3 anos, inclusive com os próprios integrantes do governo); entre muitas outras medidas importantes, tanto na esfera estadual, municipal, como no âmbito da União, principalmente o recolhimento e controle de armas ilegais, q a gente sabe q é uma coisa totalmente surreal. Que possuir uma arma ñ é a melhor opção, e inclusive eu considero armas de qualquer natureza como o cúmulo da primitividade. Mas pode acreditar q uma vez, em plena 15 hrs do dia, um ladrão queria invadir minha casa, e só estava eu e meus 2 bebês, o cara tava pulando o muro e eu, tranquei-me dentro de casa e, pela janela, só apontei a arma do meu marido para ele e disse-lhe q podia pular…ñ precisei disparar um só tiro e acho q ele está correndo até hj. Mas hj ñ possuímos mais armas, por opção nossa (e isso é democracia). O pior é q a questão é tão séria q, talvez qdo o povo se der conta já seja mto tarde. Mas se vc estudar o Plano Nacional de Segurança Pública verá q as medidas apontadas são, em sua maioria, pura demagogia, discursos políticos, todas subjetivas e atacando, objetivamente, apenas a repressão; soluções práticas e preventivas como investimento na formas de promoção da igualdade social, que é o fator principal da violência, a começar pela redução das vantagens pecuniárias cada vez mais exorbitantes dos próprios políticos (independente de partidos) e distribuição honesta dos recursos destinados à garantia dos direitos fundamentais do cidadão. O referendo é sobre o “comércio” (legal) de armas e munições, e não sobre o desarmamento. Se o povo brasileiro ao votar, seja nesse referendo ou nas eleições comuns, fosse mais racional e menos emocional, inclusive buscando ler muito a respeito, talvez não estívessemos diante desse mar de lama pq, com certeza, como discurso de reeleição, o Lula vai falar q promoveu a redução da violência, e aí sim apresentará as estatísticas diariamente atualizadas, tão prometidas desde a implantação do PNSP (q eu ñ consigo encontrar para incluir na minha monografia), da mesma forma q ele falou q a culpa pelo foco de febre aftosa é culpa dos produtores (q, com certeza, objetivaram sacrificar touros selecionados e rebanhos inteiros q, ainda q o governos os indenizem, ñ cobrirá, nem de longe seus prejuízos), qdo na verdade o recurso q deveria ter sido destinado aos produtores foram desviados para aumentar a evasão de divisas e manter o dólar sob controle. Da mesma forma, a segurança pública deveria receber quatrocentos milhões e só recebeu cem, pq mais de quinhentos milhões foi destinado para esse referendo. EU VOTO NÃO pq, sinceramente, eu estou envergonhada e revoltada com tanta “maracutaia” política, q esses senhores, legitimamente eleito, vem fazendo só para se manter no controle e ficar cada dia mais poderosos! Só quem é ingênuo não percebe q democracia ñ combina c proibição. Se isso realmente fosse a solução ñ teríamos índices tão altos de tráfico e uso de entorpecentes. Existem meios muito mais eficazes de se combater a violência do q simplesmente “criar” uma lei, supostamente representando a vontade do povo, para se auto promover, sabendo q, no final, ñ terá meios de torná-la plenamente eficaz. Mas o maior problema é q as pessoas estão considerando tudo isso como mais um processo eleitoral e desconhecem totalmente as verdadeiras intenções q estão cuidadosamente sendo encobertas.
Selph
21 Out, às 21:20
Simples assim: Votar no SIM é empurrar com a barriga. Embora o NÃO possa trazer consequencias catastroficas…. o SIM além de lavar as mãos de muito nego ainda cerceia a liberdade
Helton
22 Out, às 21:13
Eu, na minha opinião, penso que esse Referendo na realidade é uma capa que esconde nossa situação atual. Numa situação de crise politica trazer esses problemas ao cidadão não é algo que de fato resolva algo.
Eu votaria NÃO mas como tenho 14 anos não posso votar. Por que? Por que isso será como as drogas, é proibido mas tem em todos os lugares espalhadas. Isso so fará com que os bandidos procurem novas fontes entre eles fortalecendo o crime organizado e a ladroagem.
Mas há toda aquela questão de que não cabe a nos fazer justiça. Porém não temos direito de interferir que outra pessoa possua uma arma, justamente porque cada um sabe o que é melhor para si. Para estas que querem possuir uma arma somente podemos convencê-las a não terem uma.
Bom, de qualquer forma estou muito triste por este Referendo qualquer decisão praticamente não chegará à qualquer resultado concreto. Só pode-se dizer que este é meu BRASIL.
camila
22 Out, às 23:10
voto nulo, é melhor assim. mas eu bem sabia no que eu queria votar, bem antes dessa palhaçada toda.
Patrícia Köhler
23 Out, às 14:39
Rodrigo, este foi um dos melhores textos que li sobre o que este referendo representa, na atual situação que atravessamos: nada.
Realmente é jogar a batata quente nas mãos de uma população que, amedrontada diante da violência, pode ter a ilusão de que uma arma a protegerá dos bandidos, ou, do lado oposto, pensar que o desarmamento do cidadão comum pode diminuir as mortes causadas por armas de fogo.
Resumindo: todos os lados cheios de dúvidas e à espera apenas de medidas REALMENTE eficazes para a redução da violência.
Você é estudante de Direito, né? Torço muito pelo seu sucesso, seja qual for a área que você decida seguir. Acho sua argüição muito boa.
Um beijo.
Tuca
24 Out, às 11:25
A única interessante desse referendo foi o trote que o cocadaboa produziu sobre o mesmo, onde inventaram um traficante que apoiava o sim, com direito até a conversa em áudio com uma jornalista: http://www.cocadaboa.com/arquivos/008635.php
Evilasio
25 Out, às 23:46
Olá, Rodrigo.
1. Que honra, não havia visto que você me colocou na sua lista de blogs. Muito legal, fico agradecido com a grata lembrança.
2. Obrigado pela dica do PS2. Eu achava que poderia ser mais fácil, digitar algum código, ou algo do tipo. Eu tenho medo de levar meu PS2 numa dessas assistências pé-de-meia e os caras me roubarem alguma peça. E o danado é que eu tenho dois jogos piratão aqui e nem dá pra usar…
Abraçao pra vc!