Dogmas, “achismos” e cólera
16 Nov
Logo que passei a me ver como gente, a primeira providência que tomei foi me livrar de vícios, adorações e qualquer sentimento que me vinculava de forma maléfica a outras coisas. Neste leque de coisas estão inclusos fanatismo por outras pessoas, defesa incondicional de dogmas, e tudo mais relacionado. Me sinto mais livre assim, tendo o livre arbítrio de achar ou deixar de achar algo estúpido ou não embasado em minhas opiniões, sem estar condicionado a qualquer coisa. Claro que essa liberdade não é absoluta, já que, como qualquer pessoa normal, tenho lá meus princípios e, junto deles, opiniões formadas que beiram o dogmatismo, mas que, para mim, não são maléficas. Isso é inerente ao ser humano.
Esse “momento diarinho” do parágrafo anterior serve para ilustrar este texto, que foi motivado graças a alguns comentários feitos ao último texto (Alma Gêmea), que, confesso, tinha a intenção de sacanear com a novela, e não com os espíritas. Já houve outras situações neste curto espaço de tempo em que este blog existe em que a história se repetiu, como no texto sobre o fim dos tempos. Tudo isso pode soar meio egoísta, afinal, se eu exponho minhas idéias num local público, como é este blog, é para que elas sejam bombardeadas por idéias contrárias (ou não). Mas, antes que este tipo de mal entendido surja, deixo claro que não é nenhuma crítica aos que foram contra às minhas idéias; pelo contrário, estes são os comentários que eu mais gosto!
O dogmatismo é um estorvo à ciência e ao desenvolvimento. Nada é absoluto, imutável, e, estando em pleno século XXI, seria normal se todos tivéssemos essa idéia na cabeça. Como diz Heráclito, as coisas são como a corrente de um rio - não se pode entrar duas vezes na mesma corrente. Tudo está em constante transformação. Defender uma idéia é saudável, agora, fechar a mente para novas idéias, é tolice. Pior que isso é não respeitar as idéias, ou opiniões, dos outros. É mal educado. Ninguém tem a verdade suprema, irretocável.
Confesso que muito do que escrevo aqui tem como suporte meus conhecimentos, que, cá entre nós, não é dos maiores. Alguns comentários soam sem nexo, outros são equivocados. Entretanto, há uma grande diferença entre informação errada e opinião particular. Logo, se eu sou contra o espiritismo, que mal há nisso? E se eu não gosto de novelas? Uma coisa é afirmar categoricamente que o espiristismo e as novelas são duas porcarias, outra é dizer que eu não acredito naquela, e acho esta uma tremenda bobagem. E aí?
Alguns hão de me crucificar em virtude das escachadas opiniões acima. Que o façam. Porém, se em seu interior nenhum sentimento de cólera surgiu, meus parabéns! Você está atingindo um nível superior, de compreensão e respeito, o que, se me permitem um rápido e instrospectivo comentário, é o caminho para Deus. O que, discorda disso também? Problema seu…
Tudo se resume a respeito, para consigo mesmo e para com os outros. Debater idéias, questionar opiniões, é uma maravilha, uma dádiva que só nós, seres humanos providos de cérebros pensantes, somos capazes. Julgar os semelhantes em face de opiniões divergentes, ser o suposto dono da verdade, isso além de ser um tanto indecoroso, me passa uma sensação de irracionalidade.
Concorda com o texto? Discorda? Vamos debatê-lo! Civilizadamente, por favor.
Killer
16 Nov, às 13:28
Rodrigo, respeito a sua opinião, porém o que fez um ou outro responder com menos civilidade do que vc talvez esperasse foi o fato de que vc falou (…)sobre essas sandices de alma passada, reencarnação e espíritos..
Se vc no caso chama alguém de tolo (nesse caso vc deu a entender que todos que acreditam nisso são loucos, o que inclui também várias outras religiões, não só o espiritismo), simplesmente pq vc não acredita no mesmo que elas, é até esperado que as pessoas se defendam.
O achismo no caso (ou o dogma) é tanto delas quanto principalmente SEU (olha só, vc não se livrou de todos), já que pra vc crer nisso é um disparate, e isso é sim desrespeitar a crença dos outros.
Rafael Fermiano
16 Nov, às 16:25
Rodrigo, estamos aqui pra discutir, criar polemicas.
Acredito que ninguem precisava ter se revoltado, feito bico e descido a mão no teclado. Mas quando o assunto é politica, religião e futebol sabemos que isso ocorre.
E já que viemos ao mundo online pra fazer intriga, surgiu-me uma duvida…
“Uma coisa é afirmar categoricamente que o espiristismo e as novelas são duas porcarias, outra é dizer que eu não acredito naquela, e acho esta uma tremenda bobagem.” Qual seria aquela e qual seria esta no caso?!?!
abraços meu amigo, continue com suas otimas “colunas” como sempre fez
Selph
16 Nov, às 18:36
queria ter feito um texto assim pra esclarecer as coisas e as diversão discussões que seurgem vez ou outro no In Loco. Muito bom, Ghedin…
Opinião coerente. Aliado ao respeito, isso sim torna as coisas agradaveis. Até as discussões
[]´s
Andrei
16 Nov, às 20:11
Bom, vamô lá! Eu não sei o que houve, pra você tá escrevendo isso, sobre livres escolhas e tal, mas isso aqui, pelo menso, é rodrigoghedin.com.br, tu pode escrever o que tu quiser, o que tu pensa. Quem não gostar? Respeita e cria um blog se quiser, ai pode escrever o que quiser. Falta de respeito é soda.
Quanto ao texto tá bom, teu português tá ótimo, mas tu não acha que os teus textos estão ficando muito pesados, cansativos, muito rebuscado. Não estou me referindo a qualidade. Aceite isso como uma critica construtiva.
abraços []´s
Endora
16 Nov, às 20:47
Vc leva sua vida muito a sério… tá afim de vender a alma ao demo? rs…
Neto Cury
17 Nov, às 05:52
Sei lá, concordo com você quando diz que é preciso respeitar a opinião alheia. Eu fiz isso, sou espírita e nem por isso te critiquei, muito pelo contrário, fiz um texto bem humorado e fiz um trackback pra cá.
Zé
17 Nov, às 11:22
Não é por falta de opinião ou de criatividade, mas se eu pudesse juntaria todos os comentários acima, e deles faria o meu…
De qualquer modo há um Príncipio Básico, a ser observado principalmente por pessoas mais especiais e inteligentes como você, um óbvio “Formador de Opinião”:
” Respeito Mutúo “.
Temas mais “delicados”: Raça, Sexo e Religião. Ah, e em um país como o nosso, o Futebol.
Gwen
17 Nov, às 14:00
Pronto!
Mal comecei a ler o post e já chego a conclusão, a cruel conclusão de que não posso ser vista como gente!
Sou viciada em café…
Beto
17 Nov, às 17:26
Aliás, no Orkut tem uma comunidade ótima: Eu odeio fanáticos religiosos!
hehehe
[ ]´s
Parabéns pelo blog.
insipiente
17 Nov, às 18:17
-.-”
hm… espiritismo? te entedendo, sinto o mesmo, mas em relação a todas as religiões, hehe.
Calminha, brinquei. Sou cética, mas não teófoba (aquele que tem aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante a Deus ou aos deuses).
Cada um seja feliz acreditando no que quiser, seja em deus ou deuses, reencarnação (não acho que o Paraíso/Inferno/Julgamento Final seja mais real _ou qualquer outra coisa_ do que a reencarnação… essa é só minha opinião), anjos, duendes, gnomos, santos, demônios, milagres, oráculos, Papai Noel, coelhinho da páscoa… enfim, todos os “amigos imaginários” em geral; ou em nenhum. O ser humano precisa dessas crenças, desde os primórdios da humanidade e toda essa conversa que todo mundo já conhece.
Já falei bastante, agora tenho que matar uma galinha preta e acender treze velas vermelhas pro Rodrigo (kkkk.. não pude resistir).
Perdoem-me a sujeira que aqui fiz.
duard - Carlos Aquino
18 Nov, às 12:40
Se não me engano o primeiro a “defender” o Espiritismo fu eu …
Mas eu só o fiz, por que você disse que a doutrina que eu decidi seguir é uma sandice.
Se eu não defender as coisas em que eu acredito, elas irão acabar. Mas não BRIGUEI ( nem to de mal ).
Agora vem cá meu camarada :
DÁ PARA ESCREVER POST’S MENORES PORRA ?
EU TENHO QUE TRABALHAR CARALHO !!!!!!!!
Faby
18 Nov, às 13:02
Eu acho que todo blogueiro já escreveu um post parecido com esse seu. Se não escreveu, um dia vai escrever. Se meu blog tivesse permalink , mandava o link pra você ver, mas…
Como eu escrevi um dia lá no Megalopolis, “no fundo, no fundo mesmo, a gente é tudo gente, mesquinha e bocózona, e cheia de valores idiotas.”
Tuca
22 Nov, às 23:36
Ter opiniões bem estruturadas a respeito do que nos intriga é saudável. O problema é quando passamos a ser craques na teoria, mas pernas-de-pau na prática, coisa aliás bem comum em nosso meio acadêmico.
Espero que esse não seja o seu caso.
Abraços!