Ontem encontrei um CD que gravei há uns três anos atrás. Naquela época, havia acabado de ganhar o computador novo, e estava descobrindo o mundo da música. O disco, recheado de sons barulhentos, os quais não ouço há tempos, fez com que eu rebuscasse sensações, histórias e situações daquela época. Bateu uma saudade, a nostalgia foi total. Embora muitos não liguem para o passado, eu sou, sim, muito ligado a ele.
O CD de ontem me fez lembrar dos tempos do IRC, onde conversava, pela Internet, com o pessoal da cidade e região. Dali para se conhecer pessoalmente, era um pulo. Bons tempos aqueles, de Internet discada, Internet esta que eu só acessava nos finais de semana e feriados, e quando em férias, todos os dias após a meia noite. Era quase um corujão! Aquele mesmo CD me fez ver, com mais clareza do que nunca, como somos seres mutáveis… Aquelas músicas, que à época eram as que mais agradavam meus ouvidos, hoje chegam quase ao ponto de ferí-los. Se continuar neste ritmo, daqui cinco anos estarei ouvindo cantigas de ninar. Outro ponto que voltou à minha mente foi a escola, os amigos que via todos os dias, os professores, trabalhos em grupo. Naquele tempo, dizia não gostar da escola; hoje, vejo o real valor daquele ambiente, e tudo que ele trazia consigo.
Como tudo tem um lado bom, dessa história toda pude tirar algumas lições. Aproveitar o momento atual, por mais ruim que possa parecer, é uma delas. Guardar lembranças, singelas, porém que transbordam significados, é outra.
Às vezes acho que fico me lamentando muito pelo que passou, ou melhor, excedo os limites da saudade do passado, e acabado me descuidando no presente. E nessa, forma-se um ciclo vicioso infinito… Mas, será? É tão maléfico assim o simples fato de ser nostálgico? Ainda não sei a resposta desta indagação. Só espero que, daqui a alguns anos, eu olhe para trás e veja este momento com nostalgia, com saudade, tal qual vejo hoje o tempo que já passou, e que eu esteja melhor do que estou hoje.
7 comentários até agora ↓
1 Neto Cury // 23 Nov, 2005, às 10:16 am
Não tem nada de errado em relembrar, só não podemos ficar obcecados com os dias passados e esquecer-nos dos dias presentes, exatamente como você disse.
NO mais, você já reparou que mesmo coisa que foram ruins no passado, hoje rimos delas, ou seja, é assim que aprendemos a viver, com o que foi aprendido no passado.
Chega, filosofei demais para um comentário só…
Abraços
2 Faby // 23 Nov, 2005, às 12:25 pm
Tem coisas que a gente relembra que, na hora que ocorreram, dá uma vergonha, mas depois a gente pensa que pelo menos vai ter o que contar pros netos… Inclusive as “corujadas” na Internet discada!
3 Rafael Slam // 23 Nov, 2005, às 2:22 pm
O que seria de nós sem o tão mal visto passado ?
Tudo que somos, tudo que gostamos, tudo que não gostamos, nossos valores, vem todos do passado e de nada além dele…
Mutaveis todos nós somos, falo isso por mim mesmo e pode ter certeza de que sempre vão haver momentos melhores e talvez piores também, mas eles vão se tornar leves vultos na sua memória com muito mais rapidez do que os bons momentos…
vlwz….
4 duard - Carlos Aquino // 23 Nov, 2005, às 7:28 pm
amigo,
realmente é assim, basta uma música, para “viajarmos” na maionese total, de nosso passado.
Como você, também fiz diversos amigos via IRC, e por isso, me identifico na NET como duard.
.
Quem não pegou o IRC nas épocas da Brasirc/Brasnet, quando estas redes eram as todas poderosas…não viveu a internet totalmente
… táh…tô exagerando…mas Rodrigo : IRC é ou não é o melhor lance de conversar virtualmente que já inventaram ?
Cara, lá tem tudo…política então
… !
5 Andrei // 24 Nov, 2005, às 4:38 pm
Afinal, que cd era esse que te fez lembrar tal época?
6 Patrícia Köhler // 25 Nov, 2005, às 10:40 am
Rodrigo… sou saudosista pra caramba também, mas, como muito bem disse o Neto, “só não podemos ficar obcecados com os dias passados e esquecer-nos dos dias presentes, exatamente como você disse”.
Não há mesmo problema em relembrar e sentir nostalgia, desde que estes sentimentos não nos paralisem ou ofusquem o aqui e agora.
No mais, “recordar é viver”!
Um beijo.
7 raquel // 26 Nov, 2005, às 4:31 pm
nossa! uma vez em tempos de crise estava ouvindo The cure no discman no caminho para a antiga sensala. Desliguei o cd e liguei o rádio, começou passar uma música dos paralamas, lembro que nesse momento senti que não conseguia segurar minhas lágrimas e chorei desfarçadamente no ônibus. Eita vida bandida.
beijos
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