Confiar ou não confiar? Eis a questão
Por mais que gastem milhões em publicidade na TV, que infestem a cidade com panfletos e outdoors, que apelem para o merchandising em programas de fofoca, nenhuma propaganda é mais eficiente que o arcaico boca-a-boca. Este ganha ainda mais força quando é proferido por alguém de renome, que tem credibilidade, que o povo escuta e confia. Mas, até onde essa confiança vai?
Por mais que nos julguemos auto-suficientes, donos de mentes que sabem discernir o joio do trigo, todos temos um amigo a quem sempre pedimos opiniões sobre um assunto qualquer. Há casos, em que não é só um, mas vários amigos, cada qual especialista em determinada área. Dependendo de quem pede opinião, e de quem a dá, a relação é tão fiduciária que uma palavra da pessoa em quem confiamos é capaz de derrubar várias de outras várias pessoas. Nesses casos, geralmente, há influências que ultrapassam o limite do assunto em questão, como a amizade, por exemplo.
Esta relação serve muitas vezes de caminho mais curto (e errado, vale citar) para se dar bem na vida. É quando o malandro ataca, e usa a confiança cegamente depositada em si a seu favor, sem se importar com o fim daquele que o questionou. E aqui chegamos ao ponto-chave deste texto: até onde a confiança na opinião alheia é válida?
É regra básica para quem vai às compras pesquisar preços no maior número de estabelecimentos possível. Tal conduta, recomendada unanimemente por economistas e consultores domésticos, deveria se estender para outras áreas além da das compras. Não apenas por receio dos malandros, mas sim a fim de se certificar, de não ser ludibriado.
O entendido no assunto, a quem sempre pedimos opiniões, não é infalível; é passível de erros, como qualquer ser humano. Há uma passagem na Bíblia, onde um dos discípulos diz que só acreditaria na ressurreição de Jesus se o visse. Ele é duramente criticado por tal comentário, mas, por quê? É tão pecaminoso assim querer se certificar de algo? Silvio Santos em seus programas tem um bordão que diz “eu só acredito… vendo!”. Tirando o fato dele soltá-lo à exaustão durante os programas, é um bordão interessante, muito válido, ainda que seu programa seja estúpido ao extremo. Dois opostos para uma situação comum, mas deveras importante: a confiança.
Confiar não é pecar. Ser precavido, também não. Quando o motivo da dúvida é tangível, concreto, vale sim ser cético, e pesquisar a fundo antes de tomar qualquer decisão. É o caso de quando se vai comprar qualquer coisa, ou mensurar o valor de algo. Em se tratando de coisas intangíveis, abstratas, tudo é relativo. Vai da consciência de cada, agregando a isso a situação em si. Por exemplo, você não pode medir o grau de amizade com determinada pessoa através de comentários e opiniões de outrem. É algo intrínseco, pessoal. Mas mesmo assim, como disse acima, isso é relativo. Às vezes, uma opinião formada a respeito de alguém cai por terra em face de evidências opostas a ela.
No fim das contas, e não cheguei a um veredicto. Ou melhor, cheguei sim, e tenho-o para comigo. Sintetizando o que escrevi ao longo destas linhas, a questão abordada aqui é subjetiva, e o que é certo para uns, é alarmante para outros. Enfim, você decide!