Rodrigo Ghedin

É bacharel em Direito, aficionado por tecnologia e admirador de cultura (in)útil.

Confiar ou não confiar? Eis a questão

15 de January de 2006 · Papo cabeça

Por mais que gastem milhões em publicidade na TV, que infestem a cidade com panfletos e outdoors, que apelem para o merchandising em programas de fofoca, nenhuma propaganda é mais eficiente que o arcaico boca-a-boca. Este ganha ainda mais força quando é proferido por alguém de renome, que tem credibilidade, que o povo escuta e confia. Mas, até onde essa confiança vai?

Por mais que nos julguemos auto-suficientes, donos de mentes que sabem discernir o joio do trigo, todos temos um amigo a quem sempre pedimos opiniões sobre um assunto qualquer. Há casos, em que não é só um, mas vários amigos, cada qual especialista em determinada área. Dependendo de quem pede opinião, e de quem a dá, a relação é tão fiduciária que uma palavra da pessoa em quem confiamos é capaz de derrubar várias de outras várias pessoas. Nesses casos, geralmente, há influências que ultrapassam o limite do assunto em questão, como a amizade, por exemplo.

Esta relação serve muitas vezes de caminho mais curto (e errado, vale citar) para se dar bem na vida. É quando o malandro ataca, e usa a confiança cegamente depositada em si a seu favor, sem se importar com o fim daquele que o questionou. E aqui chegamos ao ponto-chave deste texto: até onde a confiança na opinião alheia é válida?

É regra básica para quem vai às compras pesquisar preços no maior número de estabelecimentos possível. Tal conduta, recomendada unanimemente por economistas e consultores domésticos, deveria se estender para outras áreas além da das compras. Não apenas por receio dos malandros, mas sim a fim de se certificar, de não ser ludibriado.

O entendido no assunto, a quem sempre pedimos opiniões, não é infalível; é passível de erros, como qualquer ser humano. Há uma passagem na Bíblia, onde um dos discípulos diz que só acreditaria na ressurreição de Jesus se o visse. Ele é duramente criticado por tal comentário, mas, por quê? É tão pecaminoso assim querer se certificar de algo? Silvio Santos em seus programas tem um bordão que diz “eu só acredito… vendo!”. Tirando o fato dele soltá-lo à exaustão durante os programas, é um bordão interessante, muito válido, ainda que seu programa seja estúpido ao extremo. Dois opostos para uma situação comum, mas deveras importante: a confiança.

Confiar não é pecar. Ser precavido, também não. Quando o motivo da dúvida é tangível, concreto, vale sim ser cético, e pesquisar a fundo antes de tomar qualquer decisão. É o caso de quando se vai comprar qualquer coisa, ou mensurar o valor de algo. Em se tratando de coisas intangíveis, abstratas, tudo é relativo. Vai da consciência de cada, agregando a isso a situação em si. Por exemplo, você não pode medir o grau de amizade com determinada pessoa através de comentários e opiniões de outrem. É algo intrínseco, pessoal. Mas mesmo assim, como disse acima, isso é relativo. Às vezes, uma opinião formada a respeito de alguém cai por terra em face de evidências opostas a ela.

No fim das contas, e não cheguei a um veredicto. Ou melhor, cheguei sim, e tenho-o para comigo. Sintetizando o que escrevi ao longo destas linhas, a questão abordada aqui é subjetiva, e o que é certo para uns, é alarmante para outros. Enfim, você decide!

Neste dia, em outros anos...

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7 comentários até agora ↓

  • 1 Endora // 15 Jan, 2006, às 11:47 pm

    Ghedin, vc parece meu pai falando…

  • 2 Demis // 16 Jan, 2006, às 12:17 am

    Li o seu texto ´´tolerância musical“ e achei incrível. Você escreve extremamente bem. Eu nem vou dar opiniões sobre esse texto ´´ Confiar ou não confiar? Eis a questão“ porque o assunto não me convém. Suas idéias são bem deliberadas para determinados assuntos.

    Falow

  • 3 rafael fermiano // 16 Jan, 2006, às 9:52 am

    Concordo. Só tem um ponto que não foi colocado. às vezes, a pessoa que procura quer ser enganada, digo, não exatamente enganada, mas ela pede o conselho visando uma resposta que ela já tem, caso não encontre a mesma resposta ela “refuta”, caso encontre aceita…
    No meu caso, já fui manipulado, e aprendi a me “defender”. aí fica legal você ser “manipulado”, hilário. Eu sempre deixo até ver onde a coisa pára.

    Quanto à poção, eu não preciso tomá-la, pois cai na infusão quando era piá, e fiquei com o efeito permanente….

    Abraços

  • 4 Andrei // 16 Jan, 2006, às 8:55 pm

    Não entendi o texto :).

  • 5 Ahrenss // 17 Jan, 2006, às 1:56 pm

    Ficou estranho o texto, apesar de ter compriendido o texto acho que ficou meio estranho ;\

  • 6 Cristiane // 18 Jan, 2006, às 5:07 pm

    Olá!!! Nossa achei legal seu blog, corajoso, interessante. Passei pra dar os Parabéns! Tem certeza que quer ser advogado??? Seu ramo é comunicação amigo! Escreve melhor que mto colega meu de faculdade. Sou Cristiane e estudo jornalismo em Guarapuava. Continue escrevendo sempre um abraço Cristiane

  • 7 Tuca // 18 Jan, 2006, às 6:06 pm

    As vezes é cansativa essa história de pesquisar por si só pra depois tomar uma decisão. Por isso que é importante termos algumas pessoas que possam nos dar algumas referências. Pessoas enfim, de confiança, que tenham gosto e valores em sintonia com a gente.

    Assim, ganhamos tempo, sem cansar as vistas ou as pernas…

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