Rodrigo Ghedin

Primeira vez (ou exemplo de redação para vestibulares)

“Foi ontem. Já havia lido e ouvido muito sobre, mas talvez por falta de oportunidade, nunca tinha experimentado. O fato de ser um assunto não tão corriqueiro no meio em que vivo, e na sociedade de um modo geral, também colabora para esta minha tardia primeira vez.

Quando vi, foi um tanto estranho. Imaginava que fosse meio diferente, mais ou menos como via nos filmes. De qualquer maneira, a surpresa inicial não me intimidou; a ansiedade era maior que qualquer outra coisa, fazia qualquer medo tornar-se irrisório.

Entrei. Aos poucos fui me habituando ao local. Apertado, sim, mas muito aconchegante. A cada movimento, uma nova descoberta, a satisfação me invadindo, enfim, um prazer difícil de mensurar. Quase uma hora, que ante a diversão que sentia, pareceram poucos minutos. Apesar disso, valeu a pena, e pude constatar que, sim, pra quem curte quadrinhos antigos e livros de qualquer gênero, o sebo é um lugar muito bacana. Visitá-lo-ei mais vezes!”

Pensou que fosse outra coisa, né? Este tipo de texto, muito bobo por sinal, é citado em todo manual de vestibulando, ilustrando a parte reservada à prova da redação. Evidente que com outros personagens, situações e subentendimento, mas a essência é sempre a mesma: o leitor pensa uma coisa, de preferência libidinosa, que é desmascarada no final do texto.

É por essas e outras que eu vejo o vestibular, que por si só já é um abuso, como uma tremenda bobagem. Necessária, infelizmente, mas ainda assim, uma bobagem.

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Publicado em 18 de January de 2006, às 6:35 pm, na categoria Papo cabeça.

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