Livro difícil uma ova!
Algumas verdades são tidas como absolutas. Dessas, hoje destaco aquela que diz que ler é bom, independente do que é lido. Essa constatação é muito difundida entre jovens preguiçosos, que usam a desculpa pra justificar os tufos de dinheiro gastos com HQs. Na outra ponta da corda estão aqueles livros praticamente inteligíveis, tamanha a complexidade do linguajar usado. É sobre esses malditos que quero dissertar hoje, e questionar se esse tipo de leitura é realmente válida, mesmo quando não totalmente absorvida, quiçá compreendida por quem toma para si o desafio de encará-las.
Há todo um miticismo em torno dos clássicos. Afinal, se têm esse título, é porque eles realmente são bons. Livros antigos, geralmente com centenas de páginas, e cujos autores já estão mortos. Sim! Além de toda a bagagem que eles proporcionam(e agora deixando meu lado pseudo-intelectual falar mais alto), é ou não é legal você chegar e dizer “já li Rousseau“, ou então citar alguma frase célebre de Nietzsche, ou Shakespeare? Durante os dois últimos anos li e estudei muito sobre grandes filósofos e sociólogos, na faculdade, e isso despertou um certo fascínio de minha parte em relação a eles.
No final do ano passado, comprei uns livros desses autores, numa promoção da Editora Escala (já falei sobre). Comprei um pacote com cerca de dez livros. O primeiro que li foi A origem da desigualdade entre os homens, de Rousseau. Embora não tenha chegado ao fim, ainda, este deu pra compreender bem, e o melhor, a leitura não é cansativa. A seguir, me aventurei pelo As paixões da alma, de Descartes. É entendível, mas é chato de doer. Está mais para um livro de medicina medieval do que para qualquer outra coisa. Por fim, parti para Assim falava Zaratustra, de Nietzsche. No começo achei que fosse facilmente digerível, mas depois que o tal Zaratustra desce da montanha, e começa a filosofar em qualquer canto, a coisa fica complicada, chegando ao absurdo de ficar difícil de saber quem está dizendo o quê.
Pode ser que meu saber não seja condizente com a complexidade dessas obras. Isso acontece, de fato. Muita coisa que eu não conseguia compreender há alguns anos, hoje eu consigo dissecar. Estamos em constante evolução, e não me surpreenderei se, daqui a alguns anos, julgar serem estes livros simples, fáceis de entender. Ou não, quem sabe?
Por ora, me contento com coisas mais simples. Mais simples sim, porém não menos interessantes, ou enriquecedoras. Afinal, já disse alguém certa vez que a perfeição namora com a simplicidade, e este pensamento, por mais que eu cresça e mude minha perspectiva sobre as coisas, sempre esteve, e espero que estará, intrínseco em mim.
Neste dia, em anos anteriores...
- O NO FOLIA 2008 vai começar! (2008)
- O Windows pirata no Brasil (2007)
Dériqui
02 Fev, às 01:15
Ih Ghedin, se não entender agora, não entende mais não
selph
02 Fev, às 03:45
de fato, simplicidade é o mais importante, ser simples sem ser simplório
e o verniz intelectual tem a sua fonte no puro ego e vaidade de querer se passar como culto perante outros.
Eu gosto de hq´s, principalmente de Sandman
rafael fermiano
02 Fev, às 08:24
Já leu Marx? ou Keynes? São boas leituras…chatas, mas boas…
Faz alguns dias comecei a ler um livro, Anjos e Demonios (Dan Brown), esse é bom ahah. Mas 460pgs não é mole, principalmente quando se le um livro do Jo Soares(Quem matou GV), e uma serie de gibis (sandman)…Mas acho que termino essa semana ahha
abraços
Faby
02 Fev, às 12:25
Já leu romances russos?
Cara! São enormes, podem ser confundidos com listas telefônicas tal o número de personagens - frase do Veríssimo.
Ano passado, li Crime e Castigo do Distoiévki até a metade. Não tive tempo de terminar, porque estava atolada de trabalhos na faculdade, depois meio que esqueci, e começei uma tradição: ler livros técnicos de informática e design. Depois que passou o tufão-faculdade, só li a série do Mochileiro das Galáxias. Mas recomendo Dostoiévski. O cara escreve muito bem, não é chato e cansativo, e a história, por incrível que pareça, anda!
Faby
02 Fev, às 17:10
Então Rodrigo, li Crime e Castigo até a metade, por curiosidade. Já esclarecendo que o bicho é um “romanção” russo, que, segundo o LF Veríssimo, podem ser confundidos com listas telefônicas tal o número de personagens.
Não deu tempo de terminar: os trabalhos na faculdade me ocuparam boa parte do tempo, e acabei esquecendo, e me enveredando por outros gêneros (livros técnicos de informática e Design). Mas posso dizer que Crime e Castigo anda! O bicho é muito bom, e espero poder terminá-lo um dia.
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Bom, não li Harry Potter 6, só uma edição toscamente traduzida por um fórum no Orkut até o capítulo 16. Tudo o que sei é o que li até aí, e o que meu primo Pottermaníaco me contou. Por isso, ainda tenho um forte sentimento por Dumbledore, e não sei como a história caminhou neste livro.
Cada um com seus gostos. Eu AMO Smallville! Você prefere o Homem Aranha - pelo que percebi nas suas outras postagens. Pra mim, Homem Aranha, no máximo, entretém.
Tudo o que li do Guia do Mochileiro, versão telona, não me animou muito a assisti-lo, mas o livro é BÓTIMO, com o refinado humor inglês do Douglas Adams, tiradas sensacionalmente inteligentes, mas infelismente, esta perda fatal no 4º livro: o [editado]…
Andrei
02 Fev, às 19:36
Vejo que anda lendo muito esses livros, e a simplicidade saindo dos seus textos(intrínseco, depois procurarei no dicionario).
A situação da leitura aqui no Brasil, tá tão ruim, que até esses que lem HQs deveriam ser vangloriar, pois é raro ver alguém que goste de ler.
Faby
02 Fev, às 20:07
A sim, claro! Batman apavora!! Pelo menos neste quesito, nossos gostos coincidem
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Foi péssimo eu ter escrito no comentário anterior infeliSmente… Ah! Tinha esquecido que bocê estava moderando os comentários, por isso foi um depois do outro com quase o mesmo onteúdo.
Raquel
04 Fev, às 13:58
as vezes as coisas também sõa uma questão de teimosia. eu já tive que recoemçar uma dez vezes um livro para entender.
beijos
Vinicius Silva
04 Fev, às 14:40
“Assim falou Zaratrusta” é difícil mesmo, a primeira vez que eu parei pra ler desisti. Não é do tipo de livro que dá pra ler no onibus, na correria do dia-a-dia, pegar 10 minutos no transito e avançar algumas páginas.
josephine
06 Fev, às 20:46
eu gosto mesmo é d código da vinci
=D
Caio Andrade
07 Fev, às 20:29
Acredito que um enredo pode ser complexo, e cheio de tramas sem ser chato ou complicado…
Um forte exemplo disso é a série 24 Horas, lotada de tramas, mas que deixa o telespectador sempre a par de tudo, fácil de entender…
Acredite, ou não, a alma de um enredo é uma complexibilidade simples!
Um abraço
Ulisses
08 Fev, às 08:03
Realmente Descartes é muito chato de ser lido.Quanto a Nietzsche, o Zaratustra é relamente enigmático, nebuloso.Creio que seja a última leitura so autor a ser feita.Se puder, leia “Ecce Hommo” do mesmo autor. Nessa obra ele faz um retrospecto de seu pensamento e fala em linguagem simples, bem “humana” mesmo.Acho que é a melhor obra para começar a ler de Nietzsche, embora seja das últimas escritas.
Acho também discutível a necessidade de ler tantos autores, principalmente clássicos.Quando eu fazia graduação em Filosofia, detestava essa imposição de “ser culto”, de ler toda a lista obrigatória dos chamados livros indispensáveis para se tornar uma pessoa culta. Me neguei a ler muitos deles, mas por outro lado me aprofundei nos que me tocaram, pelos quais tive afinidade. Fiz a opção por conhecer tudo de um pouco a conhecer um pouco de tudo…Por isso, não me tornei um academico.
Lu
09 Fev, às 16:07
Eu leio de tudo, tudo mesmo. Agora, se o livro me parece tedioso ou complexo demais, pouco me importa se é clássico ou não, simplesmente procuro outro. Tanta coisa interessante esperando pra ser lida!
Acácia
23 Mar, às 23:29
Olha li o livro de Dam Brow q foi sitado Anjos e Demônios, gostei é um livro longo mas muito interessante. Vale a pena é dificil chegar no fim mas consegui e gostei do final.Sugiro q seja menos narcizista viu.
Boa noite!!
Claures
28 Jan, às 05:23
hummmmm!
eu li assim falava zaratustra francamente o cara era louco!….
rafael
03 Mai, às 02:10
Já li duas vezes “Assim falou Zaratrusta” e não consigo prosseguir da parte III… Talvez a dificuldade esteja no estilo bÃblico, porém consegui absorver algumas idéias. Nietzsche é claramente contra aqueles velhos preceitos religiosos de conformismo, que contribuem para a manipulação das massas. E assim ele atua como uma fonte de luminosa para o despertar de uma nova sociedade composta pelo super-homem, ou seja, aquele que é totalmente racional a ponto de abolir totalmente os conceitos superficiais guiados pela emoção.
ps: Atualmente estou lendo “A Era das Revoluções” de Eric J Hobsbawn e pretendo adquirir Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens (Rousseau).