Metamorfose
Não, este texto não é sobre o clássico de Franz Kafka (que, por sinal, ainda não li). Pretendo discorrer sobre a metamorfose pela qual passamos, todos nós, todos os dias, consciente ou inconscientemente. Já comentei algo sobre este assunto no primeiro post deste blog, e agora volto a tratar, com mais detalhamento, do mesmo.
Por vezes chega a ser assustadora a velocidade com que mudamos. Exemplo claro disso é aquela música que, há alguns anos, era a favorita, mas que hoje é simplesmente insuportável. Uma traição ao seu próprio bom gosto? Não. Acredito que seja o aperfeiçoamento dos sentidos. Isso vale para todos os campos, não só no da música. Um filme, um jogo, um passatempo, uma pessoa… Diariamente moldamos nossa visão em relação ao mundo, e nessa, fazemos automaticamente um processo constante de seleção.
Influenciam neste processo as novidades. E são elas, também, que explicam essas mudanças em nosso ser. Afinal, se todos ficassem atados a determinadas coisas, e jamais se deixassem levar, ou em outras palavras, se jamais apreciassem o novo, que motivo este teria em vir ao mundo? Ao nos depararmos com o novo, todo o conjunto de sensações que temos acerca de coisas antigas semelhantes ao novo é posto em xeque. Neste exato momento concretiza-se a seleção autônoma: nosso subconsciente opta por um dos dois (novo ou velhos), ou, em alguns casos, agrega o novo aos velhos. Passar por essas experiências gera bagagem, conteúdo, e é essencial para o desenvolvimento como ser humano.
De certo que há certas opiniões que são pétreas, irretocáveis. E não por acaso, em termos culturais geralmente estão ligadas a grandes obras da humanidade. Há alguém que, hoje em dia, seja fã das músicas do Tiririca? E de Bach, ou Beethoven? A qualidade de algo é evidenciada pelo tempo. Quanto mais algo resiste a ele, maior a sua qualidade, e menos suscetível é aos “xeques” citados no parágrafo anterior.
Em suma, o que quero passar neste texto é que nós, pessoas, somos seres dinâmicos, em constante evolução, evolução esta que, embora pareça andar a passos lentos, acontece muito rapidamente, de maneira frenética. Ratificando o que foi dito acima, certos pontos, como algumas preferências culturais, determinados aspectos do caráter e princípios, dificilmente se alteram, e são esses detalhes que moldam a essência da pessoa. Analogamente ao Direito, esses termos inalteráveis seriam o principal, e o que evolui, o que se altera, acessórios. Lembrando que o acessório sempre segue o principal, e é dispensável. Ou seja, independente dos seus gostos e particularidades, seja você mesmo, e de preferência, seja bom.
Neste dia, em anos anteriores...
- Read my mind (2008)
Selph
23 Fev, às 11:47
Eu por exemplo, ADORAVA Legião Urbana, e hj em dia eles me parecem simplesmente apresentáveis. Além do dinamismo existe tmb a diversidade que coisas boas.
rafael fermiano
23 Fev, às 15:37
há alguem que “já foi” fã do tiririca?
O gosto pelas coisas não tem a ver com o modismo. “A qualidade de algo é evidenciada pelo tempo” …exatamente.
Não me lembro de algo que eu tenha gostado e seja ruim hoje. Simplesmente ao agregar conhecimentos deixei de buscar tal coisa e passei a procurar novas.
É tudo como uma droga, primeiro a maconha te satisfaz, depois nada mais fraco que cocaina vai dar o “grau”
Luiz Guilherme
24 Fev, às 01:47
Exemplo disso é aquela música da festa no apê, fez um estrondoso sucesso e hoje simplesmente sumuiu das paradas de sucesso, e a ”praça é nossa” eu achava esse programa hilário e imperdível, hoje em dia acho sem graça e insuportável, resumindo quantos e quantos programas(tem suas exceções como o castelo rá-tim-bum) músicas ou manias fizeram grande sucesso no passado e hoje não causa impacto com a mesma intensidade,ínumeras teses foram brinlhantes e revolucionárias no passado e anos mais tarde foram derrubadas por teses mais desenvolvidas, é esse dinamismo que dá um sentindo para continuar a viver e evoluir, senão seríamos seres sem cultura e conteúdo.
Rodrigo, continue assim, a publicar artigos legais, sem conteúdo de baixo calão, continue a fazer a diferença, pois a internet já está cheia de ”ratos” que publicam blogs inúteis que servem apenas pra tomar espaço, espero manter contato com você por e-mail ou através do msn, um abraço.
Carlos Aquino
24 Fev, às 11:24
Gosto é igual bicicleta : uns tem…outros não !
Maitê
24 Fev, às 22:38
Mudar é importante… Senão a vida seria um saco…
Patrícia
01 Mar, às 02:09
Cada época tem seus modismos, e mesmo lutando contra isso, nossos gostos geralmente sao influenciados.
Há coisas que eu amava a cinco anos que hoje simplEsmente detesto.
Assim como vamos amadurecendo com o passar dos anos, vamos aperfeiçoando nossas preferências.
Isabela
04 Mar, às 12:56
é como aquela frase que é mais ou menos assim “A única coisa que nunca muda é o fato de tudo mudar!”.
=**
Menina-Prodígio
12 Mar, às 16:17
E quando isso contece com pessoas, Rodrigo?
Dói tanto…