Uma velha e sábia frase diz que o homem não é uma ilha. Trocando em miúdos, essa frase diz, metaforicamente, que ninguém vive isolado. No mundo contemporâneo, ir contra essa frase é quase uma missão impossível: mais de seis bilhões de pessoas povoam a Terra, e as formas de se comunicar são incontáveis.
A básica, e acredito mais utilizada, é a fala. Aliás, deve ser esta, também, a mais antiga: se os documentários da BBC tansmitidos no Fantástico estiverem corretos, desde os primórdios nossos antepassados se comunicavam através de grunhidos, que em todo caso, são sons que provêm da boca, logo, se não forem, podem ser equiparados à fala. Falar é bom, porém exige um certo treinamento. Há alguns anos, travava ao exercer a fala com pessoas que não figurassem meu círculo de amizade. Isso era terrível… Enfim, consegui melhorar um pouco, mas ainda peco em alguns pontos, que, espero, consiga aperfeiçoar com o decorrer dos anos. A fala ainda se desmembra nos meios de comunicação, como o telefone, por exemplo. Interessante como essa leve alteração pode vir a ser tão crucial no exercício dela… A falta de contato visual, de ter a reação do interlocutor em tempo real, meio que me aflige. Sou péssimo ao telefone.
A escrita me agrada imensamente. Nela a comunicação flui plenamente, e aspectos subjetivos, como voz desagradável, ou problemas de dicção, se esvaem. Paralelamente, exige-se mais do conhecimento do que da habilidade de se comunicar, e é aí que vejo a grande vantagem da escrita: expõe, de forma crua, as reais capacidades intelectuais de cada um. Evidente que não se pode determinar o potencial das pessoas simplesmente com base na sua capacidade de escrita, mas que este é um bom ponto de partida para tal, isso é. Fora as vantagens já mencionadas, na escrita tenho toda a calma do mundo para pensar, repensar, retificar erros, enfim, fazer uma análise crítica e rígida sobre o que quero passar para os demais. As possibilidades de erros e gafes caem drasticamente (embora ainda existam).
Instigante, interessante e obscura… Esta é a linguagem corpórea, gestual. Pende muito para o sentimentalismo, e talvez por isso mereça os adjetivos descritos no início deste parágrafo. Um olhar, um sinal, um gesto aparentemente bobo, inocente, mas que, dependendo das circunstâncias em que se dá, e de quem ele vem, é profundo. Fala mais que mil palavras. Aqui confesso uma certa debilidade, talvez não no fazer gestos, mas no compreender. Ou melhor, não é no compreender, mas na incerteza - será que ela quer dizer isso mesmo?. Mas enfim, acredito eu que isso faça parte da mística que permeia a linguagem gestual.
Comunicar-se é uma atividade corriqueira, que todos nós fazemos, todos os dias, mas que ainda assim, merece atenção especial. O que é, em regra, simples, pode vir a ser uma arte, a arte de se comunicar. Quem não fica fascinado com um palestrante que consegue envolver a platéia, e passar, de maneira leve e quase subliminar, a sua mensagem? Ou então, quem não fica espantado com uma declaração, vinda de quem menos se espera, e de maneira tão bem arranjada que chega a ser desconcertante? São inúmeras as possibilidades, e elas só existem, felizmente, porque o homem não é uma ilha.
15 comentários até agora ↓
1 Mateus Souza // 17 Mar, 2006, às 10:57 am
Levantou um ponto legal, Rodrigo! Eu mesmo conheço muitas pessoas que, pela escrita, se comunicam perfeitamente; agora quando se trata da fala, são outros 500 (não que este seja seu caso, por favor!).
Admito que não sou dos melhores quando se trata de escrever, não tanto quanto você ou outros donos de blogs que conheço por aí. Mas falando-se sobre comunicação por fala, nessa eu me saio bem! E sim, eu aprecio muito um palestrante que sabe ludibriar (acertei essa palavra?) a platéia com sua comunicação, tanto que tenho muitos deles e profissionais que dão treinamento em RH como, digamos assim, meta. Tenha como exemplo grandes nomes que apareceram no decorrer da história e que, através da fala, moveram multidões. Abraham Lincoln, Gandhi, até mesmo Hitler e, claro, Jesus Cristo! Incontestávelmente estas foram umas das pessoas que melhor usaram dos artifícios das palavras. Os livros falando sobre eles são inúmeros. Caso queira se empenhar nisso, em melhorar sua fala, posso-lhe recomendar um autor que entende um tanto BOM do assunto. Pesquise sobre o autor Dale Carnegie. Eles escreveu três livros maravilhosos sobre treinamento em RH onde um deles se chama COMO FALAR EM PÚBLICO E INFLUENIAR PESSOAS NO MUNDO DOS NEGÓCIOS. Parece um livro de auto-ajuda, mas não se deixe enganar. É uma ótima leitura.
No mais, continue assim com seus posts! É sempre um prazer aparecer aqui e ver textos ótimo de se ler.
2 Selph // 17 Mar, 2006, às 8:36 pm
Continuo acreditando que somos ilhas, mas que precisamos viver em arquipelagos.
3 Patrícia // 17 Mar, 2006, às 9:10 pm
Também acho que a comunicação, não importa a forma, é essencial para qualquer pessoa. Sem dúvida nenhuma a que mais me agrada é a fala. Adoro conversar, debater, discutir…
O homem não foi feito pra ficar sozinho e, logicamente, a comunicação é a chave para um bom convivio social.
4 Rondy // 17 Mar, 2006, às 10:22 pm
Belo texto, parabéns. Somos PATETICAMENTE iguais.
5 Luiz Guilherme // 18 Mar, 2006, às 2:10 am
Falar sobre comunicação é como contar os grãos de areia de uma praia; estou estudando sobre isso e sei qua é um assunto vasto, porém posso destacar alguns pontos como, o homem é o único ser que desenvolveu a linguagem, e outro, sem a linguagem não existiria tradições e cultura etc.. é um ato considerado simples, mas quando nos apronfundamos, temos a oportunidade de ver que a realidade é outra; quebrando um pouco o gelo, naturalmente as mulheres falam mais que os homens, enquanto o homem se concentra, separa as sílabas, faz a correção gramatical, faz um resumo e pensa no qua vai falar, a mulher faz todos esses processos falando.
Parabéns pelo artigo, um abraço.
6 rafael fermiano // 18 Mar, 2006, às 6:39 pm
o selph disse tudo…
7 Isabela // 21 Mar, 2006, às 12:36 am
Rodo você é foda!! Cada vez mais me impressiono com seus textos!! Eu adorei esse tema que vocÊ abordou, é muito sua cara, eu vou lendo e é como se você estivesse me contando isso, assim sabe pessoalemente de um jeito calma, assim do seu jeitinho!!
Bom eu discorod de você no ponto do telefone, eu adorooooooooooooooo falar no telefone, chega a um ponto de eu te rpessoas que eu converso mais por telefone do que pessoalmente ou por falta de oportunidade de se encontrar, ou por fata de coragem (essa palavra soa muito forte mais é quase isso, e eu não encontrei a adequada!) de conversar “tudo” pessoalemente!
Nossa quanto a liguagem gestual, sem comentários quando se trata do olhar, eu acho nossa uma das coisas mais fascinantes aquele olhar que diz tudo sabe e que por mais tapado que você seja você consegue compreender. (bom eu conheço alguém assim, mas não posso te dizer devido a promessa que tefiz!!)
Mas de todas que você citou talvez a que eu menos prefira seja a escrita. Não que chegue ao ponto de eu não gostar sabe, mas talvez seja a mais “artificial”, porque você tem seu tempo de pensar, escreve, le, rele, le de novo, conserta seus erros, acrescenta o que está faltando. Não sei, eu gosto das coisas mais assim do impulso, de você dizer o que vem a cabeça, não sei direito! x)
Bom pensando sobre o que eu escrevi, eu imagino que tenha ficado meio confuso. Mas o que deu eu perceber bem é que, realmente, eu não me encaixo nessas pessoas com “reais capacidades intelectuais”…
bibaaaaaaaaaaaaaaa
=****
8 Tuca // 21 Mar, 2006, às 9:08 am
Comunicar-se bem é condicionamento. Da escrita à fala, a pessoa só não evolui se não quiser. Quem sempre foge do desafio de encarar um público, de forma alguma se tornará um bom orador. Quem tem vergonha de não escrever feito um Machado de Assis, nunca arriscando uns rascunhos, jamais exibirá textos perto do razoável. Moral da história: quem for cara-de-pau, se comunica. Quem não, se estrumbica.
9 Amayah // 21 Mar, 2006, às 4:50 pm
Gostei do seu blog…muito organizado, gostei tb da maneira como vc escreve…passarei por aki sempre q estiver On…Um abraço…
10 Amauri Martineli // 21 Mar, 2006, às 5:57 pm
Rodrigo, é a primeira vez que entro aqui e gostei muito. Muitas informações interessantes e ótimos textos. Vou passar por aqui mais vezes. Parabéns e um abração.
A propósito tenho “A Metamorfose” e, no mesmo livro, “Um Artista da Fome” de Franz Kafka. Está à sua disposição.
11 josephine // 24 Mar, 2006, às 11:00 pm
acabei d deixar um post enorme e desconfio q um problema o engoliu. =/
q seja, o título me lembra um livro onônimo de um belga q esqueci o nome (é com S, sehen, seggen, seggel, siffel, sei lá), e que é muito bom. é romance, mas vale muito a pena.
o resto fiquei com preguiça d escrever d novo =]
12 josephine // 24 Mar, 2006, às 11:00 pm
detalhe: o nome do livro é ninguém é uma ilha.
13 Daniel Bernardinelli // 08 Jul, 2006, às 10:20 pm
vc já leu “Assim falava Zaratustra” de Friedrich Wilhelm NIETZSCHE ?!
14 wanderson // 12 Feb, 2007, às 1:21 pm
muito bom esse tema
15 Gabriela // 25 Jun, 2008, às 10:48 am
Realmente a comunicação foi e sempre vai ser essencial nas nossas vidas muito interessante o seu texto…
Parabésn!!!!!!!!!!
Beijos
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