Lembro que, no Ensino Médio, um assunto recorrente nas conversas com amigos, principalmente no terceirão, era o futuro. O a curto prazo era mais comum, e envolvia trabalho e faculdade; mas o a longo prazo, embora mais raro, também existia.
Numa das poucas conversas sobre o futuro distante, com meu grande amigo Andreison, ele dizia que, não importasse o que fizesse, não queria terminar trabalhando todos os dias num escritório, das oito às seis, fazendo serviço burocrático. Em suma, ter um trabalho enfadonho, repetitivo. Eu, defendia o contrário. Dizia que, ganhando bem, a rotina maçante não atrapalharia, pelo contrário, poderia vir a ser uma aliada, facilitando as coisas para mim. Idéias opostas, mas com um fim bem definido: estabilidade financeira e qualidade de vida.
Ainda hoje, e talvez até mais que antigamente, a palavra incerteza me dá calafrios. Talvez isso justifique minha antipatia para com o trabalho aventureiro. Mas, neste mesmo período, algumas passagens e experiências modificaram minha visão sobre o burocrático/enfadonho: fazer a mesma coisa, todos os dias, e ainda como subordinado, deve ser o inferno na Terra. Logo, hoje, acredito ser o melhor o meio termo entre as duas situações, ou seja, ter liberdade com segurança, ou segurança com liberdade, tanto faz. Algo difícil, vale citar, mas ainda assim, o ideal.
Três anos já se passaram desde o término do Ensino Médio, e hoje recordo com um misto de nostalgia e frustração aquelas conversas com os amigos. Nostalgia por relembrar bons tempos, que infelizmente não voltam mais… E frustração por ver que, embora ainda novo e com uma boa vantagem no tocante ao tempo, trilhei caminhos equivocados após a escola. Valeram pela experiência, mas poderiam ter sido muito mais produtivos, úteis. Algumas escolhas que fiz, em especial sobre qual curso superior fazer, também foram equivocadas, e hoje colho os amargos frutos daquelas sementes duvidosas plantadas no passado.
Antes que eu perca o fio da meada, voltemos ao futuro profissional. Hoje o vejo como uma nuvem negra, com uma grande interrogação no meio. Não tenho idéia do que estarei fazendo daqui a cinco, dez anos… Acho que a única certeza que tenho, é que o diploma de Direito será um belo enfeite para a sala, ou o escritório. E com direito a moldura.
Neste dia, em outros anos...
- Filho da mãe! (2007)
11 comentários até agora ↓
1 Mateus // 26 Apr, 2006, às 7:04 pm
Eita… bem vindo ao clube, Rodrigo.
Há pouco tempo comecei a estagiar no RH de uma grande multinacional que temos aqui em minha cidade. O maior atrativo que ela mostrava, e que me fez decidir que era lá que queria estagiar, foi a bolsa (salário).
Pensar em todas as coisas que poderia fazer com TAMANHA grana, me encobria qualquer sombra de dúvidas. Hoje, vejo que não é bem assim.
O ambiente de trabalho é gostoso. O pessoal é legal e eu certamente não poderia pedir por mais, mas agora vem o porém. Já nos primeiros dias, fui percebendo que RH é, além do mais burocrático, o mais rotineiro setor de qualquer empresa que possa existir. Cara, isso não é pra mim.
Minha vida inteira cresci livre. Ninguém saberia onde me encontrar em tal dia, a menos que eu disesse, pra demonstrar o tamanho da minha falta de rotina. Hoje, apenas disque meu ramal e eu estarei ali, 5 dias por semanam, 220 horas ao mês, sentado na frente do computador, exercitando minha LER e destruindo minha visão a longo prazo na frente de um computador.
Eu não saberia dizer onde estaria nos próximos 10 minutos da minha vida. Hoje, certas vezes sinto que saberei dizer onde estarei daqui 10 anos. Deplorável, não?
Quer um conselho? Dizendo por experiência própria: não se deixe atrair pelo dinheiro. Se você acha que Direito não é seu curso, MUDE! Somos jovens ainda. Tenho a sua idade. Se me encontrasse na mesma situação que você, não pensaria duas vezes. Sei como é o sentimento.
Abraços,
Mateus
2 rafael fermiano // 27 Apr, 2006, às 11:23 am
Vi uma pesquisa que diz que crianças que tem uma visão mais ampla do seu futuro (onde, como, e com quem quer estar) se dá melhor na vida. Deixando para trás crianças que são consideradas super-dotadas. Logo, eu enquanto nerd do ensino fundamental e medio, porém sem grandes planos, vou me contentar com o serviço de pedreiro…
3 Karina // 27 Apr, 2006, às 1:47 pm
Desista do Direito. Ainda dá tempo!
4 Selph // 27 Apr, 2006, às 4:21 pm
Acredito que a chave de tudo está na prestação de serviços. Está mais que provado que países com mais industrias estão economicamente atrasados em relação a países que tem mais prestadores de serviços ou campo de trabalho nessa area. Tudo devido ao fato dela movimentar mais dinheiro.
Pegando esse fato e passando pra micro realidade de cada um, temos a perspectiva de saber que nem sempre ter um com cargo numa empresa ou escritorio seja a melhor solução. Muitas vezes o seu talento individual dá melhores frutos. E olha que pode ser que vc nem venha a utilizar a formação em Direito. Talvez tu acabes muito com utilizando teus conhecimentos em Informática.
[]´s
5 duard - Carlos Aquino // 28 Apr, 2006, às 2:58 pm
Tenho uma porção de amigos que com mais de 22 anos nunca trabalharam na vida, e estão estudando para terem seus diplominhas.
Na área que você escolheu Rodrigo, imagino que um estágio, e mais alguns pulos…resolva o problema da experiência.
Eu trabalho desde os 17 anos, como programador desde os 18. Comecei das 12hrs às 18hrs e hoje das 9:00 às 18hrs com uma horinha de almoço…sim, é entediante.
Resumindo : Todos seremos escravos assalariados.
6 duard - Carlos Aquino // 28 Apr, 2006, às 2:59 pm
Há…concordo com a Karina ! Direito…FEDE !
7 Rodrigo // 29 Apr, 2006, às 11:06 am
Acho que para tudo na vida há seu tempo. Nao há gloria sem sacrificio. Nenhum ser humano em perfeito juizo gostaria de dedicar a metade de sua vida sentado atras de uma mesa executando tarefas que de tao repetitivas poderiam ser programadas para um robö. Acho que temos que esforcarmos para conquistar nuestros objetivos e mais adiante podermos ser donos de nossos proprios narizes. Um trabalho de rotina mas com um bom salario abre as portas para que mais adiante voce possa ter seu proprio negocio. Afinal como ja disse antes… Nao há gloria sem sacrificio. Rodrigo Hendges… Santa Cruz de la Sierra - Bolivia
8 Faby // 29 Apr, 2006, às 1:17 pm
Direto FEDE! Isso aí!
————
Eu ia fazer Direito, mas parei pra pensar e… Credo! Hoje, faço Design Visual (ou Desenho Industrial - habilitação em Programação Visual, como preferir) e quero viver de multimídia: web, vídeo, cinema…
A gente ganha pouco no início, não temos nosso valor reconhecido - principalmente quem trabalha com Web -, mas eu acho que vale a pena.
Melhor que passar a vida trancada num escritório. Podre!
9 mlle.pastèque // 29 Apr, 2006, às 11:19 pm
eu comecei a ler e achei que fosse algo realmente preocupante. mas vc faz direito, tem um super futuro pela frente. e mesmo que esteja insatisfeiro, nunca é tarde demais pra mudar de área e procurar algo que melhor se aplique. eu, pelo contrário, não tenho indecisão nenhuma, e sei de uma coisa com certeza: eu não sirvo pra nada. estou fazendo uma faculdade que eu não gosto, e que eu sei que não vai me levar a lugar nenhum, por simples falta de opção. anyway, boa sorte nas suas escolhas e no seu futuro. ok?
[]’s
10 Tuca // 02 May, 2006, às 1:17 am
Incerteza é comum, todos nós temos. Alguns admitem, como você, o que é muito bom. Outros, colocam uma máscara e, através de exercícios aprendidos em manuais e palestras de auto-ajuda, dizem que têm exatamente aquilo que querem, até sofrerem o primeiro enfarte ou derrame por causa de angústia reprimida.
Então, questionar é bom, por motivar um exercício de sinceridade consigo mesmo. Se vier atitude depois, melhor ainda.
[]’s
11 rafaela // 27 May, 2006, às 4:21 pm
Sempre quis fazer direito, sonhava em ser juíza. Quando cheguei no segundo semestre vi que aquilo não era para mim. Mudei e hoje estou formada em odonto. Você é novo, também pode mudar, antes que seja tarde e depois se arrependa.
Beijos, pense bem.
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