A paralisação dos agricultores

17 Mai, 10:12     Papo cabeça

Está positivado na nossa Constituição, no inciso XV, do artigo 5�, o direito à livre locomoção, em tempo de paz, dentro do território nacional. Tal artigo, que elenca as garantias fundamentais, que por sua vez são direitos que todo brasileiro tem, está sendo ferido pelos agricultores, que, insatisfeitos com a situação em que se encontram, desde a semana passada vêm bloqueando rodovias em determinados horários, principalmente aqui no Paraná. Ontem, o bloqueio passou a ser geral, e incluiu os bancos. Até que ponto eles têm razão?

Os agricultores alegam que as dívidas estão insuportáveis, e que o preço do dólar é irrisório para fins de exportação. Pedem que o Governo renegocie as dívidas, e atue a fim de elevar o preço da moeda americana. Para tentar atingir seus objetivos, praticamente pararam um estado inteiro, o paranaense, berço de toda essa bagunça. Não lhes tiro a razão, afinal, trabalhar por (quase) nada é complicado, porém, não concordo com a forma de protesto. Isso afeta diretamente todas as áreas da economia, cria dificuldades para os habitantes, e faz nascer um certo repúdio por parte da população em relação aos agricultores e sua causa. Façam de outra maneira. Qual? Sinceramente não sei; sou contrário a greves e paralisações como esta. Na minha ótica, não é criando novos problemas que se resolvem os antigos.

Ontem ocorreu uma reunião em Brasília, onde participaram o presidente, ministros da agricultura e da fazenda, nove governadores e três representantes de estado. O Governo Federal admitiu a possibilidade de renegociar dívidas, mas foi taxativo ao dizer que não irá interferir no câmbio. Informou, também, que criará novas medidas emergenciais para amenizar a crise, já que as que foram tomadas até o momento não surtiram o efeito desejado.

Hoje, Paranavaí, cidade onde moro, está estranha. O centro da cidade, que não é dos mais movimentados, está mais vazio que o normal. Os bancos, que aqui ficam todos próximos uns dos outros, são visíveis de longe, graças aos tratores que bloqueiam suas respectivas entradas. Nem mesmo funcionários estão conseguindo entrar nas agências, quiçá usuários. A desinformação reina entre eles… Perguntei a um dos manifestantes qual tinha sido o resultado da reunião de ontem, em Brasília, esta que está explicada no parágrafo anterior, e o mesmo disse que não tinha idéia. Não sei se tal ignorância é geral, mas informação é um requisito mínimo para alguém que chega ao cúmulo de impedir o sagrado direito de ir e vir de outrem.

Reforçando o que já foi dito, concordo que a situação para eles está difícil, mas discordo absolutamente da forma de protesto. Imagine se toda dificuldade fosse motivo para atitudes semelhantes? O que nos resta fazer é sentar e esperar. Como sempre.

Neste dia, em anos anteriores...

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9 Comentários

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  1. rafael fermiano
    17 Mai, às 13:27

    O mais interessantes é o fato que os agricultores reclamavam a rolé quando o câmbio era regido pelo Governo, e “forçavam” a mudança para um câmbio flexivel, que veio em 1999.
    Liberaram o câmbio, o dólar foi lá em cima, e eles fizeram a festa. Torravam dinheiro em mercedes e bmw’s, (quase)ninguém fez investimentos em armazenagem(o que lhes daria tempo para esperar os preços aumentarem), nem se prepararam para uma possivel desvalorização do câmbio. Agora o câmbio está livre, livrinho, a mão invisivel de adam smith que o detem, e quem nao aguentar vai ser eliminado como na “a origem das espécies” (darwin).


  2. carol monteiro
    17 Mai, às 16:24

    é rodo
    eu falei isso ontem
    “o direito de alguém termina onde começa o do outro”
    e é a pura verdade
    protestar tudo bem, agora achar que sao donos das estradas, bancos, etc, e impedir a passagem dos outros??
    aiai
    e nós, vamos fazer o que??


  3. Patrícia
    18 Mai, às 00:28

    Que os agricultores tem razão em lutar por seus direitos, isto é inquestionável, porém a forma usada por eles está atrapalhando a vida normal de muitas pessoas.
    Em um país como o Brasil, é dificil fazer valer seus direitos sem “chamar a atenção” dessa maneira. Eu sinceramente não sei o que é certo ou errado nessa história! Só sei que quanto antes isto tiver fim, melhor será para ambos os lados.


  4. Natália
    18 Mai, às 15:17

    Pra quem não está passando o que eles estão, é fácil falar que a greve atrapalha. Mas nem quem “fez investimentos em armazenagem”, como diz o Rafa, tem dinheiro pra continuar investindo. Concordo que atrapalha a vida de um monte de gente. Mas nao vai atrapalhar mais se a crise aumentar? E mais, tem outra forma de chamar a atenção do governo? Nem assim existe garantia de que alguem vai fazer alguma coisa.
    Besteira do governo, porque se a crise aumenta a economia do pais já era.


  5. Dériqui
    24 Mai, às 22:30

    Concordo com a Natália. Precisam chamar a atenção do governo, de maneira que eles façam algo. Se fosse assim, as Universidades também precisariam entrar em greve e acabar com o ano letivo dos alunos, se não fosse uma medida necessária, que é apoiada inclusive pelos próprios alunos na sua grande maioria


  6. Estanislau
    01 Jun, às 20:17

    Rodrigo se o agricultor parase de produzir eu acho que q seria a medida + sensata que poderia ser tomada não é? Ai o direito de ir vir ficaria do geito que vc gosta não é mesmo? e mesa dos brasileiro como ficaria?


  7. Oity
    04 Jun, às 12:16

    COMO NASCE UM PARADIGMA

    Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.
    Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.
    Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.
    Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.
    Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato.
    Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foram substituídos.
    Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…”
    Não deves perder a oportunidade de passar esta história para os teus amigos, para que, de vez em quando, se questionem porque fazem algumas coisas sem pensar…

    “É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO”
    É isso Tá Oity

    Se tá certo Rodrigo . Trabalho com produtores a 40 anos e safadeza nunca faltou.


  8. Keila Schneider
    26 Set, às 14:11

    Eu estudo em uma faculdade de letras e me pedirão para fazer um portifólio onde eu nunca fiz. Por favor me ajudem a fazer este portifólio pois estou em apuros.
    Desde já obrigado!
    Keila


  9. Igor Erneste
    26 Mar, às 15:51

    Errata!

    “Paralisação” escreve-se com “S” e não com “Z”…

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