Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?

Por mais que os movimentos feministas preguem a igualdade entre os sexos, e por mais que as mulheres, movidas ou não por este instinto igualitário, estejam no mesmo nível dos homens atualmente em vários lugares, a verdade é que, bem ou mal, somos diferentes. É isto que o livro Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?, de Allan e Barbara Pease, diz, tentando ser bem humorado, e embasado em “muitas pesquisas”. Apesar de algumas redundâncias, partes enfadonhas, sem sentido, e até chatas, algumas se salvam e são deveras interessantes.

Por que os homens... ah, você sabe :PConfesso que, quando li o título e vi o livro, a impressão que tive foi a de que ele tratava única e exclusivamente da cópula entre homem e mulher. Ledo engano… O assunto que previra ser predominante está restrito a apenas um capítulo (o nono). Os demais mostram diferenças em outros campos, algumas óbvias, outras reais, mas pouco percebidas, e outras sem cabimento. Como os próprios autores alertam no início, os resultados publicados ali levam em conta a média. Algumas passagens fazem muito sentido, e é comum, durante a leitura, ter algumas sensações de surpresa (“não é que é assim mesmo!?”).

Tudo está no cérebro. Todas as diferenças se dão em virtude da estrutura do cérebro, diferente entre homens e mulheres. Eles (os autores) dizem, ainda, que muitas das nossas condutas são resquícios da vida nas cavernas, dos nossos ancestrais. O homem é um caçador-maníaco-sexual; naquela época, tinha três objetivos na vida: caçar, proteger a prole, e disseminar seu sêmen entre o maior número de fêmeas possível. Já a mulher é uma chocadeira; tinha dois objetivos: dar à luz o maior número de bebês possível, e criar a prole. O engraçado (e, por vezes, estranho) é que os autores transportam estes perfis para a vida moderna!

Um capítulo que me chamou muito a atenção é o que diz respeito aos hormônios. No princípio, somos todos mulheres (XX). Então, caso o feto receba o gene Y (ou algo parecido com isso, virando XY), se torna homem. Vejam que legal: todos, até os machões cuecões de couro, já foram moçoilas quando nascituros! É culpa dos hormônios, também, o homossexualismo, mais comum entre os homens, já que, antes de serem homens (?), eles eram mulheres, e seus cérebros assim continuaram por falta de hormônio masculino durante a gestação. Ou seja, é defendida a teoria de que homossexualismo não é opção, mas sim característica biológica.

Há um teste onde, mediante as respostas a uma série de perguntas, com base nas quais é feito um cálculo, mostra-se o quão masculino ou feminino é seu cérebro. Considera-se masculino quem consegue fazer de zero a cento e cinqüenta pontos (quanto menor o valor, mais macho); entre cento e cinqüenta e cento e oitenta, estão os indecisos… Ou melhor, os que têm algumas características do sexo oposto, o que não significa serem homossexuais; de cento e oitenta para cima, é a feminilidade em pessoa.

Fiquei mais conformado ao descobrir que algumas manias femininas que considero irritantes são naturais, como o excesso de fala, e a capacidade de manter diálogos simultâneos com mais de três pessoas. Identifiquei-me com algumas características masculinas, como a noção espacial e o falar pouco (analogicamente ao homem das cavernas, ficar “olhando a fogueira”).

Enfim, não é um primor de livro, mas informa e até diverte, principalmente a partir do capítulo sete. Se estiver à toa e procurando alguma coisa para se distrair, vá fundo.

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