O problema do Brasil é o (excesso de) brasileiro

Raramente abordo assuntos polêmicos, politizados, ou que leve qualquer alcunha do tipo. Assuntos daqueles que, quando a gente lê o título, é remetido a um prognóstico dos piores possíveis. “Lá vem mais um texto chato, de um pseudo-intelectual de m*rda”. Porém, a problemática do nosso país, falando da forma mais genérica possível, é uma constante na vida de todos que, ainda que minimamente, se importam com o Brasil. Nem se quiséssemos escaparíamos do bombardeio de alardes e problemas que recebemos todos os dias, via meios de comunicação. É tanta podridão, tanta coisa errada, tanto a ser melhorado, que às vezes não é pecado parar e pensar: “é, não tem mais jeito…”.

Neste texto, pretendo ser pretencioso. É um assunto delicado, e eu, na minha ignorância ante a grandeza da pauta, me limitarei a expor o que penso sobre tudo isso. Pode ser que escreva muita besteira, ao mesmo passo que, e espero que assim seja, pode ser que escreva algo relevante, que faça sentido.

Há algumas áreas básicas que todo candidato a cargo público se compromete a trabalhar. Saúde, educação, segurança, só para citar algumas. O caminho das pedras, a meu ver, é o controle de natalidade. Seria uma solução a longo prazo, mas que teria eficácia certa, desde que se investisse, logo em seguida, em educação. Em vinte anos, apareceria a primeira geração polida, bem trabalhada, que iniciaria uma verdadeira revolução.

E quem diz que controle de natalidade é injusto, que dê alguma sugestão melhor. Quem tem mais filhos, hoje, é quem tem menos condições de criá-los. Por mais paradoxal que seja, em termos gerais, o que se vê atualmente é que, quanto mais pobre, maior é a prole. E o que isso tem a ver com os problemas da Nação? Tem tudo a ver! Essas crianças serão criadas sem nenhuma estrutura, sem condições de vida dignas, e embora uma boa quantidade delas se salve, a outra parte apodrecerá, se transformará numa massa de adultos inescrupulosos, criminosos, será a escória dos brasileiros.

Com este discurso, não defendo a abolição da pobreza. Pobreza é inerente à qualquer economia, em qualquer lugar do mundo, em qualquer sistema político. Sempre, invariavelmente, haverá pobres e ricos. O que eu defendo, entretanto, é que o abismo entre uma classe e outra seja menor, e que se limite a aspectos dispensáveis. Educação, saúde, segurança, o básico que todo político promete melhorar, é direito de todos, resguardado pela Constituição. Logo, nada mais justo, para não dizer normal, que todos, incluindo o mais miserável dos pobres, tenha esses direitos garantidos.

Às vezes recebo críticas duras, de pessoas que dizem ser estas idéias radicais, que interferem demasiadamente no livre arbítrio das pessoas, etc. Continuo com minhas convicções, e acredito que, muitas vezes, viramos o rosto para a evolução em prol de dogmas e ideais batidos, retrógrados. A Igreja é o melhor exemplo disso. Por que diabos pregar contra o uso de anticoncepcionais? Por que diabos ser contra a pesquisa com células-tronco? Por que diabos ser tão cabeça dura em relação a assuntos que só trazem benefícios à humanidade?

O Brasil só terá salvação quando ser instaurada uma política de controle da natalidade eficaz. E, já que é para radicalizar mesmo, que se faça o seguinte: já tem dois filhos? Vasectomia nele.

Nenhuma mudança grandiosa é feita de maneira indolor, sem deixar marcas. Mas, se é para o bem de todos, uma dorzinha e algumas cicatrizes são suportáveis e bem-vindas.

Posts Aleatórios

17 Responses to “O problema do Brasil é o (excesso de) brasileiro”

  1. Rinaldi Says:

    Realmente, um controle de natalidade, é preciso!

    você leu “a ilha” (audous Huxley)??? tem um foco neste sentido, também!
    muita gente, muita doença, muito trabalho!

    PS: blog interessante, mas com pouca atualização! :P

  2. Oi Rinaldi, tudo certo?

    Do Huxley só li Admirável Mundo Novo… Vou colocar A Ilha na minha lista de pendências literárias.

    Sobre o ritmo de atualizações deste blog, é este mesmo, infelizmente. Mantenho outros quatro sites além deste blog, então é o que dá pra fazer, hehe! Procuro publicar, em média, um texto a cada três ou quatro dias.

    []’s!

  3. Isabela Says:

    Bibaaa
    “vasectomina nele” heheheh radical hein
    eu acho que pra comecar liberando o aborto ja eh uma grande coisa!
    Porque pensa, a mae que quer abortar um filho é sinal que muito normal não é neh, ou então não tem condicoes de criar. Logo será mais alguém marginalizado na sociedade. Ok, pode ser que nao, pode ser que alguem o adote, ou que blah blah blah. Mas o corpo é seu, e quem ta gerando uma nova vida é você. VocÊ decide, por aí acho que já é um bom comeco…

    Tipo quando eu fico “sonhando”, lembrando do Brasil, sempre vejo como um país que caminha pra um grande desenvolvimento. Meu a gente tem o “melhor povo do mundo”, pelo menos com o melhor jeito de ser. Mas quando eu realizo, e vejo como as coisas realmente estao, eu não sei como a gente sobrevive ainda…

  4. Rodrigo, discordo do seu ponto de vista. Não me leve a mal, mas esse é um discurso burguês que deixa de lado vários fatores que influenciam no todo. É fato que os mais pobres têm mais filhos. Mas também é fato que esses mais pobres são os que têm menos acesso às garantias básicas de sobrevivência. Como saúde, moradia e educação.

    Pôr em prática esse tipo de medida é querer derrubar uma árvore pela copa. Idéia melhor? Sim há. Concientização e oferecer os direitos básicos garantidos pela constituição. É um processo mais lento mas este sim de longo prazo e não imediatista como realizar vasectomia. Além de ser bem menos invazivo.

    PS: A Ilha é um ótimo livro não irá se arrepender. Acho que Huxley usava menos LSD nessa obra.

  5. Isabela Says:

    ahh eu tentei mudar aquilo super atrasado da copa, que eu nem tiha visto! (obrigada por falar bibinha) mas eu nao consegfui, porque toda vez expirava a página. Mais tarde eu tento..
    e ah, depois quero falar amis com você a respeito do que voce falou por primeiro!! Precismaos nos encontrar no msn bibinha, relembrar os velhos tempo neh!!!

    Beijosss
    saudades…

  6. Andas lendo Malthus? Ele falava que para se reduzir a miséria era necessário que a população diminuisse. Duas vias para essa diminuição: Guerra e Controle de Natalidade.
    Um dos problemas que surgem com a vasectomia é o seguinte. O cara tinha “condições” de criar dois filhos. Após tê-los, faz a cirurgia. Então dois anos após a mulher dele morre junto com um filho(acidente de carro por exemplo), o outro tem um câncer no cérebro e ele fica sozinho. Resolve constituir uma nova família, mas sua nova mulher pode o rejeitar por ser “improdutivo”.
    Malthus diria: Que ele se mate, e será menos um.
    Eu concordo com o controle!

  7. Caio Andrade Says:

    Concordo plenamente!

    A falta de instrução de um pai e de uma mãe chega a ser tanta que existem famílias com (muito) mais de 5 filhos… isso é totalmente fora de lógica!

    E essa da vasectomia é totalmente aceitável, apesar de radical mesmo…

    Poxa vida… quantos ricos por aí não tem mais que 3 filhos, enquanto outros que ganham R$500 por mês (pra não dizer menos…) tem mais de 4…

    Educação neles…

    Abraços!

  8. rayza Says:

    Realmente, o controle de natalidade é a principio uma idéia um pouco chocante, mas não deixa de ser uma solução e solução é o que nosso país está precisando.

    (parábens pelo blog!)

  9. Fausto Says:

    Concordo completamente, você pensa exatamente como eu :-)

    Eu acho um absurdo quando ouço falar de uma família miserável reclamando da vida e com 5, 6 filhos pra sustentar. Considero um crime uma mãe que tem tanto filho. E ainda se acha no direito de pedir algo…

    E vou mais além: Eu conheço muitas meninas que teve filho igual cadela, simplesmente “saiu”. Esses são os piores casos, gente estudada, que teria condição de bloquear isso, tem filhos sem qualquer planejamento.

    Se somente quem possui recursos tivessem filhos o mundo seria muito melhor. Mas essa é uma razões pra esse mundo existir, sofrer e aprender com o sofrimento.

    Fui…

  10. Fabiano Says:

    Pelo que vejo esta seria uma atitude correta sim, é inevitavel o colapso geral se não for imposto algum controle de natalidade.
    Não acho que quanto maior a população de um país, mais rico ele é. Isto era válido há uns 100 anos atrás, hoje a realidade é outra, e quanto maior a população de um país, mais pobre ele tende a ficar.
    Afinal, de onde vai sair empregos, se hoje máquinas e computadores tomam os lugares de trabalhadores braçais, uma máquina para colheita no campo toma o lugar de pelo menos 30 trabalhadores.
    Não se pode evitar o inevitável, o colapso nos sistema é uma questão de tempo, e a única solução, acredito eu, seria esta mesmo…

  11. Bruno Yporti Says:

    Concordo que reduzir a taxa de natalidade é importante para o desenvolvimento do país, mas não acredito que seja a única e a mais importante decisão a ser tomada.
    Além de ser pobres, pessoas que tem muitos filhos não possuem instrução suficiente, na maioria das vezes, mal sabe escrever. É necessário reformular todo o sistema educacional brasileiro para se começar a exigir medidas como esta. A concientização no caso da natalidade ainda deve ser a atitude mais sensata a ser tomada, não se pode impor a alguém que faça uma esterilização, isso é anti-constitucional(isso tem hífen ou não?) em qualquer país democrático, a não ser que suas propostas envolvam uma ditadura militar, vai saber, isso é tão comum aqui na américa do sul…
    Outro fator que acho importante é a saúde, além de não termos um sistema eficiente de assitência médica(o SUS precisa se organizar muito para ser algo próximo do ideal), os gastos são muito altos. O alcool e o tabagismo causam despesas enormes para o país e não são produtos essenciais para uma pessoa(ok, para algumas pode até ser…), acredito que seu uso deveria ser desestimularizado através de um aumento de impostos sobre eles, educando a população pelo bolso. Nada mais justo, cada centavo a mais pago por ele nesses produtos servirá para tratá-lo quando o mesmo tiver um câncer ou se ferir em um acidente de carro.
    Meu comentário ficou um tanto estenso mesmo sem grandes propostas, isso mostra que discutir medidas para melhorar este país realmente não é fácil, parabéns pela ousadia em ao menos escrever um pouco sobre o assunto.

    Até mais!

  12. heiry Says:

    cara eu concordo totalmente com vc…eu entrei nesse site pra pesquisar pois tenho uma aula pra dar sobre esse assunto, é um debate e isso me ajudou bastante poxa vc sabe se expressar adorei muito se quizer ter um papo sobre esse assunto e algo mais heiry_@hotmail.com

  13. heiry Says:

    eu acho q essa historia de vasectomia tbm um pouco pesado, mais se ao menos derem estrutura para essas pessoas menos informatizadas para elas ao menos saberem pq deve ser feito e talz seria bem legal, cho q o brasil melhoria muito mais

  14. Vignon Rezzara Says:

    Concordo em número, gênero e grau com você!

  15. Priscilla Says:

    Pesquisa divulgada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos em Janeiro de 2005, denunciou a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes em 937 municipios brasileiros.
    Estima-se que cem mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no Brasil.
    Parte de esses jovens são vendidos pela própria familia.
    Um casal que vende seus próprios filhos merece ser esterilizado.

  16. lee soarez Says:

    PERFEITO!

    Não há medida q possa ser ao mesmo tempo eficaz e DEMOCRÁTICA.
    Outra.. sempre tem um ‘HIPPIE’ com o papo de que: “Ui.. Isso é muito invasivo”; “Ai, é melhor conscientizar as pessoas”. A situação é CRÍTICA! Requer medidas RADICAIS mesmo! Nada contra um projeto de conscientização, mas democracia TOTAL e AMPLA não funcionou, não funciona e NUNCA funcionará com o tal de ‘Homo sapiens’.
    Concordo com vc em TUDO!

Leave a Reply


Lifestream