Pode soar estranho um texto que fala sobre blogs neste blog. Digo isso porque, embora nem todos saibam, mantenho, além deste, outro blog, que fala justamente sobre… blogs! Porém, a idéia de publicar este texto no meu blog pessoal, e não no sobre blogs, deve-se ao fato de que espero fazer uma análise dos blogs no Brasil do meu ponto de vista, ou seja, trata-se de um texto extremamente pessoal. Se não gostar do que escreverei abaixo, vá ler o BlogAjuda.
Eu sentia raiva de blogs. Isso em 2002, 2003, mais ou menos. Naquela época, blog era, para mim, sinônimo de diarinho-cor-de-rosa-choque. E todos os que eu conhecia assim o eram. Claro, meu universo bloguístico (essa palavra existe?) era absolutamente limitado, mas mesmo assim é evidente que naquela época blog era, salvo algumas exceções, coisa de pré-adolescente besta. Não acompanhava notícias made in USA, logo não tinha conhecimento da revolução que se iniciara lá cerca de dois anos antes… Enfim, meu primeiro contato com os blogs foi o pior possível. Estava quase traumatizado.
Passado um tempo, e não me lembro por que motivo, comecei a acompanhar alguns blogs de conteúdo. Textos bacanas, visual minimalista, no máximo discreto, algo que realmente valia a pena ler. E assim, timidamente, adicionei nos favoritos alguns endereços, que visitava esporadicamente. Isso foi na metade de 2004, eu acho. Contrariando o velho ditado que diz que a primeira impressão é a que fica, a minha impressão acerca dos blogs começava a mudar. Eu começava a conhecer o blog como ele realmente é, como fora, alguns anos antes, concebido, como uma ferramenta de publicação de textos dinâmica. O conteúdo, então, dependia diretamente do autor, e publicar imagens piscantes e nocivas à visão, bem como textos escritos em miguxês, não era regra; era um aborto da natureza, que numa certa época se alastrou de maneira quase incontrolável pela Internet. Felizmente, este tempo passou, e o blog como tal se sobressaiu.
Nessa altura, já estava à vontade com os blogs. Descobrira o maravilhoso mundo dos feeds, e graças ao FeedReader passei a acompanhar de perto meus blogs favoritos, sem perder um texto sequer. Então, em maio de 2005, inaugurei meu próprio blog. Meus objetivos com o blog, que já cansei de escrever aqui, foram, são e, espero, sempre serão melhorar minha escrita, e conhecer gente bacana, ainda que apenas virtualmente.
Tendo um blog, o assunto passa a ser mais presente. Meu agregador de feeds inchou; desde o ano passado, adicionei vários blogs a ele, os quais acompanho sempre. Discussões que envolvem muitos blogs também passam a ser mais sentidas, como aquela bobagem homérica que pedia para que os blogs se linkassem, gerando um aumento absolutamente artificial da “blogosfera” brasileira. Escândalos também passaram, como o soco do Netinho no Vesgo, e a cópula daquela apresentadora da MTV. Digo, com um orgulho meio bobo, que passei por tudo isso intacto, sem tocar em nenhum desses assuntos (até agora!).
2006 está sendo um ano muito importante para o blog. Aquela reportagem de capa da Época, ainda que tachada de incompleta por alguns, foi excelente. Mostrou o blog como ele realmente é para as grandes massas, fez com que esta ferramenta tivesse importância junto às outras mídias, catapultou o blog para o estrelato. Claro que estas constatações são relativas aos blogs como um todo, e talvez um ou outro em particular. Mas não importa. O importante é que aquela visão deturpada que eu, e acredito muitos outros tinham em 2002, está aos poucos se tornando uma malfadada lembrança.
O mundo está se rendendo aos blogs, pois só através deles é possível passar informação e conhecimento de maneira informal, pessoal. E isso, por mais que alguns relutem em aceitar, é delicioso. Os riscos de se deparar com erros grotescos, como alguém afirmar que o plural de gol é “gous” (li num blog, não lembro qual), existe e é alto. Isso, porém, depende tanto de quem escreve, que deve se esmerar no intuito de não cometer erros, quanto de quem lê, que deve ter bom senso de filtrar o que encontra por aí, e não acreditar em tudo que vê.
Estou pensando seriamente em resumir meu currículo, se algum dia vier a precisar dele, em uma linha: http://www.rodrigoghedin.com.br/. Acho que, no futuro, a coisa tende a seguir este rumo, e o blog será uma espécie de cartão de visitas. Alguém duvida?
Neste dia, em anos anteriores...
- Obnubilar (2007)
- Do que as mulheres gostam (2005)
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Tags: agregador, blog, diário, feed, história, origem, trajetória, weblog
Rodrigão, excelente texto, excelente trajetória.
Estou começanco achar que entramos na era:
“Você precisa ter um site pra chamar de seu!”
Blog pra mim é coisa séria, além disse ele serve como um repositório das minhas impressões sobre diversos assuntos, um repositório pessoal que eu deixo disponível e assim, guardo não só as minhas impressões como as de outras pessoas, acaba por se tornar um ótimo registro dos da minha maneira de ver e me relacionar com o mundo. Quer conhecer o Junior? É só digitar uma URL e pronto.
Um grande abraço amigão.
Pois é cara, vc está escrevendo muito bem, dá umas enfeitadas mas que enriquecem seu texto, tem talento vai ser um escritor profissional!
Faltou tbm falar que as empresas descobriram os blogs, como uma maneira de se aproximar dos clientes, e se o comércio entra é sinal que a coisa é boa.
Faltou dizer que de todos os blogs que conheço o seu foi o segundo que eu adicionei as meus favoritos.
Os blogs se tornaram uma espécie de projeção virtual das pessoas: pessoas fúteis tem blogs fúteis, enquanto pessoas interessantes tem blogs interessante (como o nosso caro Rodrigo aqui). =)
Eu sou uma pessoa mais inconstante, e assim, meu espaço virtual também o é! Espero sanar tal deficiência com o tempo…
Aventureiros incautos, atenção! Muito cuidado na sua jornada digital !!
eu nao duvido de nada mais biba!
acho que aquela onde de diarinho cor de rosa, foi normal, viro moda entao todo mundo queria ter um tb, natural. mas só os interessantes e os blogs com conteudo prevaleceram.
vc e seu amor pela rede…
beijoss biba
saudade!
Isso é um teste…
Não duvido. Meu primeiro emprego eu consegui graças ao meu blog.
Garota inexperiente, nunca tinha trampado na vida, me arrisquei a uma entrevista pra um estágio em webdesign. Quando o entrevistador perguntou a respeito de portfólio, passei o endereço do meu blog para ele.
Fui contratada. Aliás, tenho um post em meu blog muito parecido com este seu: http://megalopolis.blogarium.net/?p=186
Este seu texto foi ótimo, muito interessante! Também tive essa visão de que blog é “diarinho-cor-de-rosa-choque”… Até que fiz uns dois ou três, mas logo abandonei… Quem sabe, daqui a um tempo, eu não volto?
Será uma boa se você resumir seu currículo neste blog, com certeza aumentará muito suas chances de ser contratado! Poucos escrevem tão bem e tem uma análise tão interessante sobre tudo quando você, conforme já disseram, creio que você será um escritor profissional!
Pois é mas o plural de gol é gous mesmo. È incoerente o plural “gols”, para uma palavra aportuguesada. Contudo, prece-nos difícil que se venha fugir desse barbarismo, tão arraigado está.
Olá!!!
Estou pesquisando sobre blog para uma monografia de especialização (Tecnologias da Educação) da PUC-Rio, achei seu texto ótimo e vejo que além do que colocaste de sua primeira impressão, diarinho, também meu conceito mudou, pois utilizo blog como ferramenta educacional e agora vejo que dar para ser utilizado como ferramenta de treino de escrita e opiniões sobre conteúdos os mais diversos possíveis.
Júnior
Olá, Rodrigo.
Estou fazendo uma materia a respeito de blogers, gostei do seu texto, e gostaria de saber se voce pode me conceder uma entrevista a respeito do assunto, a materia é para uma revista eletronica publicada quinzenalmente no site da cultura Online, com sede em Goiânia.
Se estiver interesse me envie um e-mail: marcelotavares@cultura.com.br
Desde de já, obrigado!
[...] aqui, há pouco mais de dois anos, que, no futuro, queria resumir meu currículo numa URL, a do meu [...]