Casal unido jamais será vencido

24 Out, 0:13     Eu e as mulheres

Há quem diga que o ser humano não foi concebido para ser monogâmico. Segundo esta visão, o homem é um ser promíscuo, cujo único objetivo é procriar. Discordo desta visão, embora reconheça que tal opinião provavelmente seja proveniente da minha criação e formação, o que significa que, se eu porventura tivesse nascido num lugar onde a tradição dissesse que a promiscuidade é o que há, comungaria dessa opinião. É inegável, porém, admitir que, embora a sociedade e os costumes ocidentais preguem a união monogâmica, é cada vez mais raro encontrar casais em cujo histórico não figure nenhum caso de adultério. Quando encontrados, ainda, há o risco da união por conveniência, por preguiça, por qualquer fator que desfigure o relacionamento como ele é (ou, no caso, deveria ser). Em suma, está difícil encontrar casais estáveis e felizes. Por quê?

O livro Alta Fidelidade, escrito por Nick Hornby, traz uma passagem deveras interessante relacionada ao assunto em foco. Nela, o casal formado por Rob e Laura conversa despretensiosamente, quando ela pergunta se ele, vez ou outra, pensa em conhecer novas mulheres, no sentido de novas parceiras/companheiras/namoradas/whatever. Ele diz que não, e ela, além de responder o contrário, persuadi Rob a lhe dizer a “verdade”. Ele então diz que sim, embora eu tenha a enorme sensação de que esta mudança de opinião deu-se mais para encurtar a conversa do que por um arrependimento fugaz. A verdade é que este ponto, analisando friamente a coisa, é fundamental: estando você com alguém, há a idéia de conhecer um outro alguém?

Num casal normal a resposta óbvia é “não”. Isto porque, se você está com alguém, se se submete voluntariamente a um nível de relacionamento superior, a criar um laço mais forte do que o que mantém com outras pessoas, é de se esperar que este elo seja inabalável. E essa invulnerabilidade se deve à base de um relacionamento sólido e promissor, que por sua vez é construída em cima de três fatores: amizade, confiança e cumplicidade.

Antes que companheira, sua cara-metade tem que ser uma amiga, uma espécie de melhor amiga. Esta “necessidade”, por assim dizer, é essencial, pois não é só de beijos e amassos (detesto essa palavra, mas não encontro substituta) vive uma relação; mais que isso, conversa é essencial, afinidade é essencial, intimidade também. Quem dispensa a amizade num relacionamento faz as vezes de Dom Juan, um estereótipo que, me perdoem os que simpatizam, considero extremamente grotesco e nojento. A confiança é outro fator-chave para o sucesso de uma relação. Sempre digo que confio plenamente na minha companheira até que se prove o contrário. Uma espécie de in dubio pro reu aplicado à vida a dois. Fazendo uma analogia, a confiança figura, na relação, da mesma maneira que o alicerce aparece numa casa: a parte visível pode ser linda, mas sem a base, a coisa é arruinada na primeira dificuldade. Por fim, cumplicidade. Julgo este um dos níveis mais avançados da relação, e talvez por isso, um dos mais bacanas, um dos mais bonitos. Esta palavra se traduz quando a razão é maior que a saudade, sem ressentimentos; quando um não se enoja com o outro assoando o nariz no banheiro; quando demonstrações de admiração verdadeiras são feitas; quando há respeito e apoio mútuo em relação aos planos futuros de cada um; dentre outros. É a compreensão elevada a níveis extremos, e só funciona quando a reciprocidade existe.

Escrevi, escrevi, escrevi, e isso já está quase parecendo uma reportagem da revista Capricho, o que, garanto, não era minha intenção. Aliás, não sou nenhum expert no assunto, apenas me interesso por ele. E como todo interessado em qualquer coisa, adoro dissertar e discutir sobre o tema. Existem vários perfis de casais, inclusive aqueles contrários a tudo que escrevi acima, mas que ainda assim se dão super bem. É a vida, é a capacidade de adaptação das pessoas e os diferentes gostos em ação. Afinal, como já dizia o velho ditado, “toda panela tem sua tampa”.

Por fim, e acredito que isso valha para todos os casais, uma sábia jovem certa vez disse algo que seria uma espécie de mapa do tesouro para os casais que desejam felicidade a longo prazo:

“O segredo é transformar cada momento num momento especial.”

Perfeito, simplesmente perfeito.

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8 Comentários

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  1. Neto Cury
    24 Out, às 02:42

    ô cumpádi dá uma forcinha, divulga e se inscreve lá:
    http://portalwordpress.com.br/bbpress/
    Abraço


  2. junior'
    24 Out, às 08:55

    Bonito Rodrigão,
    Belo tema, ótimo texto, excelêntes considerações.
    A vida a 2 é mais complicada e mais bela do que a gente imagina, provavelmente porque cada vida a 2 é diferente, cada um vai ter a sua e os padrões imaginados quase não se aplicarão, ou não. rsss
    Abração


  3. Patrícia Köhler
    24 Out, às 15:32

    Rodrigo… complicado falar de tudo isso, né? Acho que acabamos sempre pisando em terreno movediço…
    Há casais que se dão - muito - bem mesmo em relacionamentos abertos, assim como há os que se mantêm fiéis muitas vezes por acomodação, costume ou coisa do tipo, como você disse no texto.
    Eu sempre fui fiel aos meus namorados, até porque, se eu assumo um namoro, parto da premissa de que fiz isso por gostar demais da pessoa.
    Do contrário, acho melhor a pessoa seguir solteira e ter seus rolos aqui e acolá, sem prejudicar ou magoar ninguém.
    Acho que também depende muito da expectativa que ambos depositam na relação. Enfim, eu disse que isso é um terreno um tanto movediço… rs…
    Poderíamos falar horas aqui sobre o tema e, mesmo assim, sobrariam minhocas na cabeça. :P
    Eu, feliz que só como estou com o Tuca, não consigo nem imaginar qualquer tipo de infidelidade entre nós (qualquer tipo mesmo, não me refiro apenas às traições típicas, destas em que há uma terceira/quarta/quinta/etc pessoa envolvida)… e graças aos deuses conseguimos reunir esta santíssima trindade dos relacionamentos: amizade, cumplicidade, confiança. :-)

    Beijos pra você e sorte sempre no seu namoro. ;-)

    ps: desculpe o incômodo, mas nós acabamos por aderir ao wordpress… você mal colocou e já terá de mudar aí o nosso link. ;P


  4. Yvonne
    25 Out, às 18:05

    Oi Rodrigo, obrigada pela visita lá no meu cantinho. Acho que casal unido é aquele cujas partes têm o compromisso de quererem apostar um no outro. É fácil largar alguém quando a paixão desenfreada começa a esfriar. O difícil é lutar por esse amor. Beijocas


  5. Fabiane
    25 Out, às 21:48

    Afinal, como já dizia o velho ditado, “toda panela tem sua tampa”.

    Sei não, hein…


  6. Issamu
    28 Out, às 00:35

    É realmente como pisar em ovos. Um casal que é 100% confiança e amizade é raro, mesmo porque os caminhos as vezes acabam se separando em alguma bifurcação.

    Gostaria que a realidade fosse tão simples como aquilo que queremos, mas…


  7. Marcus
    07 Nov, às 10:06

    Acho que o simples fato de assumir um compromisso com outra pessoa é dar 50% de voce mesmo pra ela, isso já implica em muita coisa!
    Agora…onde estão os outros 50% de voce? O que resta é pura e simplismente a razão e o equilibrio que voce tem sobre o que seria uma
    paixão desenfreada por exemplo.
    Falei que 50% de voce mesmo é entregue a pessoa, mas peraí; fico somente com o controle puramente racional da minha vida!? NAO!
    A perfeição seria os dois conseguirem controlar esse percentual certinho, na risca mesmo, mais tem aqueles dias que nada é melhor do que voce estar no centro de tudo mesmo e pronto! A nossa matematica foi-se!
    Se entregar por inteiro nao é certo e nao se entregar tambem não é!
    o equilibrio seria a saida? sei nao!

    Nem mesmo sei onde arrumei essa coisa matematica pra comentar esse post!
    Deve ser a minha namorada!

  8. [...] » continue lendo [...]

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