Rodrigo Ghedin

Sam’s Town

Embora tenha tido contato apenas em 2005, o disco de estréia dos Killers, Hot Fuss, foi um dos melhores de 2004. Tendo como influência direta a música dos anos oitenta, trouxeram uma batida legal, envolvente e original, e arrebataram público e crítica. Dois anos depois, chega a hora temida por muitos, o momento em que o segundo vem à luz, onde os poucos bons são separados dos sortudos de primeira viagem.

The Killers, Sam's Town.Sam’s Town, título do segundo álbum, é um cassino (ou alguma coisa do tipo) de Las Vegas, cidade natal do (agora barbudo) Brandon Flowers e seus companheiros. No disco, é também o título da primeira faixa, e aqui temos a primeira novidade: no Hot Fuss, não havia nenhuma faixa homônima ao título do CD.

A segunda música, Enterlude, é a mais estranha, tanto por ter apenas quarenta e nove segundos, como por ser bem… ahn, non-sense? Meio dispensável, e na primeira vez que ouvi o CD, soou muito desagradável. Quebra o clima criado pela Sam’s Town. Em seguida, temos a “Mr. Brightside do Sam’s Town”, a música de trabalho dos Killers atualmente, When You Were Young. Com todos os méritos, já que é, de fato, uma das melhores do álbum.

Sam's Town, dos Killers.Dali em diante, uma sucessão de músicas boas, mas não tão originais. Aliás, este é, na minha modesta opinião, o ponto fraco do CD: falta de originalidade. Bling (Confessions of a King), For Reasons Unknown, Read My Mind, Uncle Johnny e Bones são ótimas músicas, mas com batidas marcadas, daquelas que, quando ouvidas, passam uma sensação de dejá vùMy List começa baixa, e assim fica durante quase toda sua duração. E quebra o clima, de novo. Em seguida, This River is Wild, que embora sofra da falta de originalidade também, é uma das minhas favoritas. Why Do I Keep Counting é muito boa, meio arrastada, mas original. Quase uma “Andy, You’re a Star do Sam’s Town”. Criando uma tradição, fecha o disco a estranha Exitlude, com um refrão que, embora afinado e tudo mais, parece aquelas cantorias de bêbados, com todo mundo cantando junto (“We hope you enjoyed your stay”).

A edição tradicional do álbum termina aí. A edição japonesa traz duas faixas bônus, sendo que uma delas é simplesmente a melhor: Where the White Boys Dance. A mais original do CD, sem dúvida, tão contagiante quanto as melhores do Hot Fuss. Só ouvindo pra entender. A outra faixa bônus, All the Pretty Face, curiosamente é outra que bate muitas da edição normal. Por que eles deixam essas músicas legais de fora da edição normal?

Sam’s Town é bom? Sam’s Town é excelente. Entretanto, está muito longe da qualidade e originalidade do Hot Fuss. Nenhuma do novo CD (exceto Where the White Boys Dance) chega aos pés de pérolas como Somebody Told Me, On Top ou Jenny Was A Friend Of Mine, só para citar algumas. Espero que no terceiro CD, se algum dia for lançado, eles tragam de volta a originalidade que sobra no Hot Fuss. Porque emplacar outro “mais do mesmo” será bem difícil…

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Publicado em 31 de October de 2006, às 2:07 pm, na categoria Cultura.

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