“(…) Por exemplo, se me disserem: ‘Ama o teu semelhante’, e eu queira seguir este conselho, qual o resultado? Rasgo a minha capa, dou metade ao próximo e ficamos ambos seminus. Como diz um provérbio nosso: ‘Quando se perseguem muitas lebres ao mesmo tempo, não se apanha nenhuma’. A ciência, pelo seu lado, manda-me atender apenas à minha pessoa, uma vez que tudo nesse mundo se baseia no interesse pessoal. Aquele que segue esta doutrina, cuida convenientemente dos seus interesses e fica com a capa inteira. Afirma a economia política que tanto mais sólida e próspera será uma sociedade, quanto maior for o número de fortunas particulares ou de capas inteiras dentro dessa sociedade. Portanto, trabalhando apenas para mim, trabalho para todos os outros, do que resulta o meu próximo vir a obter mais do que a metade de uma capa, e isso sem favores particulares ou individuais, mas em conseqüência do progresso geral. A idéia é simples; infelizmente levou muito tempo a propagar-se e a triunfar da quimera e do devaneio; e, no entanto, não julgo que seja necessária uma grande inteligência para compreender…”
Trecho retirado do livro Crime e Castigo, de Dostoievski.
Vai contra o que a Igreja prega. Vai contra o governo e seus programas populares e ilusórios, cujo intuito é manter o pobre pobre, sempre, sem dar-lhe perspectiva de mudança. Vai contra a onda de altruísmo crescente no mundo (ainda que esta seja quase imperceptível no Brasil). Todavia, não sei por que motivo ainda, mas não vejo a idéia do parágrafo acima com maus olhos. Não por completo, mas o núcleo dela, do trabalho e desenvolvimento pessoal visando um (bom) fim comunitário. É um trecho interessante, do tipo que põe a massa cinzenta para pensar.
Aspirantes a sociólogos, simpatizantes do assunto, especialistas em pitacos, vamos discutir!
Neste dia, em outros anos...
- Relações de consumo na Internet: Direitos e garantias do consumidor em face das lojas varejistas (2008)
Assistiu “Uma Mente Brilhante”.
A melhor solução é um híbrido entre o que é melhor para si e melhor para a comunidades.
Pensar só em si seria um extremo do capitalismo.
Pensar em todos sem ver o individual seria um extremo do socialismo.
No fim o que melhor se deu foi países que seguiram a regra do filme: Suécia, Noruega, Austrália, Nova Zelândia (por IDH).
Rodrigão meu broder,
A ideia está colocada de modo um pouco exagerado, talvez para que seja colocada em pratica de forma mais amenizada, pois essa é sempre a nossa tendencia. Mas é uma ideia ótima. O problema por aqui é que o dominado quer ser como o dominante e o critica para justificar seu insucesso pessoal. Mas o cerne da ideia é, ao meu ver, correto mesmo.
Abração
Segue mais ou menos aquela idéia de cada um fazer a sua parte da melhor forma, sem aguardar por esmolas e milagres. Mas como nem todos possuem uma mente privilegiada e disposição ímpar pra mudar as coisas ao redor, vemos por aí a miséria prosseguindo como um corpo que se move pela inércia, cada vez mais pro fundo. Cada vez maior, pois ainda nasce gente demais nesse mundo. Há os que prefeririam que os mais fracos fossem abandonados de vez, quem sabe eliminados conscientemente pelo poder vigente, como ocorreu no nazismo. Lei da selva ao extremo. Sou contra isso. No mais, não tenho idéia alguma pra solucionar a questão de tanto aborto ambulante vagando por aí, mendigando por uns trocados. A questão talvez gire em torno de saber como ajudar. Abandonar, pior pra gente, a longo prazo.
[]’s
Odiei!! o.ó