Esforço social
Já tinha até esquecido deste termo que criei. Relembrei lendo algumas notas antigas, e é nessas horas que dou valor ao hábito de escrevê-las. Além de servirem como um “log” da minha vida, me permitem relembrar detalhes esquecidos, como os esforços sociais.
Cunhei este termo logo após uma festa meio chata ocorrida em Maringá, na finada república dos Tião. A festa tinha dois motivos: fim do vestibular de inverno da UEM, e a despedida da república, que no dia seguinte fora desfeita. Não que eu não gostasse dos integrantes da república, nem dos convidados da festa; longe disso! Muitos dos que estavam lá são grandes amigos, os quais considero muito. O problema era o formato da festa… Em suma: música alta, muita dança, pouca comida e nada de conversa.
Não sei dançar, detesto música alta, gosto de um bom churrasquinho e de jogar conversa fora com os amigos. Deu para entender minha revolta, não? Na festa, fiquei num canto, com a Heri, vendo o pessoal requebrar o esqueleto ao som de músicas grotescas. Vez ou outra um aparecia do nosso lado, chamando-nos para cair na farra também. Não fazia questão disso, e em relação à Heri, aparentemente ela também não. Apesar dela ser, naquele momento, minha única companhia, não a forcei a ficar comigo; se ela quisesse ter ido dançar, sem problemas. Mas enfim, ela ficou comigo (e a agradeço por isso :)), e ali ficamos, analisando as performances artístico-dançarinas dos nossos amigos, o que, apesar do nome pomposo, não é algo muito entusiasmante de ser visto, ainda mais se levarmos em conta que as luzes estava todas apagadas.
Chegamos na república perto das oito horas. Nove, dez, onze… Quase meia-noite, e na mesma. Eu já estava de saco cheio, e então sugeri que voltássemos para o apartamento dela, e assim fizemos. Lá, acompanhados do Bill e da Deda (eles de novo!), assamos uma pizza, abrimos um bom vinho, e então os degustamos, no salão de festas do prédio, no último andar, tendo o céu como teto. Muito mais divertido que a tal festa, evidentemente.
No dia seguinte, defini o ato de permanecer num lugar, por mera conveniência e para não ser tachado de chato, de “esforço social”. É algo que você faz (ou não faz) contra a vontade, apenas para manter um mínimo de convivência social. Sociabilidade é algo inerente ao ser humano médio. Naquela ocasião, parecer sociável foi um tremendo esforço para mim, mas tinha e tenho ciênca que, em outras circunstâncias, com as mesmas pessoas, haveriam programas mais interessantes e divertidos. Estes, aliás, já ocorreram, e mais hão de vir, detalhes estes que justificam minha submissão ao esforço social em questão.
Esforços sociais são uma constante em minha vida. Tenho um pequeno problema em dizer “não”, e essa debilidade já fez com que eu aceitasse os mais diversos e enfadonhos convites. Claro que, em meio a tantos chamados, alguns realmente me surpreenderam, como ir num festival nipônico e dançar músicas tradicionais japonesas, ou dar início ao curso de inglês, fatos estes que me levam à constatação de que, embora em regra os esforços sociais sejam um saco, colocando tudo na balança, valem a pena. No mais, quando você estiver fazendo um esforço social, a dica para sobreviver a ele da melhor maneira possível é pensar no depois. Ainda mais se o depois for composto por ótimas companhias, uma deliciosa pizza e um bom vinho.
Neto Cury
24 Nov, às 18:41
Cara, entendo bem o que quer dizer com isso, ainda mais sendo eu um anti-social de carteirinha segundo minha ex-posa.
Para mim, o pior de tudo era reunião familiar com a família dela. Nossa, aquilo exigia todo o meu esforço para agradar os outros e odeio ser assim.
Era um “esforço social sobrehumano” de minha parte.
Enfim, a solteirísse recém adquirida não mais me obriga a esse tipo de coisa chata. UFA!
Abração
Lu
25 Nov, às 02:13
Nos últimos meses, tornei-me anti-social de vez. Não tolero mais esses tais esforços. Hoje em dia, só saio para lugares de que realmente gosto, mesmo que isso me custe o esquecimento dos “amigos”.
The Defender
25 Nov, às 15:18
“Esforços sociais são uma constante em minha vida.”
Se você para pra pensar, depois da sua saúde mental e fisica vem a sua relação com a(s) outra(s) pessoa(s), seja da sua família ou da sociedade. Somente através da convivência correta com os outros seres que te cercam vc consegue as coisas (ex. companhia, dinheiro, alegria, sexo, etc).
Imagine como seria péssimo viver como mostrado naquele filme naufrago, ainda mais sem ter uma bola para chamar de wilson, em uma ilha deserta sem todos os beneficios que a vida moderna e em sociedade permitem, claro que a relação com as outras pessoas muitas vezes trazem coisas ruins, mas se vc colocar em uma balança são muito mais coisas boas.