Seria mesmo o altruísmo o caminho certo?
19 Nov
“(…) Por exemplo, se me disserem: ‘Ama o teu semelhante’, e eu queira seguir este conselho, qual o resultado? Rasgo a minha capa, dou metade ao próximo e ficamos ambos seminus. Como diz um provérbio nosso: ‘Quando se perseguem muitas lebres ao mesmo tempo, não se apanha nenhuma’. A ciência, pelo seu lado, manda-me atender apenas à minha pessoa, uma vez que tudo nesse mundo se baseia no interesse pessoal. Aquele que segue esta doutrina, cuida convenientemente dos seus interesses e fica com a capa inteira. Afirma a economia política que tanto mais sólida e próspera será uma sociedade, quanto maior for o número de fortunas particulares ou de capas inteiras dentro dessa sociedade. Portanto, trabalhando apenas para mim, trabalho para todos os outros, do que resulta o meu próximo vir a obter mais do que a metade de uma capa, e isso sem favores particulares ou individuais, mas em conseqüência do progresso geral. A idéia é simples; infelizmente levou muito tempo a propagar-se e a triunfar da quimera e do devaneio; e, no entanto, não julgo que seja necessária uma grande inteligência para compreender…”
Trecho retirado do livro Crime e Castigo, de Dostoievski.
Vai contra o que a Igreja prega. Vai contra o governo e seus programas populares e ilusórios, cujo intuito é manter o pobre pobre, sempre, sem dar-lhe perspectiva de mudança. Vai contra a onda de altruísmo crescente no mundo (ainda que esta seja quase imperceptível no Brasil). Todavia, não sei por que motivo ainda, mas não vejo a idéia do parágrafo acima com maus olhos. Não por completo, mas o núcleo dela, do trabalho e desenvolvimento pessoal visando um (bom) fim comunitário. É um trecho interessante, do tipo que põe a massa cinzenta para pensar.
Aspirantes a sociólogos, simpatizantes do assunto, especialistas em pitacos, vamos discutir!