Crime e castigo, comentado por José Monir Nasser

No início do ano, um leitor do meu blog, o Carlos “KK”, que mora em Paranavaí também e trabalha (ou trabalhava) no Fórum para o Desenvolvimento da cidade, entrou em contato comigo através do messenger, para convidar-me a participar de um grupo de estudos ministrado pelo professor José Monir Nasser, economista e dono de um currículo invejável, do qual destaco a fundação e direção da Tríade Editora e a autoria de alguns livros, como A economia do mais. O grupo de estudos, como soube posteriormente, teria como assunto central o livro Crime e castigo, do russo Fiodor Dostoievski.

Foram dez encontros no decorrer do ano, sempre nas manhãs de sábado. Eu era meio que um estranho no ninho, já que o grupo no qual entrei era composto por alunos do ensino médio. Este detalhe, porém, monstrou-se irrelevante ante a perspicácia dos participantes, e também pelo fato de outros poucos “velhinhos” terem aparecido dentre tantos adolescentes. Apesar do malfadado horário, o sono ia embora logo no início dos encontros. Durante eles, lemos o livro completamente, sempre discutindo pontos relevantes e/ou obscuros. Nas primeiras reuniões, houve uma espécie de redescoberta da leitura, conseguida através de trechos do livro Como ler um livro, de Mortimer Adler, e complementada com dicas valiosas do Monir. Como previra no início do ano, apesar do cansaço e das dificuldades, valeu muito a pena, tanto pela leitura do ótimo Crime e castigo, quanto pelo contato com o Monir.

Se nunca leu, imagine Crime e castigo como um romance policial focado no consciente do criminoso. Ao invés de mistérios e pistas no ar, dramas psicológicos. O livro se apóia nos dilemas morais de Raskólnikof, o assassino e personagem principal. Embora Inteligente e sagaz, ele nutre um exacerbado desprezo pela humanidade, tão grande a ponto de julgar-se superior aos demais. E esta arrogância, quando entra em choque com a miséria e a necessidade, o leva a subjugar regras básicas do convívio em sociedade, culminando com a consumação de um crime.

É impossível sintetizar a profundidade do livro em apenas uma crítica, quiçá num parágrafo. No entanto, várias lições são tiradas desta história, algumas clichês, como a de que o crime não compensa, e que não existe crime perfeito; outras, complexas e até difíceis de explicar, como a mistura dos conceitos de mundo real e imaginário, que criam na pessoa a ilusão de ser parte de um restrito grupo privilegiado, fora do alcance da Lei, ao qual, portanto, é permitido cometer crimes.

Crime e Castigo (Ediouro).Grande livro, recomendo fortemente a leitura. Só fujam da edição publicada pela Ediouro, esta ao lado, infelizmente utilizada nos encontros. O Monir nos alertou da baixa qualidade dela, mas neste caso específico, não precisa ser expert no assunto para perceber isso. Não há espaçamento entre as linhas, a fonte é cansativa, o formato do livro não colabora (é difícil abrir), e a tradução é tosca, provavelmente antiquíssima e feita por um português.

Em 2007, este trabalho será feito novamente, aqui mesmo, em Paranavaí. A diferença é que, ao invés de abordar apenas um título ao longo do ano, será um a cada encontro. Obtive o folder de um projeto similar, desenvolvido em Curitiba, neste ano. Segundo o Monir, todos os livros listados são interessantíssimos, e fará das que os lerem, pessoas melhores.

Livros recomendados pelo Monir (mini).
Clique para ampliar.

Destes, já li Crime Castigo e Admirável Mundo Novo. A julgar pelos dois, acredito com muita convicção que os demais devem ser igualmente ótimos. Não sei ainda se terei disponibilidade para acompanhar os encontros ano que vem. Se puder, o farei; se não, fica como consolo esta preciosa lista, que em breve será devidamente lida.

Neste dia, em outros anos...

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2 Responses to “Crime e castigo, comentado por José Monir Nasser”

  1. junior Says:

    Bacana heim Rodigão, participeu de grupos de estudo assim. Bem legal, e o assunto do livro parece ser bem interessante.
    Abração

  2. Sidarta Says:

    Muito bom esse livro. O cara é muito bom.

    Abraços,

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