Arquivos do mês January 31e 2007

Sobre amizade

O que liga uma pessoa a outra é o sentimento denominado amizade, um dos mais sublimes que o ser humano possui. Ela é densa, e abordá-la de forma crua, como tentarei neste texto, é algo deveras complicado.

É algo difícil de se obter, pois pede desinibição, risco. É, também, difícil de cultivar, pois exige atenção e disposição. É extremamente difícil de se solidificar, pois isso demanda entrega incondicional, e como todos sabem, as pessoas temem o novo, detestam se sentir fragilizadas, baixar a guarda, mesmo que seja para outra que lhe deseja o bem e somente o bem. Eu sou assim, você provavelmente também o é.

Vemos a amizade de maneira superficial, e só damos o verdadeiro valor que ela merece quando somos abatidos por alguma perda, não só em virtude da morte, mas de circunstâncias mundanas que, de um jeito ou de outro, suave ou abruptamente, nos separam de quem amamos. Verdadeiras amizades são escassas, raríssimas. Assim o são por serem extremamente frágeis, e também por necessitarem de um tempo enorme para serem construídas. Muitas pessoas passam durante nossa existência, duas ou três ficam para a eternidade.

Confiança, confiança e confiança. Esta é a base, e explica o porquê da amizade ser tão delicada. E isso é paradoxal, pois ao mesmo tempo em que ela é dura como um diamante, pode ser quebrada de moro irreparável, tal qual um cristal, pelo mais simples dos atos.

Não tolero traições, de qualquer espécie. Dependendo do grau da traição, e de quem me trai, não tolero e não perdôo. Vou além: de grande amigo, colega ou conhecido, passo a encará-lo como desafeto, e mesmo que isso seja ruim, contamine minha alma e traga más vibrações, detesto-o. O tempo, às vezes, consegue remediar essa cólera interna; todavia, não levanto um dedo para ajudá-lo. O traidor não merece, não mesmo. Prefiro meu espírito podre do que passar a mão na cabeça de quem cuspiu em meu apreço, em minha consideração.

Sou de poucos amigos, sempre fui, e isso não me incomoda. Pelo contrário, eu adoro ser assim. Seletividade. Antes cinco leões, do que quinhentas ovelhas. A analogia se encaixa perfeitamente no contexto. Já tive colegas, amigos, grandes amigos de um ou dois anos. Amigos de verdade, pouquíssimos. O ser humano é muito corruptível para merecer confiança irrestrita. Na dúvida, não arrisco.

Troninho high-tech

Agora aquela velha mania de chamar o vaso sanitário de trono fará sentido, graças ao Pimped Out John, da Roto-Rotter.

Pimped Out John.

O gadget (se é que pode ser chamado assim), apesar de inusitado, esbanja tecnologia, trazendo acessórios incríveis, a saber:

  • Monitor LCD Philips de 20″;
  • Xbox 360;
  • DVD player Philips;
  • Laptop Gateway EMachine (num braço robótico articulado);
  • iPod com dock estéreo (equipado com papel higiênico);
  • Botão de “emergência” Roto-Rotter (fiquei intrigado com este recurso…);
  • DVR TiVO;
  • Refrigerador Avanti, equipado com chopp e lotado de bebidas e tira-gostos;
  • Suporte para revistas, e assinaturas da Sports Illustrated, ESPN e GQ;
  • Bicicleta ergométrica (pedais);
  • Aquecedor elétrico de café;
  • Ventilador (muito útil nas horas difíceis).

Para persuadir o consumidor, a Roto-Rotter alega que um ser humano médio passa cerca de 11.862 horas no banheiro ao longo da vida, o que equivale a um ano, quatro meses e cinco dias, tempo este que poderia ser melhor aproveitado do que é normalmente. Depois, apelam para o ego do pobre (no sentido figurado) futuro comprador, com frases de efeito, como: “Afinal, o que é um banheiro? Um assento privado de poder, um lugar para fugir e saborear alguns momentos de pura solidão. Provavelmente é o melhor cômodo da sua casa, mas infelizmente a maioria deles é entediante”. Puro marketing sensacionalista…

A idéia é interessante, de verdade, mas peca em alguns pontos cruciais. Um exemplo: quem diabos irá comer doces, ou beber cerveja, enquanto dá adeus à feijoada do almoço, num processo deveras sofrível, cansativo e nojento? Seria mais correto acrescentar recursos úteis ao propósito do vaso sanitário, como um compartimento para rolos de papel higiênico reservas, ou um sistema inteligente e eficiente de fragâncias pós-uso do sanitário.

A Roto-Rotter vai sortear um Pimped Out John, mas só para moradores dos Estados Unidos. Tentei encontrar o preço desta coisa, mas infelizmente não tive sucesso na busca… Parece que não foi liberado ainda, ou coisa assim. Aliás, nem sei se essa geringonça já foi lançada. Só publiquei aqui devido à bizarrice do negócio. Este é o típico produto que, se eu tivesse apenas visto a foto, sem ler nada a respeito, pensaria tratar-se de um conceito, algo feito só para divertir, do tipo que jamais seria produzido e comercializado.

Você sabe o que é um fungo?

Depois ainda olham torto quem critica o ensino público brasileiro… A pérola abaixo eu recebi da Leonice Nakamura, grande amiga, mãe da minha namorada e futura melhor professora de matemática do Paraná:

Fungo (mini).
Clique para ampliar.

Se não reprovou nenhum ano, o que duvido muito, o garotão que escreveu tal explicação revolucionária tem dezesseis anos. Com essa idade já se deve ter uma noção básica de mundo, não? Algo ralo, sem aplicação prática, mas que sirva como proteção natural contra gafes grotescas. Ou esta minha teoria está errada, ou o molecote é uma exceção à regra. É fato que todo estudante, seja do primário ou de nível universitário, na hora do aperto inventa qualquer baboseira minimamente ligada ao assunto da pergunta, numa tentativa invariavelmente ineficaz de angariar alguns pontinhos às custas da benevolência ou ingenuidade do professor, mas esta atrocidade à biologia mostrada acima ultrapassa qualquer nível de tolerância que possa existir.

A cereja do pudim é a paráfrase do final (“aquele que nunca deu uma fungada que atire a primeira pedra”). Fungada? É cada uma…

O difícil retorno

Juro que, em determinado momento, enquanto estava a mais de quinhentos quilômetros do aconchego do meu lar, senti vontade de deixar tudo para trás e ficar por ali indefinidamente. O desprendimento da rotina, a brisa do mar, nada para se preocupar, nada para esquentar a cabeça… Tentador, de verdade. Mas, como este é, para mim, um objetivo para quando for um membro da terceira idade, há dois dias me despedi de Guaratuba e voltei para Paranavaí.

Sete dias longe da frenética Internet é um tempo monstruoso, e foi o bastante para eu perder o fio da meada, ficar desatualizado. Felizmente, a programação prévia que fiz em alguns dos sites funcionou, o meu grande amigo Octávio segurou as pontas onde a presença de um ser humano era imprescindível, e no fim tudo correu maravilhosamente bem. A única frustração foi não ter acompanhado de perto o lançamento do WordPress 2.1; esta frustração, entretanto, foi apaziguada graças ao outro grande camarada Daniel, que cobriu o lançamento da nova versão da melhor plataforma de blogs do mundo no BlogAjuda de maneira exemplar.

Entrar no ritmo novamente está sendo complicado, pois não bastasse a dificuldade normal em consumir sete dias de notícias simultaneamente às novas que saem, problemas circunstanciais surgiram:

  • Amigos resolveram fazer churrascos, um ontem, para comemorar o aniversário de um deles, e outro hoje, para comemorar a aprovação de alguns no vestibular da UEM. O melhor dos problemas, sem dúvida :)
  • O Thunderbird, meu cliente de e-mails, não agüentou o tranco de sete dias de e-mails, e abriu as pernas quando tentei baixar todos simultaneamente (mais de 2000). Centenas de mensagens se corromperam, e a única atenuante para esta desgraça é que a maioria era spam;
  • Estou sozinho em casa, já que neste ano me desgarrei da minha família, que só retorna segunda-feira da praia, e viajei com a da Heri. Assim que cheguei de viagem, fiz uma faxina superficial, e jantei wafer de morango com Coca-Cola. O pente fino na faxina ficou pra diarista, que vem na terça, e o problema das refeições foi resolvido graças às intervenções da namorada e sua mãe, a Leonice (obrigado!), que gentilmente me convidaram para almoçar e jantar em sua casa até que meus pais cheguem.

Confesso que uma ponta de preguiça embola o meio-campo, mas aos poucos ela está sumindo, e o intuito é pegar firme, mas muito firme mesmo, a partir de segunda. Ao contrário do que acontece todos os anos, onde o ano começa depois do Carnaval, em 2007 farei esta pequena antecipação, visando dias melhores no futuro, em todos os aspectos. Espero que surta o resultado esperado…

A arte de gravar CDs

Usei este mesmo título há mais de quatro anos, num artigo no WinAjuda no qual ensino os leitores a gravar CDs. Lembro que, na época, achei o título bem pavão, imponente, e, confesso, não liguei muito para o real sentido do mesmo. “Arte”, uma palavra forte e requintada, um bom título.

Hoje, pensando nas músicas que comporiam um CD que ainda hei de gravar, lembrei-me de Rob Fleming, do livro Alta Fidelidade, e em seguida, do meu texto, publicado em 2002. E cheguei à conclusão que não consegui chegar naquela época, à conclusão da qual Nick Hornby concorda comigo (ou vice-versa), mesmo gravando fitas ao invés de CDs, à conclusão de que gravar um CD é uma arte.

Numa passagem do livro, Rob, que é um admirador de música pop, nos entorpece com dúvidas acerca de como gravar uma fita. Qual música entra primeiro? Músicas de um mesmo intérprete devem ser gravadas juntas ou separadas? É melhor começar a fita com músicas agitadas ou calmas? Manter uma linha, uma seqüência lógica, ou se render ao aleatório? E no caso do aleatório, como fazer algo realmente aleatório?

Sempre demoro dias para gravar um CD de músicas selecionadas. Costumo fazer uma primeira triagem, na qual não ligo para a quantidade de músicas; simplesmente vou colocando as que me agradam, e se o CD tem uma linha, as que me agradam daquela linha. Passada esta primeira fase, faço uma nova triagem, desta vez removendo aquelas músicas “não-tão-legais-assim”, deixando apenas o supra-sumo, apenas o que meus ouvidos recebem sem reclamações. Finalizada esta segunda etapa, caso a quantidade de músicas tenha ultrapassado o limite do CD, vem uma das partes mais difíceis: remover as músicas extras. É complicadíssimo mensurar o quão se gosta de uma música, e o quão ela é descartável neste contexto, mas como o problema é a capacidade da mídia, ou seja, algo absolutamente fora da minha esfera de atuação, não tem outro jeito: algumas favoritas vão para o limbo.

A partir de então, tem início a segunda grande parte do processo: ordenar as músicas. Neste ponto, tudo depende do meu estado de espírito no momento, do tipo de música predominante no CD, de qual o destino do mesmo. Em outras palavras, é algo não-padronizado. Todavia, alguns detalhes costumo preservar, como evitar colocar músicas excessivamente destoantes em seqüência, e evitar se prender muito a um intérprete, pois a princípio, é uma seleção, logo, se for para gravar treze músicas de um cantor num CD onde há quinze, melhor comprar o CD do cantor logo. Uma dica interessante neste ponto é gravar a playlist (gosto dos formatos *.m3u e *.pls).

A última grande parte do processo é a gravação. É a mais simples, mas nem por isso desmerece cuidados especiais. O primeiro e um dos mais importantes é escolher uma mídia (CD) de qualidade. De nada adianta todo o trabalho feito até aqui se ela for de má qualidade, o que diminuirá consideravelmente a vida útil da sua coletânea. Independente do programa que for usar para gravar o CD, o faça em baixa velocidade. Atualmente, gravadores rápidos, com velocidades de gravação chegando a 52X, são popupales, mas gravar um CD de áudio nesta rapidez implica problemas, dos quais os mais graves são distorções na música, e incompatibilidade com aparelhos de som. O ideal é gravar numa velociade entre 8X e 12X. Demora um pouco, mas o resultado compensa.

Assim, após três grandes etapas, o CD com músicas seletas está pronto para ser ouvido. Depois deste “textão”, me diga: gravar CDs é ou não é um arte? Pois é.

Spam da Editora Abril nos comentários?

Quem tem blog sabe a m*rda que são os spams. Quem tem blog powered by WordPress, sabe também que o Akismet segura tudo e mais um pouco. Agora, duvido que quem tem blog já tenha se deparado com um comentário/spam igual este:

Spam da Abril.

Isso mesmo, um comentário/spam da Editora Abril. Eu juro que ia deixar passar, mas quando li o nome que o sujeito usou (Divulgação), pensei duas vezes. O site que ele recomenda tem algo a ver com o assunto do post. O que será isso? Uma nova (e idiota) campanha de marketing? Algum desocupado da Abril tratando de vender seu peixe, na tentativa (idiota) de fazer média com o chefe? Não sei. Só sei que apaguei o comentário/spam :) .

Geni: árvore genealógica 2.0

Logo que me cadastrei no orkut, uma das primeiras comunidades em que me cadastrei foi a Família Guedin ou Ghedin. No começo eram poucos membros, não chegavam a vinte, mas com a popularização da referida rede social no Brasil, em pouco tempo a comunidade aumentou, e hoje conta com mais de cento e cinqüenta membros.

O sobrenome Ghedin é um tanto incomum, logo, não imaginava que havia tantos espalhados pelo Brasil. Além dos da minha cidade, Paranavaí, só conhecia, mesmo de nome, alguns que moram na capital, Curitiba. Para minha surpresa, através da comunidade dos Ghedin, pude constatar que há membros da minha família espalhados pelo Brasil inteiro. O mais legal disso tudo é saber que a maioria, se não todos, descendem da mesma família, vinda da Itália há um bom tempo. Prova disso são os comentários sobre nossos ancentrais, e características marcantes, como furinho no queixo e nariz avantajado (tenho os dois).

Num primeiro momento, graças à euforia e tudo mais, é legal. Mas, depois de um tempo de participação na comunidade, a sensação de bagunça e estranheza é grande: quem é parente de quem? O que ela(e) é de mim? Nossos avós eram irmãos? Com essas perguntas dá para imaginar o tipo de “bagunça” a que me refiro, natural, diga-se de passagem, já que o orkut, por mais que enfatize a comunicação e união entre as pessoas, está longe de ser uma árvore genealógica. Para suprir esta lacuna, foi lançado na última terça o Geni.

Geni.O beta no nome não é por mero capricho: alguns bugs primários, como cadastrar um pai com o sexo feminino, ou a incapacidade em trabalhar com caracteres especiais (ãêó), existem. Pode ser uma referência à web 2.0 (afinal, 99% dos serviços deste tipo são beta), e se esta foi a intenção, acertaram: o site é a cara da web 2.0. O Geni abusa de ajax e flash de maneira inteligente, apresentando nossa família de maneira estilosa e funcional. Até hoje não encontrei ferramenta, seja online ou offline, mais eficiente para esta tarefa do que este site.

Minha família no Geni.

O cadastro é ótimo e facílimo: ao entrar no site pela primeira vez, um popup pedindo nome, sobrenome e e-mail aparece. Preencha-o, e pronto! Um e-mail pedindo confirmação será enviado. Gostei muito deste fator, haja visto que, em regra, cadastros em sites são longos e chatos, por mais estúpido que seja o serviço (o que não é o caso deste).

Colaboração é a alma da web 2.0, e aqui ela, obviamente, existe. Ao cadastrar os membros da sua família, a opção do e-mail traz, ao lado, um campo que, se marcado, o convida para participar do programa. Seu avô provavelmente não poderá lhe ajudar, mas primos e até tios, sim. Com eles ajudando, o trabalho é dividido, e ao invés de escrever todos os dados de todos os parentes, cada um faz sua parte.

Em breve, o Geni trará novidades, como compartilhamento de fotos e vídeos de família, sistema de e-mails interno, dentre outras coisas.

Como aparentemente eu sou o primeiro Ghedin a ingressar no programa, o que é absolutamente normal pelo fato dele ter sido aberto ao público na última terça, não pude analisar como o sistema reage quando já há alguém com o mesmo sobrenome cadastrado. Acredito que deva haver uma integração, ou pelo menos um aviso. Enfim, independentemente disso, vale uma visita.

Se o Geni conseguir organizar a família Silva, juro que viro fã de carteirinha.