Ultraviolência horrorshow

Laranja mecânica (A clockwork orange), de Anthony Burgess, tal qual o tradutor da edição brasileira menciona no prefácio da mesma, forma, ao lado de Admirável mundo novo (Aldous Huxley) e 1984 (George Orwell), a tríndade distópica da ficção científica no século XX. Em comum, têm cenários futuristas, mostram uma sociedade sombria e fortemente diferente da atual, e foram escritos por britânicos.

O livro traz uma história forte, porém facilmente compreensível. Alguns podem discordar, e há fundamento nesta opinião: o dialeto nadsat realmente complica no início. Narrado em primeira pessoa pelo jovem desordeiro Alex, há tantas gírias que, no começo da leitura, é difícil entender o que ele quer dizer. O impacto, almejado pelo autor, é obtido, e a familiaridade, que deve emanar na medida em que a leitura avança, também chega, suavemente. Burgess quis mostrar as gangues jovens violentas neste livro, sem poupar detalhes. E, entre os detalhes que caracterizam um grupo, o dialeto, as gírias, formam um dos que mais marcam. O problema de usar gírias comuns à sua época é que, tal qual todas as gírias, elas se tornariam obsoletas em pouco tempo. A solução? Criar seu próprio dialeto. Assim, a linguagem nadsat (adolescente) surgiu, fruto de uma mistura perceptível dos idiomas russo e inglês.

Laranja mecânicaLaranja mecânica se divide em três partes, todas narradas por Alex. O ponto central, tal qual em Admirável mundo novo, se baseia no dilema do certo ou errado no tocante à interferência do Estado no livre arbítrio das pessoas. Aqui, um novo método “transforma”, mediante uma agressiva lavagem cerebral, pessoas de má índole em virtualmente impotentes para a violência. Alex é o centro da discussão, e os estragos que todo esse processo lhe causa é de se fazer pensar. Certo? Errado? Não sei.

O livro é curtinho, tem menos de 200 páginas, e esta edição recente, da Editora Aleph, é primorosa. Além do excelente acabamento, vem com um prefácio riquíssimo, com muitas informações sobre a vida e obra de Burgess, comentários interessantes sobre a edição, relatando a dificuldade em traduzir o livro, bem como aspectos circunstanciais relevantes, e um glossário da linguagem nadsat, no final. Sobre este, a recomendação é lê-lo apenas depois que terminar de ler o livro; a edição original não o traz, e assim seu autor queria que fosse, de modo que o impacto da linguagem estranha fosse o esperado.

Existe uma versão cinematográfica de Laranja mecânica, dirigida por Stanley Kubrick e estrelada por Malcolm McDowell. Ainda não tive a oportunidade de assistir, mas a julgar pela qualidade da história e competência do diretor, acredito ser este um ótimo filme.

Vale muito a pena. Agora só falta 1984. Alguém tá afim de me presentear nestas férias? :).

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9 Responses to “Ultraviolência horrorshow”

  1. Ainda acho este tipo de leitura muito cult pra mim, acabo perdendo a vontade ler no começo. E nós nunca devemos nos forçar a ler algo que não queremos, pois o resultado será bem pior do que o autor imaginava.

  2. Cara, 1984 é um espetáculo.

  3. O filme Laranja Mecânica é sensacional. Ainda não li o livro mas com certeza vou fazer isso, teu blog me lembrou alguns dos livros que ainda devo ler e fico enrolando! :)

  4. Renato Says:

    Ghedin…
    [...]
    Simplesmente sensacional o filme!

    Isso porque acabei assistindo meio que sem querer, já que não tinha nada o que fazer e do nada ele começou no SBT =]

    Hehe, quanto ao livro, tenho ele salvo em PDF mas, como você mesmo mencionou, comecei a me enrolar nas gírias e desisti. Mas estou pensando seriamente em tentar lê-lo novamente.

    Admirável Mundo Novo e 1984 meu irmão já leu. Me disse que os dois são bons =]

    Só me falta coragem agora ^^

  5. O filme Laranja Mecênica é fantástico, Kubrick é demais. Ainda não li o livro, mas ele e 1984 estão na minha lista.

  6. Olha o filme é superior ao livro pois ele termina bem na frase do penúltimo capítulo “E eu estava curado” porque todo aquele último capítulo é uma porcaria, me lembrando o final do livro “O Clube da Luta” onde o final do cinema também é melhor.
    Olha “1984″ é muito hype.É uma história de amor misturada com o discurso ás vezes irritante do Orwell que fez um trabalho melhor em “Revolução dos Bichos”.O livro é bom e blábláblá mas acho que ele estava tão preocupado em “ensinar” que se perde em alguns pontos.Prefiro Admirável Mundo Novo.
    “V de Vingança” em ambientação é melhor, com um personagem muito mais carismático e referências mil (eu adoro referências talvez seja por isso) e deveria estar em qualquer leitura sobre distopias.

  7. Neto Cury Says:

    não consigo pensar no filme laranja mecânica sem lembrar do também super-politicamente-incorreto TRAINSPOTTING :!:
    Abração

  8. SadMoon Says:

    comecei a ler mas nao consegui terminar… por ter preguiça de ler em pdf…
    o filme tenho no pc…
    simplismente…

    rsss

  9. [...] algum tempo escrevi uma crítica ao livro, que você pode ler aqui. Já assisti ao filme também, e garanto que é da melhor qualidade. Então, anote aí: [...]

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