Rodrigo Ghedin

Explicações sobre Dragon Ball AF

Dragon Ball é um lendário mangá criado por Akira Toriyama. Publicado por mais de uma década, ganhou uma versão em desenho animado na TV que, se não foi o mais difundido no mundo, um dos mais foi, sem dúvida. O roteiro gira em torno de Son Goku, um sayajin (alienígena) enviado à Terra para destruí-la, mas que em virtude de um “pequeno acidente” (ele cai de um penhasco, e bate a cabeça no chão - entendeu as aspas?), esquece sua missão, e passa a proteger nosso querido mundinho com todas as suas forças. Hoje é difícil encontrar alguém que nunca tenha ao menos ouvido falar desta série. Assisti todos os episódios da saga Z, que mostra Goku adulto, e li e tenho todos os mangás, em perfeito estado de conservação (um dia ainda os venderei por uma quantia milionária).

Embora na TV haja a divisão entre Dragon Ball e Dragon Ball Z, no mangá original não. É tudo a mesma história, sem interrupções ou mudanças de nomenclatura. Depois do término do mangá, alguns pupilos de Toriyama, com anuência deste, criaram o horrível Dragon Ball GT (Gran Tour), uma tosquíssima e viajada seqüência, com Goku voltando a ser criança, super sayajin nível quatro, e mais um monte de besteiras. Sujou a até então imaculada série, e embora existam doidos que tenham gostado dessa merda, tal série não passa disso, uma merda.

O problema é que fanboy é uma desgraça, e um dos males do mesmo é não saber quando algo já deu o que tinha que dar. Dragon Ball atingiu seu ápice no final da série Z. Era um desfecho esplêndido para um anime longo, revolucionário e cativante. Melaram tudo com o GT e, não satisfeitos, alguns fanboys resolveram criar e disseminar uma nova série: Dragon Ball AF.

Se no GT coisas sem noção já haviam sido criadas, no AF o nível desce ao fundo do poço. A própria imagem que desencadeou os inúmeros boatos sobre esta inexistente série já mostra isso: Goku super sayajin nível cinco. É tosco.

Goku super sayajin 5.

AF significa “After Future”, ou “Another Future”. A lenda acerca desta fictícia série começou em 1997, logo após o fim da GT. Nessa época, porém, não havia nomes, nem imagens: apenas o rumor pairava no ar… Em 2000, o fanart acima foi disponibilizado, desencadeando uma verdadeira febre em torno das “novas” aventuras de Goku e cia. No mesmo ano, em outubro, um documento extenso sobre AF surgiu no (hoje fora do ar) majin.com. Alguns anos mais tarde, em 2004, a “prova” que faltava para afirmar a “veracidade” da série apareceu: um pôster de divulgação.

Dragon Ball AF (mini).

O engraçado é que, segundo fontes, esses caracteres japoneses não significam absolutamente nada :D. Quem não entende japonês (chute: 90% da população), acreditou. Este pôster é, na verdade, uma montagem feita no Photoshop.

Ainda hoje há quem defenda a existência de Dragon Ball AF. O argumento da moda é que a série foi produzida nos Estados Unidos (sic), motivo pelo qual só foi exibida em canais privados, de pouco alcance/audiência.

Não precisa muito para constatar que isso é lorota. Clique aqui, veja as imagens, e pergunte a si mesmo: alguém, em sã consciência, exibiria estes desenhos medonhos na TV? Nem mesmo o mais aproveitador e oportunista dos produtores de TV faria isso.

Para que fique bem claro:

Dragon Ball AF non ecziste!

A quem souber espanhol (portunhol já quebra o galho), recomendo a leitura deste ótimo artigo, que inclusive serviu de base para este meu. Para saber mais sobre Dragon Ball, a entrada na Wikipédia inglesa e suas ramificações são ótimas fontes de informações. E, finalmente, para quem quiser entender os motivos que fazem de Dragon Ball um dos maiores ícones culturais de todos os tempos, procurem em algum sebo a revistinha Herói Mangá #01, da editora Conrad, lançada em abril de 2002. Nela há um texto cujo título (tosco, confesso) é Dragonball Z: além da porrada!, escrito pelo grande Mario AV, que guardarei para mostrar aos meus filhos, logo após apresentar-lhes minha coleção de mangás (só a venderei depois disso). Esta revistinha, aliás, era ótima: nesta mesma edição há uma matéria magnífica sobre outro blockbuster japonês, Evangelion. Uma pena terem cancelado ela tão precocemente (só durou três edições).

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Publicado em 16 de January de 2007, às 10:12 am, na categoria Cultura.

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