Posts do mês Janeiro de 2007

Geni: árvore genealógica 2.0

20 Jan

Logo que me cadastrei no orkut, uma das primeiras comunidades em que me cadastrei foi a Família Guedin ou Ghedin. No começo eram poucos membros, não chegavam a vinte, mas com a popularização da referida rede social no Brasil, em pouco tempo a comunidade aumentou, e hoje conta com mais de cento e cinqüenta membros.

O sobrenome Ghedin é um tanto incomum, logo, não imaginava que havia tantos espalhados pelo Brasil. Além dos da minha cidade, Paranavaí, só conhecia, mesmo de nome, alguns que moram na capital, Curitiba. Para minha surpresa, através da comunidade dos Ghedin, pude constatar que há membros da minha família espalhados pelo Brasil inteiro. O mais legal disso tudo é saber que a maioria, se não todos, descendem da mesma família, vinda da Itália há um bom tempo. Prova disso são os comentários sobre nossos ancentrais, e características marcantes, como furinho no queixo e nariz avantajado (tenho os dois).

Num primeiro momento, graças à euforia e tudo mais, é legal. Mas, depois de um tempo de participação na comunidade, a sensação de bagunça e estranheza é grande: quem é parente de quem? O que ela(e) é de mim? Nossos avós eram irmãos? Com essas perguntas dá para imaginar o tipo de “bagunça” a que me refiro, natural, diga-se de passagem, já que o orkut, por mais que enfatize a comunicação e união entre as pessoas, está longe de ser uma árvore genealógica. Para suprir esta lacuna, foi lançado na última terça o Geni.

Geni.O beta no nome não é por mero capricho: alguns bugs primários, como cadastrar um pai com o sexo feminino, ou a incapacidade em trabalhar com caracteres especiais (ãêó), existem. Pode ser uma referência à web 2.0 (afinal, 99% dos serviços deste tipo são beta), e se esta foi a intenção, acertaram: o site é a cara da web 2.0. O Geni abusa de ajax e flash de maneira inteligente, apresentando nossa família de maneira estilosa e funcional. Até hoje não encontrei ferramenta, seja online ou offline, mais eficiente para esta tarefa do que este site.

Minha família no Geni.

O cadastro é ótimo e facílimo: ao entrar no site pela primeira vez, um popup pedindo nome, sobrenome e e-mail aparece. Preencha-o, e pronto! Um e-mail pedindo confirmação será enviado. Gostei muito deste fator, haja visto que, em regra, cadastros em sites são longos e chatos, por mais estúpido que seja o serviço (o que não é o caso deste).

Colaboração é a alma da web 2.0, e aqui ela, obviamente, existe. Ao cadastrar os membros da sua família, a opção do e-mail traz, ao lado, um campo que, se marcado, o convida para participar do programa. Seu avô provavelmente não poderá lhe ajudar, mas primos e até tios, sim. Com eles ajudando, o trabalho é dividido, e ao invés de escrever todos os dados de todos os parentes, cada um faz sua parte.

Em breve, o Geni trará novidades, como compartilhamento de fotos e vídeos de família, sistema de e-mails interno, dentre outras coisas.

Como aparentemente eu sou o primeiro Ghedin a ingressar no programa, o que é absolutamente normal pelo fato dele ter sido aberto ao público na última terça, não pude analisar como o sistema reage quando já há alguém com o mesmo sobrenome cadastrado. Acredito que deva haver uma integração, ou pelo menos um aviso. Enfim, independentemente disso, vale uma visita.

Se o Geni conseguir organizar a família Silva, juro que viro fã de carteirinha.

Algumas notas III

18 Jan

- Recentemente fiz duas alterações no layout do blog, visando melhorar a usabilidade do mesmo. A primeira derivou de um debate ocorrido no BlogAjuda, outro blog que mantenho. Decidi, então, testar mostrar posts completos na capa do blog. Aliás, alguém percebeu essa mudança? Se sim, manifeste-se, por favor. A outra mudança foi na fonte dos textos. Alterei levemente o tom da cor, deixando-o mais forte, e aumentei também o espaçamento entre as linhas. Olhem as imagens para ver a diferença (antes e depois):

Antes.
Antes da mudança.

Depois.
Depois da mudança.

Eu gostei. A leitura ficou mais fácil e confortável. Aliás, este layout está prestes a completar um ano… Minha intenção é fazer uma releitura do mesmo, e lançá-la no aniversário de dois anos (outra tradição?).

- Um italiano escreveu um post em seu blog onde há uma foto minha, ou melhor, da minha mão. A foto eu publiquei no texto sobre a escova de dentes Colgate 360º e o creme dental Sensodyne. Usando meu poderoso senso dedutivo para chegar a uma conclusão, já que não entendo bulhufas de italiano, acredito que ele tenha escrito algo sobre a importância de escovar os dentes, e que ele pensa também nas criancinhas da África que não têm escova e creme para deixarem seus dentes branquinhos. Um texto meio filantrópico, e tal. A propósito, o sacana fez hotlink da imagem. Maledeto.

- Finalmente, a fatídica notícia: estarei offline nos próximos sete dias. Neste exato momento estou arrumando minhas malas, e amanhã cedinho sairei a caminho de Guaratuba, cidade litorânea do Paraná, a fim de passar uma semana descansando, complemente desconectado da Internet. Aos que acompanham meus sites, fiquem tranqüilos: cuidei para que os mesmos continuem sendo atualizados normalmente, incluindo este blog. A maioria o será através de posts pré-programados (acredite, foram dois dias escrevendo e trabalhando igual condenado). A exceção é o WinAjuda, que ficará a cargo dos competentes Octávio Augusto e Paulo Seikishi Higa. Levo todos os sites comigo, no pendrive, logo, se alguma desgraça ocorrer durante o período, antes de fevereiro tudo voltará ao normal.

- Hm, alguém quer camarão?

Explicações sobre Dragon Ball AF

16 Jan

Dragon Ball é um lendário mangá criado por Akira Toriyama. Publicado por mais de uma década, ganhou uma versão em desenho animado na TV que, se não foi o mais difundido no mundo, um dos mais foi, sem dúvida. O roteiro gira em torno de Son Goku, um sayajin (alienígena) enviado à Terra para destruí-la, mas que em virtude de um “pequeno acidente” (ele cai de um penhasco, e bate a cabeça no chão - entendeu as aspas?), esquece sua missão, e passa a proteger nosso querido mundinho com todas as suas forças. Hoje é difícil encontrar alguém que nunca tenha ao menos ouvido falar desta série. Assisti todos os episódios da saga Z, que mostra Goku adulto, e li e tenho todos os mangás, em perfeito estado de conservação (um dia ainda os venderei por uma quantia milionária).

Embora na TV haja a divisão entre Dragon Ball e Dragon Ball Z, no mangá original não. É tudo a mesma história, sem interrupções ou mudanças de nomenclatura. Depois do término do mangá, alguns pupilos de Toriyama, com anuência deste, criaram o horrível Dragon Ball GT (Gran Tour), uma tosquíssima e viajada seqüência, com Goku voltando a ser criança, super sayajin nível quatro, e mais um monte de besteiras. Sujou a até então imaculada série, e embora existam doidos que tenham gostado dessa merda, tal série não passa disso, uma merda.

O problema é que fanboy é uma desgraça, e um dos males do mesmo é não saber quando algo já deu o que tinha que dar. Dragon Ball atingiu seu ápice no final da série Z. Era um desfecho esplêndido para um anime longo, revolucionário e cativante. Melaram tudo com o GT e, não satisfeitos, alguns fanboys resolveram criar e disseminar uma nova série: Dragon Ball AF.

Se no GT coisas sem noção já haviam sido criadas, no AF o nível desce ao fundo do poço. A própria imagem que desencadeou os inúmeros boatos sobre esta inexistente série já mostra isso: Goku super sayajin nível cinco. É tosco.

Goku super sayajin 5.

Suposto Goku Super Sayajin nível 5.

AF significa “After Future”, ou “Another Future”. A lenda acerca desta fictícia série começou em 1997, logo após o fim da GT. Nessa época, porém, não havia nomes, nem imagens: apenas o rumor pairava no ar… Em 2000, o fanart acima foi disponibilizado, desencadeando uma verdadeira febre em torno das “novas” aventuras de Goku e cia. No mesmo ano, em outubro, um documento extenso sobre AF surgiu no (hoje fora do ar) majin.com. Alguns anos mais tarde, em 2004, a “prova” que faltava para afirmar a “veracidade” da série apareceu: um pôster de divulgação.

Dragon Ball AF (mini).

Página fake!

O engraçado é que, segundo fontes, esses caracteres japoneses não significam absolutamente nada :D. Quem não entende japonês (chute: 90% da população), acreditou. Este pôster é, na verdade, uma montagem feita no Photoshop.

Ainda hoje há quem defenda a existência de Dragon Ball AF. O argumento da moda é que a série foi produzida nos Estados Unidos (sic), motivo pelo qual só foi exibida em canais privados, de pouco alcance/audiência.

Não precisa muito para constatar que isso é lorota. Clique aqui, veja as imagens, e pergunte a si mesmo: alguém, em sã consciência, exibiria estes desenhos medonhos na TV? Nem mesmo o mais aproveitador e oportunista dos produtores de TV faria isso.

Para que fique bem claro:

Dragon Ball AF non ecziste!

A quem souber espanhol (portunhol já quebra o galho), recomendo a leitura deste ótimo artigo, que inclusive serviu de base para este meu. Para saber mais sobre Dragon Ball, a entrada na Wikipédia inglesa e suas ramificações são ótimas fontes de informações. E, finalmente, para quem quiser entender os motivos que fazem de Dragon Ball um dos maiores ícones culturais de todos os tempos, procurem em algum sebo a revistinha Herói Mangá #01, da editora Conrad, lançada em abril de 2002. Nela há um texto cujo título (tosco, confesso) é Dragonball Z: além da porrada!, escrito pelo grande Mario AV, que guardarei para mostrar aos meus filhos, logo após apresentar-lhes minha coleção de mangás (só a venderei depois disso). Esta revistinha, aliás, era ótima: nesta mesma edição há uma matéria magnífica sobre outro blockbuster japonês, Evangelion. Uma pena terem cancelado ela tão precocemente (só durou três edições).