Arquivos do mês March 31e 2007

This is Sparta!

Há pouco mais de um ano, estava eu na locadora pegando o filme Sin City, baseado na obra literária homônima de Frank Miller, com uma expectativa imensa sobre o mesmo. A única coisa que havia lido do referido quadrinista era (e ainda hoje é) O Cavaleiro das Trevas, o quadrinho revolucionário dos anos oitenta que redefiniu o Batman. Apesar de toda a empolgação, foi uma decepção só. Ainda que muitos veículos de comunicação praticamente endeusem Sin City e seu estilo absolutamente fiel aos quadrinhos, eu particularmente achei uma grande porcaria.

Passado algum tempo, depois de fazer um sucesso estrondoso nos cinemas, chegou às locadoras V de Vingança, outro filme baseado numa graphic novel, só que desta vez do autor Alan Moore (embora o nome dele não apareça nos créditos, e ele recuse compulsivamente qualquer associação de seu nome ao filme – leia o segundo parágrafo deste texto). Apesar de, segundo entendidos, haverem discrepâncias marcantes entre os quadrinhos e o filme dos irmãos Wachowski (sim, os mesmos de Matrix), analisando o filme como tal, um simples e mero filme, ele é bem digerível, divertido e empolgante. Enfim, um Hollywood puro sangue.

Algum tempo depois, acompanhando alguns sites de cultura inútil, fiquei sabendo que a nova empreitada era transportar para as telonas 300, outra obra de Frank Miller, calcada na lendária Batalha das Termópilas, onde trezentos espartanos, liderados por Leônidas, se voltam contra o exército gigantesco do deus-rei persa Xerxes, em busca de liberdade. O receio de que tentassem, a exemplo de Sin City, fazer um quadrinho com movimento, meio que tirou minha empolgação com relação ao filme. Mas bastaram alguns trailers para que ela voltasse, e com força total.

300.

Também não li a HQ de 300, mas logo nos primeiros minutos de filme vê-se claramente a influência daquela neste. Tudo conspira para torná-lo épico – cenário, personagens, enredo -, mas tudo parece meio vazio, estranhamente quadrinizado, paradoxal à idéia grandiosa a qual o termo “épico” remete. É difícil explicar, mas a sensação é de que faltaram figurantes para determinadas cenas, e que os cenários, todos criados em computadores através da técnica Chroma Key (valeu Issamu!), são excessivamente artificiais, como em Star Wars II: O ataque dos clones (mas infinitamente mais bonitos). Felizmente essa sensação, pelo menos a mim, se restringiu aos primeiros minutos de exibição. Quando os soldados partem para a batalha, o cenário adquire constância, integrando-se perfeitamente à atmosfera proposta, complementando, com excelência, a exuberante beleza visual do longa.

Beleza, aliás, é um dos destaques de 300. A fotografia é de tirar o fôlego, a grandiosidade de determinadas cenas, chega a perturbar. Não há pudor barato, há sangue (virtual) jorrando sem parar nas que podem ser consideradas algumas das melhores cenas de batalha com espadas da história do cinema. Você fica extasiado logo na primeira, quando Leônidas desembesta e sai retalhando os persas, com efeitos de câmera em slow motion e closes estratégicos. É belíssimo de se ver!

300 (pôster).Gerard Butler simplesmente destrói interpretando Leônidas. Seu vigor, seus berros entusiasmantes e poderosos, criam uma espécie de aura mítica acerca da personagem. E falando em atores e coisas do tipo, Rodrigo Santoro está lá, mais estranho do que nunca. A menos que Butler seja muito baixinho, o brasileiro foi esticado, pois parecia ter uns três metros de altura. Sua voz, também, é deveras estranha. Cheguei a formular uma teoria de que ele foi dublado no filme, mas logo depois, lendo uma das críticas do Judão (que, aliás, fez um especial completíssimo do filme), descobri que a voz do brasuca foi modificada digitalmente, a fim de ter o tom “doce e forte como o trovão” que a HQ diz ter. Enfim, ele fala bastante, tem participação ativa, e até cumpre bem seu papel. Todavia, não sei se por implicância minha, ou se por ele ser ruim mesmo, sempre que o via na tela tinha aquela sensação de estar vendo novela das oito.

O longa é estupendo, o desenvolvimento impecável, e o final, de arrepiar os pêlos da nuca. O enredo, aliás, mistura narração em terceira pessoa, na voz de Dilios (David Wenham), com os próprios eventos da trama, sendo que ambos vez ou outra se encontram. O efeito final é muito bacana. Se vale a pena? Muito. Não arrisco dizer ser o melhor filme baseado em quadrinhos já feito (Homem Aranha me impede), mas um dos melhores, com certeza é. Este é o tipo de filme que ficará gravado na memória como o filme, parte da resposta à irrespondível questão “quais os seus filmes preferidos?”, paradigma para quaisquer longas épicos que venham a surgir a partir de agora. Enfim, um filmaço.

[tags]300, Esparta, Leônidas, Xerxes, Rodrigo Santoro, Frank Miller, Gerard Butler[/tags]

Ressaca

Não, ao contrário do que tanto me recomenda o duard, não enchi a cara, e nem pretendo fazê-lo. A ressaca a que me refiro no título deste post é a da implementação do novo tema do blog, que nem foi finalizada ainda, mesmo ele já estando num nível aceitável, algo em torno de 90% concluído. Dá uma preguiça de escrever, de corrigir os erros, de cumprir meus afazeres “offline”, enfim, de tudo.

A propósito, este post inaugura uma nova categoria: Curtas. A idéia é que ela sirva para pequenos textos, tal qual este. Não sei se vingará, embora deseje muito que dê certo. E para finalizar, ainda dentro do assunto categorias, aproveito o ensejo para dizer que dei uma pequena mexida nas mesmas, ou melhor, que acrescentei algumas (Passeios e viagens, Direito e Arquivos Secretos), movi posts de outras para estas, enfim, fiz um verdadeiro sarapatel, mas que no final, servirá para deixar as coisas mais organizadas. E você então pergunta: “O que eu tenho a ver com isso?”; e eu lhe respondo: “Nada :).

Pelo jeito terei que mudar o nome da categoria “Curtas” para “Médias”…

O novo tema do blog

Há quase um ano, criei e publiquei o agora antigo tema deste blog. Aquele foi, na minha limitada visão, um ótimo trabalho; em termos de design, fora o melhor layout que já fizera até então. Me esmerei muito, chegando ao ponto de comentar o CSS. Acrescentei plugins, implementei recursos, enfim, fiz o serviço completo. Mas o tempo passa, o tempo voa, e lá se vão dez meses desde então. Durante o período, fiz outros layouts, os quais alguns julgo serem melhores que aquele, aperfeiçoei minhas técnicas, melhorei como designer (não que eu seja grande coisa, mas…). Nada mais natural, então, do que reinterpretar o tema do meu blog.

Layout fora… (mini).A idéia inicial era lançá-lo somente no aniversário de dois anos, em maio. Mas mesmo estando tão distante de tal data, há alguns meses, empolgado com a descoberta dos layouts fluídos, me meti a criar um do tipo. Mais que isso, naquele malfadado protótipo, procurei deixar a página extremamente leve. Tanto o era, que apenas uma imagem, de menos de 1 KB, era usada, e ainda no CSS. Enfim, cliquem na imagem ao lado para ampliar, e vejam a desgraça.

Mostrei o esboço para a Heri, e ela foi taxativa: “está uma droga”. Vá lá, acho que não é de todo ruim (layout fluído é o máximo!), mas de fato, para este blog, estava longe do ideal. Depois deste banho de água fria, deixei a idéia meio de lado…

…Até o recomeço das aulas! Como todos que acompanham este espaço devem saber, passei por uma verdadeira via crucis no processo de mudança de Paranavaí para Maringá. Fiquei mais de um mês sem Internet, mas com o computador aqui. Nos momentos de folga, bem raros, aliás, o que me restava a fazer, no PC, era jogar, assistir Heroes e brincar de web design! E foi assim que este tema começou a ganhar forma.

Antes que alguém levante a mão, adianto: fui influenciado pelo tema atual do blog do Cris Dias. Mas quis fazer diferente… Mais interatividade, melhor organização, aparência mais suave, e tudo isso mantendo a identidade visual já consolidada do blog, fundada especialmente nas cores branca e azul clara, e nos ícones do pack Pastel. Mexendo quase todo dia um pouco, no Fireworks, fui dando forma ao layout, até chegar ao ponto exato, do jeito que eu concebera em minha mente alguns dias antes.

Daí para codificá-lo em XHTML/CSS, e depois, para a sopa de tags do WordPress, foi um pulo. Hoje, munido de coragem e falta do que fazer, coloquei no ar o novo tema, mesmo estando algumas áreas ainda pendentes (mais detalhes abaixo).

Detalhado o histórico do tema, passemos aos detalhes do mesmo, o que, cá entre nós, é a parte mais divertida deste texto chato. Comentarei o que fiz e deixei de fazer, o que mudei e o que deixei, gambiarras e afins. Vamos lá?

Começando do começo (!), queria deixar à vista informações que acredito sejam relevantes: quem sou eu, o que ando fazendo (porque egocentrismo pouco é bobagem!), e atalhos de navegação no blog. A melhor solução que encontrei, para um layout de uma coluna só, foi concentrar essas informações no topo, dividindo-as em três colunas. Tudo tranqüilo, exceto os menus drop’n down das categorias e arquivos. Precisei pesquisar muito para encontrar soluções. O das categorias consegui fazer funcionar graças ao plugin Zelig Dropdown Cats. Já o dos arquivos, fiz com recursos do próprio WordPress, graças a um tópico do fórum de suporte oficial (sorry, perdi o link). O Firefox encrespou com eles, mas isso eu corrijo depois.

Sombras nos títulos.Todos os títulos são duplos. Isso significa que, abaixo do principal, há uma espécie de sombra… Enfim, acho que deu pra perceber, não? Minha inspiração para criar isso veio do site Letras de músicas. Há séculos que havia visto o recurso implementado lá, mas só agora consegui fazer funcionar, além de encontrar uma oportunidade propícia para tal. Já percebi que as sombras meio que falham em todos os navegadores, exceto no Opera.

Continuando nas influências, o background fixo, que acompanha a barra de rolagem (só para quem usa 1024×768 ou maior), foi inspirado num efeito semelhante criado pelo meu xará, o Rodrigo Muniz, em seu blog. O dele fica no rodapé e está à frente do conteúdo. Ou seja, é bem mais bacanudo que o meu, mas a essência de ambos é a mesma. Particularmente, achei este ponto o mais legal deste tema. Para mim, este background fixo é aquele tipo de coisa que você olha, pensa, repensa, e conclui: “eu sou demais”. Não que eu seja demais, mas para os meus padrões de design, este trocinho é a coisa mais fenomenal do mundo.

Há alguns dias reativei minha conta no del.icio.us, e passei a usá-la com bastante regularidade. Tal qual o André “Marmota” fez em seu blog novo, acrescentei no final do meu também uma lista com as últimas entradas de lá. A propósito, se quiser assinar o feed da minha conta no del.icio.us, é só clicar aqui.

Ufa… Está acabando, prometo!

Aproveitei o ensejo para atualizar o WordPress, cuja versão que aqui estava instalada era pré-histórica (2.0.4). A atualização foi um sucesso, de modo que já está em funcionamento neste espaço a versão 2.1.2. Removi muitos plugins que não usava e/ou que julguei dispensáveis, e acrescentei outros, a saber:

De resto, muito POG, testes e retestes, modificações no projeto original, dor de cabeça, confusão… Mas no final, tudo certo. Digo, espero que dê tudo certo, pois como disse no começo do texto, há pontos pendentes. Preciso destacar melhor as orientações de onde o leitor está (arquivos, categorias e pesquisa), corrigir a bagunça que o box navegação está no Firefox, acrescentar o drop’n down dos blogs amigos, inserir as estatísticas do blog lá embaixo, no box Meta, e acho que é só.

Gostaria muito de receber um feedback deste novo tema. Mudei radicalmente o visual do blog, bem como a estrutura de visualização, logo, não sei como será a recepção por parte de vocês, leitores. Conto com a vossa sinceridade: elogiem se acharem que mereço, ou detonem meu tema, caso ele esteja realmente podre.

Obrigado!

[tags]WordPress, Tema, Theme, Plugin[/tags]

Mudanças III: a missão

D-Link DSL-500B.Acabou o tormento!

Depois de mais de um mês longe da Internet, fazendo malabarismos (e abusando da paciência da namorada) para manter os sites atualizados; depois de duas mudanças traumáticas, sendo a última ainda em curso; depois de uma decepção com um modem bichado, e outra com o novo que não funcionava nem com reza brava; depois de encarar quase uma hora ao telefone com o suporte da GVT, e o pior, tal via crucis não resolver o problema; e por fim, depois de mexer numa configuração do além no recém-adquirido D-Link DSL-500B, finalmente consegui me conectar à Internet a partir do meu apartamento em Maringá!

Estou eufórico! :D . E nem a previsão de que amanhã eu provavelmente dormirei legal na aula de Comercial II me tira o ânimo, primeiro porque voltei a ter acesso irrestrito à Internet, e segundo porque resolvi um pepino que nem o suporte da GVT, meu novo provedor de Internet, conseguiu (sim, porque modéstia é para os fracos!).

Vou dormir, mas não sem antes prometer que, a partir de amanhã, a tão sonhada, prometida e desejada normalidade virtual volta.

Visita à Itaipu Binacional

No dia nove de março, sexta-feira, fui até Foz do Iguaçu com alunos do curso de Engenharia Química da UEM, incluindo aí minha digníssima namorada, a Heri, que aliás foi quem me incluiu na viagem. Lá, visitamos a hidrelétrica Itaipu Binacional, o Parque Nacional do Iguaçu e o Paraguai. Foi uma viagem incrível, riquíssima em informações, impressões e imagens. Documentei tudo, e agora, na forma de três textos, descreverei este dia memorável.

Nossa primeira parada, e objeto deste primeiro texto, foi a grandiosa Itaipu Binacional. A hidrelétrica, maior do mundo em produção de energia (nem mesmo aquela da China consegue batê-la neste quesito), impressiona em cada detalhe. Fruto de um tratado entre Brasil e Paraguai, as obras tiveram início em 1978, e só terminaram em 1991. Ao todo, passaram por lá mais de cem mil trabalhadores, sendo que, no ápice da construção, mais de quarenta mil homens trabalharam simultaneamente. Detalhe: a cidade de Foz do Iguaçu, naquele tempo, tinha cerca de trinta mil habitantes. O canteiro era de proporções tão mastodônticas, que haviam várias fábricas de concreto e gelo dentro da própria usina. Motivo? Evitar que a temperatura do concreto variasse, comprometendo assim a estrutura. Ao todo, há vinte turbinas em Itaipu, sendo que as duas últimas foram inauguradas ano passado. Cada turbina gera 700 MW. Em virtude do tratado assinado pelos dois países, toda a energia gerada na hidrelétrica deve, obrigatoriamente, ser dividida entre ambos. O Paraguai usa 7% da energia gerada lá, e isto é o bastante para abastecer o país inteiro; o Brasil gasta, além dos 50% a que tem direito, o excedente paraguaio, totalizando 93% de consumo, valor este suficiente para abastecer cerca de 26% do território nacional.

O passeio começa de ônibus. Fomos acompanhados de uma guia e uma estagiária, as quais minha fraca memória fez o favor de esquecer os nomes. A primeira parada foi para ver o vertedouro, que para nossa sorte estava aberto, proporcionando um espetáculo à parte:

Vertedouro.

O vertedouro é a parte da hidrelétrica que regula o volume de água do reservatório. Quando este está cheio, aquele é aberto a fim de aliviar a carga. O mais legal é que, mesmo muito distante do vertedouro, conforme a foto acima mostra, gotículas de água nos atingiam, formando uma quase-chuva.

Dali, fomos a uma espécie de “varanda”, onde é possível ter uma visão panorâmica de toda a usina. É o momento onde a magnitude de Itaipu se mostra com toda sua força.

Itaipu.

A próxima parada é no ponto mais aguardado por todos: o interior da usina. Logo na entrada, nos deparamos com as tubulações das turbinas. São os maiores canos que já vi na vida!

Tubulações.

Entramos em várias salas, nas quais as guias, através de painéis e fotos, explicaram o funcionamento de Itaipu. Um detalhe deveras curioso é que muitas partes da estrutura têm, pasmem, isopor nas junções do concreto.

Isopor no concreto.

O isopor serve como um amortecedor. Toda a usina treme bastante, e caso ele não estivesse ali, esta trepidação desgastaria o concreto. Aliás, dentro da usina, o chão treme! Num primeiro momento chega a ser assustador, mas depois acostuma-se com o balanço.

Antes de dissecarmos o supra sumo da viagem, pausa para o momento nerd.

A maior parte dos materiais tecnológicos usados lá são da Siemens. Sim, aquela mesma Siemens que se juntou com a BenQ no ramo da telefonia móvel, e juntas produzem os piores celulares do mercado.

Eles usam Windows! A imagem abaixo mostra este flagra:

Windows em Itaipu!

Ela está meio desfocada, mas com um pouco de esforço dá para ver o Internet Explorer aberto, o tema clássico sendo usado, e um daqueles papéis de parede padrões do Windows XP ao fundo. Linuxers, chupem!

Tanta tecnologia, tanta excelência, mas eis que, em meio a este mar de rosas, o que eu encontro? Uma pré-histórica impressora HP Deskjet 690. Eu tive uma dessas há uns dez anos, foi minha primeira impressora, inclusive.

HP 690.

Tá, chega, voltemos à usina. A essa altura, estávamos próximos de chegar às turbinas. Logo na entrada, outra grata surpresa: uma das novas turbinas abertas! A 9a estava com defeito, e por isso, aberta. Aliás, só neste tipo de ocasião as turbinas são abertas.

Turbina 9a aberta.

Lá embaixo, o calor beira o insuportável. Tínhamos que usar um capacete laranja escroto, e além disso, um fone de ouvido sem fio sintonizado ao microfone da guia, que embora fosse bacana e tudo mais, incomodava muito. Enfim, segurança e tal… Fazer o que, não?

Avançamos por salões imensos, todos com muitas máquinas, todas automatizadas. A guia comentou que esta automação vez ou outra gera frustração em quem visita o local. As pessoas ficam desapontadas por não encontrarem nenhum funcionário correndo para lá e para cá, mexendo nas máquinas num ritmo frenético, essas coisas de filmes.

Salões.

Finalmente, a turbina em ação! Gira muito rápido, é fora de série!

Turbina 11 em ação!

Me empolguei tanto que fiz um filme da turbina 11. Vejam:

Exaustos, afinal andamos e subimos escadas sob um calor escaldante, finalizamos o passeio fazendo o trajeto de volta por cima da barragem. São quase oito quilômetros de uma beleza incomensurável.

Vertedouro por cima.

À noite, antes de retornarmos para Maringá, voltamos à usina para vermos o comentado show de luzes. Confesso que fiquei um pouco desapontado… Muito se falou sobre este evento, e a produção dele é toda pomposa, detalhes estes que só fizeram aumentar a expectativa. Infelizmente, o show se resume a uma música tosca (e excessivamente alta) de fundo, e o puro e simples acendimento das luzes. Achei que rolava uma integração luzes-música, um negócio meio discoteca, tuts-tuts e tal. Apesar dos pesares, e de ser aquém do esperado, não deixa de ser um belo espetáculo:

Show de luzes.

E este foi o primeiro passeio! Logo, logo, publico o relato do segundo, que foi a aventura em Ciudad del Este, e por fim, o último, da visita às deslumbrantes Cataratas do Iguaçu. Até lá!

***

Fiz um pacote com as fotos que tirei de Itaipu. São 51 imagens, todas na resolução 1024×768, totalizando 18,7 MB. Vale a pena, são imagens belíssimas.

[tags]Itaipu, Binacional, Hidrelétrica, Obra, Construção

Um alô no meio da tempestade

Meio fresco o título deste texto, não? Eu achei. E achei também que ele traduz com muita precisão meu momento atual em relação à Internet e derivados.

Imagine a seguinte situação análoga: você é um caminhoneiro, e de repente, por motivo de força maior, se vê sem seu caminhão. Quando muito, consegue usar o da namorada para adiantar um pouco as encomendas. Troquem “caminhão” por “Internet”, e “encomenda” por “textos”, e entenderão minha angústia.

Depois de muita enrolação, burocracia e procura por um apartamento em Maringá, finalmente encontrei um na medida. Boa localização, estado de conservação aceitável, enfim, dá para o gasto. A Internet, provida pela GVT, já está encaminhada, e se a burocracia não emperrar as coisas, deverá ser instalada na próxima semana. Parece que, depois de mais de um mês de dificuldades as quais jamais imaginei que passaria, o tormento acabará.

Como já dito na metáfora acima, ando quebrando o galho usando a Internet da minha namorada. Não é o mesmo que usar o meu próprio, na minha própria casa, com todo o tempo do mundo. Inclusive já comentei com ela que tenho bastante dificuldade em produzir fora do meu habitat. Em todo caso, melhor isso que nada, e embora minha incapacidade limite meu rendimento nos termos atuais, sou muito grato à Heri pela ajuda. Afinal, não basta ser namorada, tem que participar!

O mais frustrante disso tudo é que sempre critiquei editores que, por motivos pessoais, deixavam seus sites às moscas, ou seja, estiveram na mesma posição em que me encontro agora. De fato, não dá para cuspir para cima; as chances de cair na testa são de uma em uma. Hoje sinto na pele as dificuldades que uma mudança relativamente pequena desencadeia, e posso dizer que é complicadíssimo. Tudo bem que o WinAjuda, que é o site que mais demanda atenção (atualizações diárias), estou conseguindo manter sem engasgos, mas poderia estar, no mínimo, três vezes melhor.

Mas chega de chorumelas. Nos momentos tristes e solitários de PC offline, ando preparando boas novidades para alguns dos sites que administro, incluindo este blog. Não darei prazos, nem uma data aproximada, apenas prometerei que, quando eu voltar, será para valer. De verdade.

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

Adorada pelos masoquistas, fermento para belas obras, companheira dos mal amados. A solidão, ainda que dolorosa e desumana, tem um papel marcante na vida de todos nós. Até o mais animado dos fanfarrões tem seus momentos solos, onde a única companhia, se é que pode assim ser chamada, é a consciência. Momentos onde nada exterior importa, onde remoer fatos passados é a única atividade possível, onde é só você e você mesmo.

Gabriel García Márquez, como o próprio se define, é um escritor solitário. Dizia ele que todo escritor, por mais livros que redija, está sempre a escrever um só, sendo que o seu é o livro da solidão. O colombiano, prêmio Nobel de literatura em 1982, deu à luz a obra Cem anos de solidão, já comentada e enaltecida por outros bloggers, com todos os méritos.

O livro narra a trajetória dos Buendía, família simples de um país qualquer da América Central que, junto com outras e movida pela excentricidade de seu patriarca, José Arcadio Buendía, cria um povoado denominado Macondo, que dali a algum tempo se transforma em cidade, prospera, atinge seu ápice, cai em decadência, retorna aos dias de glória, e assim vai, em altos e baixos. Várias gerações da família são mostradas no livro; na realidade, todas elas, a partir de José Arcadio Buendía, o são.

Cem anos de solidão.Conta o próprio García Márquez que este livro é uma mera tentativa de reproduzir as estórias que sua avó contava na sua infância. Esta forte influência fica clara nas partes fantasiosas da obra, e salvo uma ou outra discrepância, muitos hão de reconhecê-las, com outros nomes, locais e datas. A verdade é que Cem anos de solidão é um livro absolutamente fantástico. Há muito tempo não lia algo tão prazeroso, despretensioso e suave. García Márquez tem um dom espetacular de medir palavras, transmitir, sob a forma de letras, tranqüilidade, surpresa e alegria. Sua sensibilidade para com a escrita chega a ser assombrosa ante a qualidade do seu texto.

Mesmo que você se confunda com vários Aurelianos, Josés Arcadios e outros homônimos tão comuns no livro, não se intimide e vá em frente. Não se trata de um livro técnico, ou de um romance com uma trama complexa, mas apenas de uma fábula moderna adaptada a um bem feito e sólido contexto. Cem Anos de Solidão é, se não o melhor, um dos melhores livros que já li. E olha que foram muitos.

[tags]Cem anos de solidão, Cien años de soledad, Gabriel García Márquez, Buendía, Macondo[/tags]