Visita à Itaipu Binacional

No dia nove de março, sexta-feira, fui até Foz do Iguaçu com alunos do curso de Engenharia Química da UEM, incluindo aí minha digníssima namorada, a Heri, que aliás foi quem me incluiu na viagem. Lá, visitamos a hidrelétrica Itaipu Binacional, o Parque Nacional do Iguaçu e o Paraguai. Foi uma viagem incrível, riquíssima em informações, impressões e imagens. Documentei tudo, e agora, na forma de três textos, descreverei este dia memorável.

Nossa primeira parada, e objeto deste primeiro texto, foi a grandiosa Itaipu Binacional. A hidrelétrica, maior do mundo em produção de energia (nem mesmo aquela da China consegue batê-la neste quesito), impressiona em cada detalhe. Fruto de um tratado entre Brasil e Paraguai, as obras tiveram início em 1978, e só terminaram em 1991. Ao todo, passaram por lá mais de cem mil trabalhadores, sendo que, no ápice da construção, mais de quarenta mil homens trabalharam simultaneamente. Detalhe: a cidade de Foz do Iguaçu, naquele tempo, tinha cerca de trinta mil habitantes. O canteiro era de proporções tão mastodônticas, que haviam várias fábricas de concreto e gelo dentro da própria usina. Motivo? Evitar que a temperatura do concreto variasse, comprometendo assim a estrutura. Ao todo, há vinte turbinas em Itaipu, sendo que as duas últimas foram inauguradas ano passado. Cada turbina gera 700 MW. Em virtude do tratado assinado pelos dois países, toda a energia gerada na hidrelétrica deve, obrigatoriamente, ser dividida entre ambos. O Paraguai usa 7% da energia gerada lá, e isto é o bastante para abastecer o país inteiro; o Brasil gasta, além dos 50% a que tem direito, o excedente paraguaio, totalizando 93% de consumo, valor este suficiente para abastecer cerca de 26% do território nacional.

O passeio começa de ônibus. Fomos acompanhados de uma guia e uma estagiária, as quais minha fraca memória fez o favor de esquecer os nomes. A primeira parada foi para ver o vertedouro, que para nossa sorte estava aberto, proporcionando um espetáculo à parte:

Vertedouro.

O vertedouro é a parte da hidrelétrica que regula o volume de água do reservatório. Quando este está cheio, aquele é aberto a fim de aliviar a carga. O mais legal é que, mesmo muito distante do vertedouro, conforme a foto acima mostra, gotículas de água nos atingiam, formando uma quase-chuva.

Dali, fomos a uma espécie de “varanda”, onde é possível ter uma visão panorâmica de toda a usina. É o momento onde a magnitude de Itaipu se mostra com toda sua força.

Itaipu.

A próxima parada é no ponto mais aguardado por todos: o interior da usina. Logo na entrada, nos deparamos com as tubulações das turbinas. São os maiores canos que já vi na vida!

Tubulações.

Entramos em várias salas, nas quais as guias, através de painéis e fotos, explicaram o funcionamento de Itaipu. Um detalhe deveras curioso é que muitas partes da estrutura têm, pasmem, isopor nas junções do concreto.

Isopor no concreto.

O isopor serve como um amortecedor. Toda a usina treme bastante, e caso ele não estivesse ali, esta trepidação desgastaria o concreto. Aliás, dentro da usina, o chão treme! Num primeiro momento chega a ser assustador, mas depois acostuma-se com o balanço.

Antes de dissecarmos o supra sumo da viagem, pausa para o momento nerd.

A maior parte dos materiais tecnológicos usados lá são da Siemens. Sim, aquela mesma Siemens que se juntou com a BenQ no ramo da telefonia móvel, e juntas produzem os piores celulares do mercado.

Eles usam Windows! A imagem abaixo mostra este flagra:

Windows em Itaipu!

Ela está meio desfocada, mas com um pouco de esforço dá para ver o Internet Explorer aberto, o tema clássico sendo usado, e um daqueles papéis de parede padrões do Windows XP ao fundo. Linuxers, chupem!

Tanta tecnologia, tanta excelência, mas eis que, em meio a este mar de rosas, o que eu encontro? Uma pré-histórica impressora HP Deskjet 690. Eu tive uma dessas há uns dez anos, foi minha primeira impressora, inclusive.

HP 690.

Tá, chega, voltemos à usina. A essa altura, estávamos próximos de chegar às turbinas. Logo na entrada, outra grata surpresa: uma das novas turbinas abertas! A 9a estava com defeito, e por isso, aberta. Aliás, só neste tipo de ocasião as turbinas são abertas.

Turbina 9a aberta.

Lá embaixo, o calor beira o insuportável. Tínhamos que usar um capacete laranja escroto, e além disso, um fone de ouvido sem fio sintonizado ao microfone da guia, que embora fosse bacana e tudo mais, incomodava muito. Enfim, segurança e tal… Fazer o que, não?

Avançamos por salões imensos, todos com muitas máquinas, todas automatizadas. A guia comentou que esta automação vez ou outra gera frustração em quem visita o local. As pessoas ficam desapontadas por não encontrarem nenhum funcionário correndo para lá e para cá, mexendo nas máquinas num ritmo frenético, essas coisas de filmes.

Salões.

Finalmente, a turbina em ação! Gira muito rápido, é fora de série!

Turbina 11 em ação!

Me empolguei tanto que fiz um filme da turbina 11. Vejam:

Exaustos, afinal andamos e subimos escadas sob um calor escaldante, finalizamos o passeio fazendo o trajeto de volta por cima da barragem. São quase oito quilômetros de uma beleza incomensurável.

Vertedouro por cima.

À noite, antes de retornarmos para Maringá, voltamos à usina para vermos o comentado show de luzes. Confesso que fiquei um pouco desapontado… Muito se falou sobre este evento, e a produção dele é toda pomposa, detalhes estes que só fizeram aumentar a expectativa. Infelizmente, o show se resume a uma música tosca (e excessivamente alta) de fundo, e o puro e simples acendimento das luzes. Achei que rolava uma integração luzes-música, um negócio meio discoteca, tuts-tuts e tal. Apesar dos pesares, e de ser aquém do esperado, não deixa de ser um belo espetáculo:

Show de luzes.

E este foi o primeiro passeio! Logo, logo, publico o relato do segundo, que foi a aventura em Ciudad del Este, e por fim, o último, da visita às deslumbrantes Cataratas do Iguaçu. Até lá!

***

Fiz um pacote com as fotos que tirei de Itaipu. São 51 imagens, todas na resolução 1024×768, totalizando 18,7 MB. Vale a pena, são imagens belíssimas.

[tags]Itaipu, Binacional, Hidrelétrica, Obra, Construção

17 Respostas para “Visita à Itaipu Binacional”


  • Rodrigão meu broder, bonito mesmo. passeio imperdível.
    Abração

  • Uau! ehhehe

    Com a 2ª imagem do post já dá pra ter uma idéia de como é grande e bonito lá!
    Tou escrevendo aqui esperando acabar o dl das fotos ehehhe

    []s

  • É muito estranho usar isopor na estrutura. Pode derreter.

    Podiam por neoprene, igual em pontes.

  • Eu ainda vou pra Foz visitar essa usina…
    Muito bacana o relato, essa visita que você fez é padrão para visitantes ou foi preparado para o curso de Eng. Química?

  • Cara, muito bom heim!
    O passeio por lá deve ser bem legal.
    Conheci uma usina, a de Furnas, mas essa ai nem se compara em tamanho.

    Abraços.

  • Eu já fui lá também, mas por fotos não se tem nem idéias de como isso é grande.
    Tente imaginar o tamanho, veja na parte direita da segunda foto do post: Um prédio bem largo (de oito andares, se não me engano). Veja o tamanho dele na foto e imaine um de verdade.
    Só indo lá mesmo para ver e ter uma noção do tamanho.

    Ghedin, aquilo que você chamou de uma espécie de varanda, acho que se chama mirante.

    Muito bom esse post!

  • hahahaha bibosa tinha que ter o seu momento nerd neh, se nao nao seria teu blog!! a hora que eu vi voce falando que o cara usa windowns e o tipo d empressora que ele tem eu pensei “putzz, essa eh a biba” achei que muito interessante essa visita sua, e eu adorei as luzes a noite, voce com essa sua frescura de tuns tunts nao sei porque nao gosto que coisa de viado biba, foi bonito sim!! e pow que passa que as comportas tavam abertas, a ultima vez que eu fui elas tavam tb muito lindo neh? mtoo impressionante isso sim..

    bibinhaaaaa saudades de ti!!
    beijaao

  • olha eu não conheço ao vivo mais sei que este ano vou conhecer por fotos e muito bonito sou fã desta barragem faço faculdadede geografia então estamos sempre visitando o site as fotos é muito lindo bhaahah shou.

  • Adorei suas fotos cara, sempre fui facinado por esta usina ,ainda não tive a oportunidade de visita-la,mantenha este blog ,para que à distancia nós possamos curtir estas belissimas imagens.

  • passei por perto dessa usina e não pude parar para observar com atenção mais estou me organizando para uma vsita a esta beleza. c alguemestiver algumas novidades interessante desta usina por favor me mande .obrigado

  • fjlkdsjflab lkjfldscjlkdsa jjjjjjerojtoierjlçtteoiijteroioiujiouoij lkj lj flijpwerjtoiujoiuteroi iu iuuuuuuuu ihvxckj

  • Um lugar miuto lindo,um enquanto de lugar ,onde so a lugares bo0itos …….”foz do iguaçu”
    muito lindo … quero diser q parabens aqueles q projetaram muito bem ..obra de deus
    q deus te abensoe

  • Parabéns, me ajudou muito em um trabalho na facu!

  • Eu estou fazendo um trabalho sobre a itaipu “historia, dados etc. E achei muito interesante suas fotos e comentarios. Seria de grande utilidade se tivesse mais algumas informaçoes ou fotos.
    Desde já muito obrigado.

  • Estou fazendo uma pesquisa sobre a usina, e vc com esse trabalho me ajudou muito. descobri quantos Hps gera cada turbina 690 e quantos MW 700.so faltou vc informar quantas rotaçoes tem cada turbina. Ja tinha muito interesse em conhecer ITAIPU, e vc aguçou ainda mais o meu interesse com o seu trabalho. meus parabéns,um abraço!

  • Adorei as fotos era tudo o q eu presisava…

  • muito bonitas as suas fotos, aproveite também para visitar as cataratas um abraço….

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