Depois de mais de um mês longe da Internet, fazendo malabarismos (e abusando da paciência da namorada) para manter os sites atualizados; depois de duas mudanças traumáticas, sendo a última ainda em curso; depois de uma decepção com um modem bichado, e outra com o novo que não funcionava nem com reza brava; depois de encarar quase uma hora ao telefone com o suporte da GVT, e o pior, tal via crucis não resolver o problema; e por fim, depois de mexer numa configuração do além no recém-adquirido D-Link DSL-500B, finalmente consegui me conectar à Internet a partir do meu apartamento em Maringá!
Estou eufórico! . E nem a previsão de que amanhã eu provavelmente dormirei legal na aula de Comercial II me tira o ânimo, primeiro porque voltei a ter acesso irrestrito à Internet, e segundo porque resolvi um pepino que nem o suporte da GVT, meu novo provedor de Internet, conseguiu (sim, porque modéstia é para os fracos!).
Vou dormir, mas não sem antes prometer que, a partir de amanhã, a tão sonhada, prometida e desejada normalidade virtual volta.
No dia nove de março, sexta-feira, fui até Foz do Iguaçu com alunos do curso de Engenharia Química da UEM, incluindo aí minha digníssima namorada, a Heri, que aliás foi quem me incluiu na viagem. Lá, visitamos a hidrelétrica Itaipu Binacional, o Parque Nacional do Iguaçu e o Paraguai. Foi uma viagem incrível, riquíssima em informações, impressões e imagens. Documentei tudo, e agora, na forma de três textos, descreverei este dia memorável.
Nossa primeira parada, e objeto deste primeiro texto, foi a grandiosa Itaipu Binacional. A hidrelétrica, maior do mundo em produção de energia (nem mesmo aquela da China consegue batê-la neste quesito), impressiona em cada detalhe. Fruto de um tratado entre Brasil e Paraguai, as obras tiveram início em 1978, e só terminaram em 1991. Ao todo, passaram por lá mais de cem mil trabalhadores, sendo que, no ápice da construção, mais de quarenta mil homens trabalharam simultaneamente. Detalhe: a cidade de Foz do Iguaçu, naquele tempo, tinha cerca de trinta mil habitantes. O canteiro era de proporções tão mastodônticas, que haviam várias fábricas de concreto e gelo dentro da própria usina. Motivo? Evitar que a temperatura do concreto variasse, comprometendo assim a estrutura. Ao todo, há vinte turbinas em Itaipu, sendo que as duas últimas foram inauguradas ano passado. Cada turbina gera 700 MW. Em virtude do tratado assinado pelos dois países, toda a energia gerada na hidrelétrica deve, obrigatoriamente, ser dividida entre ambos. O Paraguai usa 7% da energia gerada lá, e isto é o bastante para abastecer o país inteiro; o Brasil gasta, além dos 50% a que tem direito, o excedente paraguaio, totalizando 93% de consumo, valor este suficiente para abastecer cerca de 26% do território nacional.
O passeio começa de ônibus. Fomos acompanhados de uma guia e uma estagiária, as quais minha fraca memória fez o favor de esquecer os nomes. A primeira parada foi para ver o vertedouro, que para nossa sorte estava aberto, proporcionando um espetáculo à parte:
O vertedouro é a parte da hidrelétrica que regula o volume de água do reservatório. Quando este está cheio, aquele é aberto a fim de aliviar a carga. O mais legal é que, mesmo muito distante do vertedouro, conforme a foto acima mostra, gotículas de água nos atingiam, formando uma quase-chuva.
Dali, fomos a uma espécie de “varanda”, onde é possível ter uma visão panorâmica de toda a usina. É o momento onde a magnitude de Itaipu se mostra com toda sua força.
A próxima parada é no ponto mais aguardado por todos: o interior da usina. Logo na entrada, nos deparamos com as tubulações das turbinas. São os maiores canos que já vi na vida!
Entramos em várias salas, nas quais as guias, através de painéis e fotos, explicaram o funcionamento de Itaipu. Um detalhe deveras curioso é que muitas partes da estrutura têm, pasmem, isopor nas junções do concreto.
O isopor serve como um amortecedor. Toda a usina treme bastante, e caso ele não estivesse ali, esta trepidação desgastaria o concreto. Aliás, dentro da usina, o chão treme! Num primeiro momento chega a ser assustador, mas depois acostuma-se com o balanço.
Antes de dissecarmos o supra sumo da viagem, pausa para o momento nerd.
A maior parte dos materiais tecnológicos usados lá são da Siemens. Sim, aquela mesma Siemens que se juntou com a BenQ no ramo da telefonia móvel, e juntas produzem os piores celulares do mercado.
Eles usam Windows! A imagem abaixo mostra este flagra:
Ela está meio desfocada, mas com um pouco de esforço dá para ver o Internet Explorer aberto, o tema clássico sendo usado, e um daqueles papéis de parede padrões do Windows XP ao fundo. Linuxers, chupem!
Tanta tecnologia, tanta excelência, mas eis que, em meio a este mar de rosas, o que eu encontro? Uma pré-histórica impressora HP Deskjet 690. Eu tive uma dessas há uns dez anos, foi minha primeira impressora, inclusive.
Tá, chega, voltemos à usina. A essa altura, estávamos próximos de chegar às turbinas. Logo na entrada, outra grata surpresa: uma das novas turbinas abertas! A 9a estava com defeito, e por isso, aberta. Aliás, só neste tipo de ocasião as turbinas são abertas.
Lá embaixo, o calor beira o insuportável. Tínhamos que usar um capacete laranja escroto, e além disso, um fone de ouvido sem fio sintonizado ao microfone da guia, que embora fosse bacana e tudo mais, incomodava muito. Enfim, segurança e tal… Fazer o que, não?
Avançamos por salões imensos, todos com muitas máquinas, todas automatizadas. A guia comentou que esta automação vez ou outra gera frustração em quem visita o local. As pessoas ficam desapontadas por não encontrarem nenhum funcionário correndo para lá e para cá, mexendo nas máquinas num ritmo frenético, essas coisas de filmes.
Finalmente, a turbina em ação! Gira muito rápido, é fora de série!
Me empolguei tanto que fiz um filme da turbina 11. Vejam:
Exaustos, afinal andamos e subimos escadas sob um calor escaldante, finalizamos o passeio fazendo o trajeto de volta por cima da barragem. São quase oito quilômetros de uma beleza incomensurável.
À noite, antes de retornarmos para Maringá, voltamos à usina para vermos o comentado show de luzes. Confesso que fiquei um pouco desapontado… Muito se falou sobre este evento, e a produção dele é toda pomposa, detalhes estes que só fizeram aumentar a expectativa. Infelizmente, o show se resume a uma música tosca (e excessivamente alta) de fundo, e o puro e simples acendimento das luzes. Achei que rolava uma integração luzes-música, um negócio meio discoteca, tuts-tuts e tal. Apesar dos pesares, e de ser aquém do esperado, não deixa de ser um belo espetáculo:
E este foi o primeiro passeio! Logo, logo, publico o relato do segundo, que foi a aventura em Ciudad del Este, e por fim, o último, da visita às deslumbrantes Cataratas do Iguaçu. Até lá!
Meio fresco o título deste texto, não? Eu achei. E achei também que ele traduz com muita precisão meu momento atual em relação à Internet e derivados.
Imagine a seguinte situação análoga: você é um caminhoneiro, e de repente, por motivo de força maior, se vê sem seu caminhão. Quando muito, consegue usar o da namorada para adiantar um pouco as encomendas. Troquem “caminhão” por “Internet”, e “encomenda” por “textos”, e entenderão minha angústia.
Depois de muita enrolação, burocracia e procura por um apartamento em Maringá, finalmente encontrei um na medida. Boa localização, estado de conservação aceitável, enfim, dá para o gasto. A Internet, provida pela GVT, já está encaminhada, e se a burocracia não emperrar as coisas, deverá ser instalada na próxima semana. Parece que, depois de mais de um mês de dificuldades as quais jamais imaginei que passaria, o tormento acabará.
Como já dito na metáfora acima, ando quebrando o galho usando a Internet da minha namorada. Não é o mesmo que usar o meu próprio, na minha própria casa, com todo o tempo do mundo. Inclusive já comentei com ela que tenho bastante dificuldade em produzir fora do meu habitat. Em todo caso, melhor isso que nada, e embora minha incapacidade limite meu rendimento nos termos atuais, sou muito grato à Heri pela ajuda. Afinal, não basta ser namorada, tem que participar!
O mais frustrante disso tudo é que sempre critiquei editores que, por motivos pessoais, deixavam seus sites às moscas, ou seja, estiveram na mesma posição em que me encontro agora. De fato, não dá para cuspir para cima; as chances de cair na testa são de uma em uma. Hoje sinto na pele as dificuldades que uma mudança relativamente pequena desencadeia, e posso dizer que é complicadíssimo. Tudo bem que o WinAjuda, que é o site que mais demanda atenção (atualizações diárias), estou conseguindo manter sem engasgos, mas poderia estar, no mínimo, três vezes melhor.
Mas chega de chorumelas. Nos momentos tristes e solitários de PC offline, ando preparando boas novidades para alguns dos sites que administro, incluindo este blog. Não darei prazos, nem uma data aproximada, apenas prometerei que, quando eu voltar, será para valer. De verdade.