Archive for March, 2007

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

Thursday, March 8th, 2007

Adorada pelos masoquistas, fermento para belas obras, companheira dos mal amados. A solidão, ainda que dolorosa e desumana, tem um papel marcante na vida de todos nós. Até o mais animado dos fanfarrões tem seus momentos solos, onde a única companhia, se é que pode assim ser chamada, é a consciência. Momentos onde nada exterior importa, onde remoer fatos passados é a única atividade possível, onde é só você e você mesmo.

Gabriel García Márquez, como o próprio se define, é um escritor solitário. Dizia ele que todo escritor, por mais livros que redija, está sempre a escrever um só, sendo que o seu é o livro da solidão. O colombiano, prêmio Nobel de literatura em 1982, deu à luz a obra Cem anos de solidão, já comentada e enaltecida por outros bloggers, com todos os méritos.

O livro narra a trajetória dos Buendía, família simples de um país qualquer da América Central que, junto com outras e movida pela excentricidade de seu patriarca, José Arcadio Buendía, cria um povoado denominado Macondo, que dali a algum tempo se transforma em cidade, prospera, atinge seu ápice, cai em decadência, retorna aos dias de glória, e assim vai, em altos e baixos. Várias gerações da família são mostradas no livro; na realidade, todas elas, a partir de José Arcadio Buendía, o são.

Cem anos de solidão.Conta o próprio García Márquez que este livro é uma mera tentativa de reproduzir as estórias que sua avó contava na sua infância. Esta forte influência fica clara nas partes fantasiosas da obra, e salvo uma ou outra discrepância, muitos hão de reconhecê-las, com outros nomes, locais e datas. A verdade é que Cem anos de solidão é um livro absolutamente fantástico. Há muito tempo não lia algo tão prazeroso, despretensioso e suave. García Márquez tem um dom espetacular de medir palavras, transmitir, sob a forma de letras, tranqüilidade, surpresa e alegria. Sua sensibilidade para com a escrita chega a ser assombrosa ante a qualidade do seu texto.

Mesmo que você se confunda com vários Aurelianos, Josés Arcadios e outros homônimos tão comuns no livro, não se intimide e vá em frente. Não se trata de um livro técnico, ou de um romance com uma trama complexa, mas apenas de uma fábula moderna adaptada a um bem feito e sólido contexto. Cem Anos de Solidão é, se não o melhor, um dos melhores livros que já li. E olha que foram muitos.

[tags]Cem anos de solidão, Cien años de soledad, Gabriel García Márquez, Buendía, Macondo[/tags]

Domínio público

Tuesday, March 6th, 2007

O governo mantém o Domínio Público, um site deveras interessante que armazena e disponibiliza, gratuitamente, obras audio-visuais que caíram no domínio público (d’oh). O projeto foi lançado em novembro de 2004, e vem crescendo muito desde então. Só para se ter uma idéia do tamanho do acervo, há mais de 28 mil textos disponíveis, 5 mil imagens, quase 2 mil sons e pouco mais de 500 vídeos. Em termos de acessos, mês a mês o Domínio Público recebe mais visitantes, fechando o último, fevereiro, com consideráveis 210 mil únicos. E pensar que tudo começou com 500 obras e menos de 20 mil visitas/mês…

Domínio Público.

Dando uma rápida olhada nos textos disponíveis, encontrei vários grandes autores da humanidade, nacionais e internacionais. Tem Marx, Nietzsche, Dante Alighieri, Rousseau, Voltaire, Machado de Assis, Shakespeare, Platão, Aristóteles, Pero Vaz de Caminha, sem falar de obras específicas (Direito, Farmácia, Medicina, Engenharias…). É coisa que não acaba mais, e olha que só estou citando textos; ainda há vídeos, sons e imagens.

Há um e-mail rolando na Internet pedindo encarecidamente para que as pessoas acessem e divulguem o projeto, pois por falta de público, ele estaria em vias de ser fechado. Deve ser antigo, pois as já referidas estatísticas desmentem esta pseudo-possibilidade. Todavia, como eu gosto de divulgar o que é bom, aproveitei o ensejo e redigi este texto. Além do que, não é todo dia que uma iniciativa governamental de qualidade aparece, ainda mais na Internet.

Heroes entre nós

Monday, March 5th, 2007

Lost tem toda a atenção da mídia, uma legião gigante de fãs, e tudo mais. Assisti o primeiro episódio da primeira temporada e, confesso, não me empolguei. Um único episódio não é o bastante para formar opinião acerca de uma série, mas enfim, não conseguiu o básico: prender minha atenção, instigar-me a querer ver o segundo. Cogito a possibilidade de, num futuro próximo, tentar novamente assistir a série, mas por ora não.

Correndo pela tangente, uma outra série, sem muito destaque no Brasil (ainda) me conquistou logo de cara. A temática é, apesar de meio batida, sempre interessante: pessoas com super poderes desconbrindo-os, e a partir de determinado momento, usando-os para um fim nobre. Heroes já teve outros nomes, com outras personagens, e em outras mídias: Rising Stars, Watchmen, X-Men… Em comum, todos eles mostram a tragetória de descobrimento dos heróis, e o impacto que eles têm na sociedade.

Heroes.

Heroes tem mistérios, efeitos especiais bacanas, uma história empolgante e inteligente, e personagens extremamente marcantes e carismáticos (Hiro que o diga!). A produção é de primeira qualidade, e o desenrolar da trama é numa velocidade média: nem tão rápido, nem tão lento (este último, aliás, uma constante reclamação até mesmo entre fãs de Lost).

As personagens são variadas, e acredite, não são todas americanas. O mais legal deles, inclusive, é do Japão, e fugindo à mania americana de achar que todos os protagonistas de filmes e séries, independente de onde vivam, saibam inglês fluente, Hiro Nakamura só fala japonês (com legendas em inglês ao lado, claro). O poder dele é o controle do tempo e espaço, e fique tranqüilo, pois esta informação não é um spoiler. Está no hotsite brasileiro da série, junto com outras, de modo que sabê-la antes de começar a assistir Heroes não estraga o divertimento.

Hiro Nakamura.

Falando nisso, li no Judão que Heroes está passando no Brasil! Para ser mais específico, é no Universal Channel. Sei que o primeiro episódio foi ao ar sexta, mas não sei quando o próximo passará (neste ponto, o hotsite é uma bosta, já que não informa um “detalhe básico” desses). Como sou pobre, assisto via Canal P2P, com excelente qualidade, obrigado.

Série bacana, vale a pena acompanhar, mesmo com os problemas relatados por quem assistiu a estréia ontem. Todavia, se quiser qualidade e tudo mais, sem intervalos e com horário flexível, vá de Canal P2P.


Lifestream