Rodrigo Ghedin

Vamos trabalhar!

Publicado originalmente em 5 de janeiro de 2005.

Estava meio irritado com tudo e com todos nessa época. Fazia pouco menos de um mês que tinha sido despedido do escritório, ainda não tinha renda proveniente da Internet, minha insegurança para com o curso de Direito atingia seu nível mais alto desde sempre. Enfim, estava meio receoso em relação ao futuro.

Estava navegando em um fórum de adolescentes dia desses, e um dos tópicos me chamou a atenção. O assunto era qual a faculdade que eles pretendiam cursar. 95% disseram que pretendem cursar algo relacionado à informática, pois é o que eles gostam, blablablá… Pobres coitados. Informática não é a profissão do futuro. Quem pensa em fazer fortuna mantendo um host de fundo de quintal, ou então “desenhando” páginas, está viajando. Enfim, não é sobre isso que vou escrever, apenas citei o caso acima para exemplificar o verdadeiro assunto deste post: trabalhar no que se gosta.

Li certa vez, infelizmente não me lembro onde, que é um terrível engano as pessoas pensarem que se realizarão profissionalmente quando fizerem o que gostam. Segundo este mesmo artigo, o caminho é inverso: temos que gostar do que fazemos, almejar a excelência no trabalho, independente do que seja, se gostamos ou não, se o patrão é chato ou legal. No futuro, este comportamento renderá bons frutos. Por quê? É simples, lógico. Destacando-se na sua função, as chances de uma promoção aumentam consideravelmente; sendo mais produtivo, seu chefe ficará mais satisfeito, fato que se converte em mais regalias a você, podendo transformar-se até num aumento salarial. Além disso, há benefícios a nós mesmos. Minha mãe sempre diz que o que fazemos de bom gosto sai bem melhor do que o que fazemos a contra gosto. É exatamente esta a situação do trabalho, sem contar que nos sentimos melhores. Quando eu faço uma coisa contra a minha vontade, fico irritado, faço de qualquer jeito, e f***-se se gostarem ou não. Quando faço algo que me agrada, ou pelo menos que eu tenha a intenção de fazer bem, sou meticuloso ao extremo, o que resulta em um algo melhor.

Voltando ao artigo sem fonte, o autor critica veementemente o estigma que o brasileiro tem de achar que só é feliz quem faz o que gosta. Novamente, concordo. Até mesmo porque eu (ainda) estou nesse grupo sonhador. Mas estou me reeducando. Sempre tive a sensação de que as coisas vêm facilmente… Na minha antiga concepção, há um desequilíbrio descomunal entre trabalho e salário. E isso é errado, totalmente errado! Mas que droga, se é errado, por que eu acreditava nisso!? No meu ex-emprego, eu entrava às 8h, tinha um horário de almoço de 2h, e saía às 17h 30min. Era cansativo? Sim. Desgastante? Também. Chato!? Por vezes, sim. Mas era dignificante. Na sexta feira saía de lá com uma tranqüilidade que hoje invejo. “O trabalho dignifica o homem”… Exatamente isso. Não fazia nada que eu gosto. Era um estagiário misto de office boy e secretário. Mas aprendi a gostar do que fazia, e nos últimos tempos, estava batalhando para atingir a excelência. Fui despedido, mas esta é outra história…

Por ora não pretendo sair à caça de trabalho. Estou fazendo uns serviços de free lancer pela Internet, e está dando pra quebrar o galho. Aliás, esta é uma coisa que sempre quis: trabalho pela Internet, na hora que quero… Grande bosta.

Bom, vou ficando por aqui. O dever me chama!

[tags]Trabalho, Carreira, Emprego, ProBlogger[/tags]

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Publicado em 30 de April de 2007, às 11:20 am, na categoria Arquivos secretos.

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