Vamos trabalhar!

Publicado originalmente em 5 de janeiro de 2005.

Estava meio irritado com tudo e com todos nessa época. Fazia pouco menos de um mês que tinha sido despedido do escritório, ainda não tinha renda proveniente da Internet, minha insegurança para com o curso de Direito atingia seu nível mais alto desde sempre. Enfim, estava meio receoso em relação ao futuro.

Estava navegando em um fórum de adolescentes dia desses, e um dos tópicos me chamou a atenção. O assunto era qual a faculdade que eles pretendiam cursar. 95% disseram que pretendem cursar algo relacionado à informática, pois é o que eles gostam, blablablá… Pobres coitados. Informática não é a profissão do futuro. Quem pensa em fazer fortuna mantendo um host de fundo de quintal, ou então “desenhando” páginas, está viajando. Enfim, não é sobre isso que vou escrever, apenas citei o caso acima para exemplificar o verdadeiro assunto deste post: trabalhar no que se gosta.

Li certa vez, infelizmente não me lembro onde, que é um terrível engano as pessoas pensarem que se realizarão profissionalmente quando fizerem o que gostam. Segundo este mesmo artigo, o caminho é inverso: temos que gostar do que fazemos, almejar a excelência no trabalho, independente do que seja, se gostamos ou não, se o patrão é chato ou legal. No futuro, este comportamento renderá bons frutos. Por quê? É simples, lógico. Destacando-se na sua função, as chances de uma promoção aumentam consideravelmente; sendo mais produtivo, seu chefe ficará mais satisfeito, fato que se converte em mais regalias a você, podendo transformar-se até num aumento salarial. Além disso, há benefícios a nós mesmos. Minha mãe sempre diz que o que fazemos de bom gosto sai bem melhor do que o que fazemos a contra gosto. É exatamente esta a situação do trabalho, sem contar que nos sentimos melhores. Quando eu faço uma coisa contra a minha vontade, fico irritado, faço de qualquer jeito, e f***-se se gostarem ou não. Quando faço algo que me agrada, ou pelo menos que eu tenha a intenção de fazer bem, sou meticuloso ao extremo, o que resulta em um algo melhor.

Voltando ao artigo sem fonte, o autor critica veementemente o estigma que o brasileiro tem de achar que só é feliz quem faz o que gosta. Novamente, concordo. Até mesmo porque eu (ainda) estou nesse grupo sonhador. Mas estou me reeducando. Sempre tive a sensação de que as coisas vêm facilmente… Na minha antiga concepção, há um desequilíbrio descomunal entre trabalho e salário. E isso é errado, totalmente errado! Mas que droga, se é errado, por que eu acreditava nisso!? No meu ex-emprego, eu entrava às 8h, tinha um horário de almoço de 2h, e saía às 17h 30min. Era cansativo? Sim. Desgastante? Também. Chato!? Por vezes, sim. Mas era dignificante. Na sexta feira saía de lá com uma tranqüilidade que hoje invejo. “O trabalho dignifica o homem”… Exatamente isso. Não fazia nada que eu gosto. Era um estagiário misto de office boy e secretário. Mas aprendi a gostar do que fazia, e nos últimos tempos, estava batalhando para atingir a excelência. Fui despedido, mas esta é outra história…

Por ora não pretendo sair à caça de trabalho. Estou fazendo uns serviços de free lancer pela Internet, e está dando pra quebrar o galho. Aliás, esta é uma coisa que sempre quis: trabalho pela Internet, na hora que quero… Grande bosta.

Bom, vou ficando por aqui. O dever me chama!

[tags]Trabalho, Carreira, Emprego, ProBlogger[/tags]

Posts Aleatórios

5 Responses to “Vamos trabalhar!”

  1. junior Says:

    Rodrigão meu broder,
    Gostei do post.
    Olha só, a minha experiência profissional é meio fora de padrão, mas eu sempre, sempre mesmo achei que realização profissional é o maior bullshit. Sempre busquei a realização pessoal. O trampo pra mim sempre foi um meio de conseguir a minha realização pessoal, ter e fazer as coisas que eu gosto. Nada mais, nada menos. Trampava no que eu sabia fazer bem feito sem nunca uma vez sequer sentir prazer pelo que fazia, mas quando fazia pensava: Wow, esse trampo chato dos infernos me rende uma puta grana (honesta) todos os meses e com ela eu posso fazer tudo o que gosto. Simples assim, ganhava bem pra fazer algo que não gostava e depois fazia tudo o que muitos daqueles que gostavam dos seus trampos tinham vontade fazer mas não tinham a grana. Quem era frustrado nessa história? Sei lá, mas eu nunca fui porque nunca tive no trampo qualquer objetivo de realização pessoal ou profissional, era só o trampo.
    Ixi, falei demais (de novo). rsss
    Abração broder

  2. Ana Luiza Says:

    Olá Rodrigo!Descobri seu blog totalmente por acaso…Isso que você escreveu é bem interessante.Quando entrei na faculdade,fui chamada de louca “pra baixo”(sou formada em Filosofia,você pode ter uma idéia…).Tive empregos horrorosos,chatíssimos,e hoje consigo trabalhar em algo que gosto muito.Eu também ainda tenho a utopia de que é possível somar trabalho e prazer.Não sei se isso merece o nome pomposo de “realização profissional”,mas que dá pra gente gostar do que faz,isso sim…Um abraço!

  3. Fausto Says:

    Ghedin, meio forte esse texto, não?

    Bom, eu já tive a oportunidade de trabalhar com algo que não gostava, e te digo o seguinte: O ideal é mesmo é trabalhar com o que se gosta. A explicação é muito simples. Quando você tenta fazer o inverso, ou seja, gostar do que você faz, não importando o que, você está na verdade se submetendo às vontades da empresa em que você está. Você não acrescenta nada ao serviço, apenas aceita aquilo que te passam. Isso é horrível, porque o sujeito se submete, vira um capacho, e com o tempo você se sente incomodado de estar ali. Depois disso eu pus na cabeça que teria que fazer algo que gosto, resultado: hoje trabalho numa empresa a uns 5 anos fazendo o que gosto. Ou seja, hoje eu ganho pra não fazer nada, pois como é algo que me dá prazer, as coisas vem naturalmente. Eu acredito que você não pode passar mais de 20 anos da sua vida estudando pra chegar no fim e não fazer algo que te agrade. A maioria das pessoas que ganham muito e são boas no que fazem também gostam da área em que atuam.

  4. Danilo Says:

    Ótimo artigo Ghedin, concordo com seu ponto de vista, esses dias eu e o Paulo estávamos no Curriculum.com.br, vendo quanto se ganha em média em cada profissão, e realmente vi que mesmo gostando de informática não vou trabalhar com isso pois se ganha muito pouco…

    []´s!

  5. Pepe Says:

    seja o melhor naquilo que vc faz, ou possua algo que ninguém mais possua, excelência e dependência, essas são a chaves para o sucesso.

Leave a Reply


Lifestream