Houve uma época, anterior à da criação deste blog, em que eu escrevia textos sobre temas variados e incertos n’outro lugar. Os lapsos temporais entre eles eram maiores, minha mentalidade e visão de mundo, bem menores; a quantidade de palavrões, não sei (ainda hoje) por qual motivo, imensa, e a satisfação de manter este labor periódico, muito grande. E assim eu escrevia, tal qual este parágrafo: entre altos e baixos.
Pouca gente leu esses textos, pois eu os escrevia protegido por um pseudônimo, além de não fazia nenhum tipo de propaganda dos mesmos. A princípio, eles eram apenas válvulas de escape, mas com o passar do tempo, e o feedback dos poucos e seletos leitores, o escopo foi mudando. Esta evolução, aliás, era facilmente percebida comparando os primeiros textos com os últimos: de uma raiva transbordante e sem sentido, migrei para um estilo mais rasgado e ácido, porém mais polido (e sim, isso soou paradoxal, embora não seja). Antes do “sucesso” vir, porém, achei melhor matar a idéia. Parei de escrever daquela forma e naquele lugar, apaguei os textos, e tudo que sobrou foi uma vaga e gostosa lembrança de uma das épocas mais solitárias da minha solitária vida.
Dia desses, remexendo arquivos velhos no PC, encontrei aqueles velhos textos, renegados, escondidos, censurados. Mesmo hoje, anos depois, alguns deles conseguem tirar de mim um sorriso, um sentimento de aprovação, do tipo que me faz pensar “neste dia eu estava inspirado” (porque humildade é para os fracos!). Outros, porém, fizeram-me corar, devido ao excesso de subjetivismo, à forma aberta com que contava minha vida (mesmo sem deixar rastros que pudessem entregar minha identidade), às inúmeras palavras de baixo calão gratuitas, a idéias estúpidas das quais, atualmente, não comundo de forma alguma.
Hoje, com mais experiência, um blog bem encaminhado, senso crítico apurado, e outras melhorias, consigo fazer a separação do trigo do joio naqueles textos. E, exatamente por isso, resolvi pegar os melhores segundo minha ótica, e republicá-los aqui. Não sei ao certo quantos são, pois ainda estou lendo-os e separando os melhores, e nem sei também quando os publicarei. Só sei que o primeiro não demorará a aparecer, devidamente identificado, com a data de redação e, se minha memória e consciência permitirem, um pequeno resumo das circunstâncias da época em que o escrevi.
Até o primeiro de muitos (ou quase isso)!