Archive for April, 2007

Curiosidades jurídicas IV

Friday, April 13th, 2007

Hoje trago um especial da série Curiosidades jurídicas, iniciada há algum tempo, cujo objetivo, obviamente, é mostrar detalhes e curiosidades do complexo e por vezes contraditório Direito. O “especial” desta edição é em virtude de, desta vez, eu me ater a fatos recentes. São três, para ser mais exato: duas mudanças na lei, e uma previsão que afetará a vida de todos nós.

Progressão de regime para crimes hediondos

No começo deste ano (ou final do ano passado, não lembro), houve um grande rebuliço nacional em virtude de um entendimento do Supremo Tribunal Federal, o STF. Segundo este entendimento, a vedação da progressão de regime em crimes hediondos, prevista no texto original da Lei 8.072/90, seria inconstitucional. Tão convictos estavam os ministros acerca da matéria, que mesmo a referida lei estando em vigor inalterada, concederam a progressão para um criminoso do tipo.

Era questão de tempo até que uma alteração do texto viesse. Há alguns dias, em 28 de março deste ano, a tal lei, de número 11.464, foi publicada, alterando vários artigos da Lei 8.072/90, incluindo os referentes à progressão. Agora, onde se lia “integralmente”, lê-se “inicialmente”. A redação do § 1º do artigo 2º é a seguinte:

§ 1º. A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado.

Não sei se isso é bom ou ruim… No meu âmago, vejo como um retrocesso, mas vendo a situação sob um prisma sociológico e humanitário, talvez seja a melhor solução. Enfim, o tempo dirá.

Divórcio no cartório

A Lei 11.441, de 4 de janeiro deste ano, acrescenta o artigo 1.124-A ao Código de Processo Civil (Lei 5.869/73), que por sua vez permite que separações e divórcios consensuais, de casais sem filhos ou cujos filhos sejam absolutamente capazes, sejam feitos diretamente no cartório, mediante escritura pública, sem a necessidade de homoloção judicialmente. Há algumas formalidades a serem seguidas, como a presença de advogado (que pode ser comum às partes), mas acredito que o trâmite seja bem mais simplificado que pelas vias judiciais tradicionais.

Há quem critique esta novidade, mas particularmente, ignorando o fato de eu achar a separação e o divórcio institutos extremos, somente compreensíveis quando as circunstâncias não permitem, de maneira alguma, a convivência do casal, acho uma boa. A intenção é desafogar o Judiciário, mas além disso, acredito que facilitará as coisas para o (ex-)casal.

O Plebiscito mais polêmico da história!

Li no BlogueIsso! que passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado um projeto para a realização de um superplebiscito, o qual versaria sobre as seguintes questões:

  • Legalização do aborto;
  • União civil homossexual;
  • Financiamento público de campanhas;
  • Fim do voto obrigatório.

Os dois últimos pontos não tem nem o que dizer, não? Obrigatoriedade de votar é muleta de político corrupto, e financiamento público de campanhas é, a meu ver, jogar dinheiro do povo no ralo. Agora, as duas primeiras… Estas causarão muito debate. Se você ficou de saco cheio do referendo das armas, prepare-se. Já há textos inflamados pululando a Internet, e olha que o negócio nem está certo ainda. De certo, religiosos e liberais surtarão se o plebiscito vingar, o que, de certa maneira, estressará todo mundo (inclusive este que vos escreve).

Hoje, aborto é crime contra a vida, tanto para a mãe que o faz, quanto para a que autoriza terceiro a fazê-lo. Crime, aliás, passível de ir para o tribunal do júri. Há quem diga que o aborto é uma espécie de homicídio. Há outros, porém, que dizem que o aborto é parte da solução para a pobreza e os problemas sociais brasileiros. Já as relações homoafetivas estão presentes no cotidiano, e embora eu não ligue muito para elas, desde que sejam discretas, acho que essa curva de aceitação, em boa parte graças às novelas da Globo, desvirtua o modelo tradicional de família, hoje já tão calejado e maltratado.

Espero que tenham gostado das informações acima. Achei-as bastante relevantes, tanto pela matéria em si, quanto pela atualidade (duas leis bastante recentes, e uma possibilidade revolucionária). Até a próxima!

Mega-Sena acumulada: R$ 15.000.000,00!

Tuesday, April 10th, 2007

Amanhã acontece o concurso nº 857 da Mega-Sena, que está acumulada e dará, ao ganhador, a bagatela de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Pouca grana, não? Fui pagar umas contas na lotérica, e fiquei impressionado com o tamanho da fila. Como elas venciam hoje, não tive outra escolha a não ser aguardar. E, nessa, me peguei pensando na bolada do prêmio.

O primeiro pensamento é aquele estúpido e loser de que nunca vou ganhar, pelo simples fato de que nunca jogo. Não sou muito favorável à loteria, mesmo sendo ela organizada exclusivamente pela União. Acho até cruel arrancar alguns trocados toda semana de pobres diabos que ganham seu salário mínimo, gente que sua para conseguir um dinheirinho cujo qual vai para o ralo numa tentativa absolutamente pífia de ficar milionário. O pior de tudo é que, caso o sujeito ganhe alguns milhões, indo contra a desanimadora probabilidade de 1 em 50.063.860 de chances, na maioria das vezes é questão de tempo até que ele retorne ao estado de pobreza. Isso se ele não for morto antes pela namorada vagabunda, claro.

Passado o primeiro pensamento, vem o segundo, aquele que todos, exceto os realmente abastados, nutrem quando o assunto é Mega-Sena acumulada: o que eu faria com essa bolada? Minha resposta é nada. Muita gente viajaria, compraria carrão importado, daria festa pra cidade inteira, e outras extravagâncias do tipo. Eu preferiria ficar no anonimato, usufruindo dos meus milhõezinhos aos poucos, e estes ficariam devidamente guardados numa poupança, rendendo alguns milhares de reais todo mês. Um investimento aqui, outro ali, e dessa forma garantiria a minha sobrevivência e a das próximas três gerações, no mínimo. Ganhar na Mega-Sena, para mim, seria como ser um super herói: um segredo a ser ocultado. Tentaria levar uma vida normal, mesmo com um punhado de zeros na conta.

Há quem acredite veementemente que, uma hora ou outra, ganhará na Mega-Sena. Eu prefiro não contar tanto com essa possibilidade, até porque nunca jogo mesmo…

[tags]Mega-Sena, Milionário, Dinheiro, Prêmio, Loteria[/tags]

Refurbished: que bicho é este?

Friday, April 6th, 2007

Não se sinta um alienígena caso nunca tenha ouvido a palavra inglesa refurbished. Ela significa “recondicionado”, “lustrado”, e na informática, é usada para designar um tipo bastante específico de produtos. Os chamados equipamentos refurbished são peças que, devolvidas em virtude de algum problema detectado pelo comprador, são recolocadas à venda após o problema ser corrigido ou maquiado pelo fabricante. A definição do Guia do Hardware é mais completa, logo, a reproduzo abaixo:

Muitos fabricantes oferecem garantias zero hour, onde ao invés de consertar o defeito, simplesmente trocam os aparelhos. É um bom diferencial, pois ao invés de esperar semanas ou até meses, o consumidor sai da assistência com um aparelho novo. O fabricante então repara os aparelhos defeituosos e os vende como aparelhos de segunda linha, os refurbished. Este termo pode ser traduzido para “lustrado”, enfatizando que o aparelho simplesmente foi consertado (algumas vezes a caixa externa também é trocada para dar uma aparência de novo), ou seja, ganhou um polimento e cristalização, mas continua sendo um carro usado. Estes aparelhos são vendidos com desconto, de 10 a 50% dependendo do produto e fabricante e geralmente também possuem garantia, embora menor que a dos produtos novos.

É interessante notar que, embora poucos atentem para este detalhe, os refurbisheds chegam a ser bastante comuns no mercado. Aliás, a maior parte dos produtos proveniente de contrabando é deste tipo. Algumas empresas discriminam os equipamentos do gênero aplicando uma marca “REF” próximo ao número de série; outras, associam a condição do mesmo ao número de série, acessível apenas através de uma consulta no site; e há ainda aquelas que não discriminam nada.

A principal vantagem do produto refurbished é, logicamente, o preço. A diferença pode chegar a ser gritante: já vi notebooks cujos preços do “primeira classe” e do refurbished tinham uma diferença de quase R$ 1.500,00! A desvantagem, óbvia também, é o fato de você ter um produto de segunda linha, um quase-usado. Outra, talvez até pior que esta primeira, é a garantia bem restrita em comparação aos produtos normais.

Há uma discussão bastante acirrada acerca do risco e das vantagens que tais produtos representam. No único caso em que tive contato com refurbisheds, o notebook do Leitaum (um HP Compaq), ele funciona muito bem, e lá se vai quase um ano desde que o mesmo foi comprado. Eu, particularmente, não arriscaria. E você?


Lifestream