O chato e o legal de morar sozinho
03 Mai
Quem acompanha assiduamente este blog desde, pelo menos, o começo do ano, deve saber que 2007 está sendo bastante diferente para mim, pelo simples motivo de que, pela primeira vez nos meus vinte anos de existência (sentiu a dramaticidade?), abandonei o lar, doce lar onde nasci e cresci, e fui morar sozinho. Ou quase isso, já que divido a casa com minha irmã pentelha, a Patrícia, que vez ou outra aparece aqui no blog para tecer comentários cheios de veneno.
Moramos num bairro onde praticamente só há estudantes, em Maringá. Isso significa que tem de tudo um pouco aqui perto, desde mercado, farmácia, lan house, passando por lava car, estacionamento, e claro, um boteco movimentado. De todos, o que mais aporrinha é o boteco, não pelo estabelecimento em si, que é enorme e eu nunca visitei, mas pela bagunça e movimento de carros que ele acarreta, além do maldito flanelinha que ronda os carros estacionados como urubu voa sobre carniça. Enfim, nada insuportável. De resto, o bairro é tranqüilo, especialmente durante o dia e nos fins de semana. Aliás, é nos fins de semana, quando o céu está nublado, que eu adoro isso aqui: a rua principal, a Paranaguá, tem umas árvores muito bonitas, e a visão de quem vem da Colombo é belíssima.
Enfim, vou parar por aqui a parte das redondezas, antes que eu escreva meu endereço completo…
Moro num apartamento, num prédio onde não existe elevador. Isso também é novidade para mim. Antes de mudar para cá, o máximo que tinha convivido em apartamento eram alguns poucos dias passados em feriados prolongados no apartamento da Heri, minha namorada, ano passado. (Aliás, ela mora pertinho daqui, o que é deveras bom). Sempre fui bastante caseiro, no sentido estrito da palavra, ou seja, do tipo que fica enfurnado dentro de casa. Essa característica meio que ajudou na minha adaptação, acho eu, já que não sinto necessidade de… sei lá, ficar à toa no quintal, ou apreciar a rua da calçada, ou qualquer coisa que tenha de ser necessariamente feita fora da casa.
Certa vez, bem antes dos blogs se popularizarem, li uma entrada no de uma menina onde ela, na mesma situação em que me encontro hoje, fazia uma reflexão sobre a vida a só. Era mais ou menos assim:
Engana-se quem pensa que morar sozinho é como viver um episódio de Friends, onde a toda hora algum amigo maluco bate à porta, e você nunca fica sozinho, e tudo é motivo de piadas e frases sarcásticas e alegria.
Esse pensamento me marcou bastante, tanto que, agora, na primeira oportunidade que tenho para falar sobre minha vida a só, o escrevi. Morar sozinho é solitário (hehe :P), embora eu goste disso. Minha concentração melhora, desatenções são quase nulas, enfim, em termos de produtividade, aqui é mil vezes melhor que lá. Existem desvantagens, e muitas, como o trabalho doméstico, que para mim se restringe à cozinha (fiz um bom negócio com minha irmã), ou a solidão, que vez ou outra incomoda. Felizmente, esta última é bastante atenuada pela irmã e a namorada. O que importa dizer é que é diferente de estar em casa.
O apartamento em si é bom, tirando o alto preço do aluguel. É nisso que dá procurar apartamento depois do início das aulas… Meus vizinhos são insuportáveis. Um praticamente expele o pulmão todo santo dia, durante o banho. A assoada de nariz dele é tão violenta, que não me surpreenderia saber que o prédio todo a ouve. Mas isso não é nada… Outra vizinha, cuja janela do seu apartamento fica imediantamente na frente da janela do meu quarto, tem o péssimo hábito de gritar em horários inoportunos. Ou é perto da meia noite, ou às seis da manhã! Dia desses, acordei neste horário com a seguinte frase, gritada: “hoje eu acordei elétrica!”, seguida de uma sonora risada. Tosca.
Este texto está tomando rumos bem diferentes dos que eu havia planejado, então, antes que ele desande de vez, vou parando por aqui. Mas antes, uma coisa eu não poderia deixar de escrever: morar sozinho é um grande aprendizado. Aumentam as responsabilidades, aumentam as exigências, aumenta tudo. E isso é bom, faz crescer, caleja a pessoa para o mundo. É um excelente “test drive” para o dia que a maioria anseia, e que todas as mães temem: o da saída de casa. A minha ainda vai demorar, mas até lá já estarei craque em viver sozinho (ou acompanhado, quem sabe?).
[tags]sozinho, morar, maringá, zona 7, estudante[/tags]
Luiz Claudio Eudes
04 Mai, às 03:56
Os serviços domésticos são um incomodo suportável,
Mas se os vizinhos lhe incomodam…
incomode os também, afinal nada melhor que pagar na mesma moeda!
Experimente ouvir “System of a down” no último volume as 2 da manhã.
Evandro
04 Mai, às 08:51
http://www.rodrigoghedin.com.br/2007/02/17/no-folia/#12894
Nesse comentário ela acabou com você, e o pior é que eu concordo com ela. HAHAHA
Seja mais tolerante…
Você já deve conhecer, mas aí vai:
Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você,
os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.
Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede. Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique no vermelho. Mas, você é quem determinará os outros 90%.
Como? Com sua reação.
Thássius Veloso
04 Mai, às 10:40
“System Of A Down” às 2 da matina é apelar MUITO. Põe um funk carioca que não será o fim do mundo (para os vizinhos).
Fernando Furmann
04 Mai, às 17:01
Não sei se a sua namorada vai ficar feliz ou triste de você falar que vai demorar para você sair de casa.
Quando sua vizinha louca dar um gritão desses você responde “hoje eu acordei por culpa do grito de uma louca”, gente sem noção é f****.
Nelson
05 Mai, às 10:02
Ri na parte do “elétrica”, e no comentário de cima…
Ah, “estudantesde” (segundo parágrafo)?
Felipe Daldegan
06 Mai, às 19:01
Opa, Paranavaí campeão. =)
ashdaushdaushduasdu
Patrícia Köhler
10 Mai, às 01:49
Rodrigo, boa sorte nesta etapa da sua vida!



Eu morei sozinha por um período muito breve, aos 21 anos… foi muito bom, eu tive de aprender a me virar sob vários aspectos…
Quanto à solidão, eu valorizo demais isso, então era o que menos me incomodava.
Adoro ler, escrever, refletir… são coisas que naturalmente pedem um recolhimento, ou a convivência com pessoas que respeitem isso. Dou sorte de morar com uma pessoa maravilhosa neste sentido (minha mãe), que respeita pra caramba meu espaço e meu silêncio.
E eu adoro minha companhia, ainda bem. Não tem ninguém pra rir comigo? Rio sozinha sem problema.
Falo sozinha também. Enfim, uma neurótica. rs
Espero ter uma vida boa ao lado do Tuca. Ele sabe respeitar bastante a minha natureza mais reclusa e menos efusiva. Aliás, sem esta compreensão, acho que qualquer parceria desanda, né?
Mas enfim… falei, falei, falei… apenas pra dizer que me identifico com você e te desejo uma fase muito proveitosa.
Um beijo e um abraço!
Guilty
10 Jun, às 14:33
Cara morar sozinho realmente é subir um degrau .. .
Alias , meus vizinhos são a nata , do que há de pior, tem um ser humano que expele toda manhã o cerebro dele pelo nariz e boca , aff um nojo só ..
mas tem tbém o peste da frente a puta do corredor, mas isso não me causa grande incomodos , já que ate o final do me mudo eheheh
Adoro o resto , morar sozinho pra mim ta sendo otimo…
see ya’
Vinicius
27 Jul, às 19:49
Tem as coisas ruins de morar sozinho.. mas tem muito mais coisas boas.. acho qeu vc já percebeu isso rs… quando puder passe no meu blog eu tbm to morando sozinho e to dando algumas dicas lá rss
Rodrigo P. Ghedin
02 Ago, às 16:37
@ Vinicius
Muito legal seu blog. Estou tentando a utilizar a técnica das formigas, hahaha!
[]’s!
Paty
27 Ago, às 21:18
Eu me lembro exatamente aonde você viu aquele trecho. Foi na ultima página de uma das revistar capricho aqui de casa ahahuhauahaha=p Sério mesmo.
Hm… realmente, morar sozinho nos ensina muito e é uma ótima experiência. Eu passei um ano nessa situação e, agora, vou ficar mais cinco; uma coisa eu digo, foi uma oportunidade pra mim rever alguns conceitos errados, para me tornar mais responsável e mais confiante.
Beijo
Rodrigo Ghedin » Dicas para quem mora sozinho
28 Set, às 18:44
[...] escrevi algo sobre morar sozinho. Naquela época dividia o apartamento com minha irmã, mas agora no segundo semestre, estou só, [...]
Sabrina Meminger
11 Jul, às 01:29
Cara, estou vivendo a mesma situação. O meu apartamento não é digamos, tisc.. um apartamento.. é um kitnet na verdade, mais como morei 4 meses em uma república cheia de garotas, estou adorando morar absolutamente sozinha..
Eu irei adotar um gato para me fazer companhia agora..
Sempre quis ter..
e amigo.. não ligue para sua vizinha que dá gritos inoportunos..
bem em frente a minha janela.. tem um casal muuuito elétrico que faz sexo escandaloso quase todas as noites..
e te digo.. é foda ficar escutando.. hehe
beijão e boa sorte ai!