O último dos apaixonados

10 Mai

Publicado originalmente em 17 de fevereiro de 2005.

Texto bem simpático, escrito numa época onde eu estava bem recluso, sem namorada, ficante ou qualquer coisa do gênero.

Durante minha adolescência, quando meu pai me levava de carro à escola todo dia de manhã, sofria com seu gosto musical. Entre Tião Carreiro & Pardinho, Milionário & José Rico, Tonico & Tinoco, e outras pérolas brega-sertanejas (nada contra quem goste), tinha um maldito CD do Zezé di Camargo & Luciano. Não sei se ele percebeu que eu odiava aquela desgraça, ou se porque ele gostava mesmo, mas a droga do CD foi o “oficial” do carro durante uns três meses. Sem ofensas pessoais, mas se tem duas coisas que os Camargo não sabem fazer é compor e cantar. As músicas são idênticas, só mudam as letras, que ainda assim sempre tem o mesmo apelo: servir de consolo para cornos desolados. Isso sem falar da voz extremamente irritante do Zezé. Entretanto, tinha uma música cuja a letra me chamava a atenção. O nome dela é “O Último dos Apaixonados”. Ainda lembro do refrão, era mais ou menos assim (ô vergonha…):

Eu sou um dos últimos / dos apaixonados / do tipo que ainda faz serenata a um graaaaaaaaaande amor.
Se o romantismo / ficou no passado / posso ser careta, ser antiquado, ser o que fooooor.

A letra dela é boa, acreditem! Meio piegas, como todo sertanejo é, mas além de original, trata de um tema em decadência atualmente, o romantismo, o que eu particularmente acho um ultraje!

Eu adoro o romantismo, gosto de tratar bem uma pessoa que gosto, de fazer surpresas, enfim, de “ser antiquado”, como diria o filósofo chifrudo Zezé di Camargo. Qual o mal que há nisso? Muitos podem dizer que, dessa forma, a mulher se aproveita, faz do cara gato e sapato; ledo equívoco, são coisas completamente diferentes. Ser romântico não é fazer todas as vontades da mulher, pelo contrário, é dizer “não” às vezes. Agir com respeito, demonstrando apreço e carinho, dar liberdade à ela, e ela a ele, enfim, essas e outras coisas também caracterizam um casal romântico. É difícil manter um relacionamento, é verdade, mas se as duas partes estiverem cientes de tudo isso, torna-se algo muitíssimo benéfico, revigorando até o mais infeliz dos seres humanos.

Na teoria é tudo maravilhoso, mas e na prática? Talvez seja pelo pouco contato que tenho com outras pessoas, mas com base no meu limitado convívio social, sinto que nem mesmo as mulheres gostam disso. Preferem o malandro ao romântico. Dá pra entender!? Dia desses, vindo da faculdade, surgiu esse papo na van (é, sou pobre, vou de van pra faculdade…). Como lá a maioria é mulher - graças a Deus -, tive que defender a classe sozinho. Todas foram unânimes: homem é tudo igual, só muda o endereço. Será mesmo? Ou seria culpa delas, que tomando por exemplo uns poucos homens, formaram uma opinião generalizada sobre o assunto, repelindo os bons homens? O meu palpite é que seja isso.

Apesar dos pesares, as perdoô (que prepotência, não?). E só faço isso por um motivo: eu amo as mulheres!

[tags]Mulheres, Zezé di Camargo, Romantismo, Sertanejo, Amor, Namoro[/tags]

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3 Comentários

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  1. issamu
    10 Mai, às 11:54

    Faaalaaa Rodrigão. Parece que vi em algum lugar que tu tava morando na cidade.

    Seguinte, essa parada ai funciona assim. As mulheres dizem que gostam , que preferem e procuram homens românticos.

    Tudo ladainha.

    Elas querem mesmo é o safado do malandro que bota chifre.


  2. Bia Cardoso
    14 Mai, às 23:11

    ai ai… como é que vou defender a classe feminina agora?

    não é que preferimos os safados, malandros, mas confesso que isso é bem comum de acontecer. Mas na verdade, as pessoas não estão se encontrando, hoje em dia com a decadência do romantismo, os papéis de meninos e meninas estão meio trocados.

    não, não é isso. a verdade é que queremos sempre aquilo que não podemos ter. o mais difícil, o que dá mais trabalho é sempre o que gostamos mais, mas isso acontece com meninos também, ora pois. ;-)


  3. Pepe
    15 Mai, às 16:32

    o romantismo, infelizmente, é uma caracteristica humana em franca decadência…

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