Archive for May, 2007

O exterminador de sites em crise existencial

Thursday, May 17th, 2007

Se você tem alguma pretensão de, num momento futuro, criar e administrar seis sites, ouça o que tenho a dizer: não faça isso. É loucura, de verdade. Você não conseguirá dar conta de todos de maneira igualitária, e isso causará uma série de transtornos dispensáveis. Pior: com o passar do tempo você verá que não vale a pena, e que alguns dos sites poderiam muito bem integrar outros, ou serem substituídos por serviços gratuitos de fácil administração e manutenção inexistente.

Administrava seis sites, listados abaixo, em ordem cronológica:

O que eu fiz foi acabar com os dois últimos. Na verdade, não “acabei” com eles, apenas remanejei seus respectivos conteúdos para lugares melhores.

O vidinhos, patinho feio da turma, foi transformado numa tag da minha conta no del.icio.us. Sei que, para quem era um site, ser convertido numa etiqueta é algo que chega até a ser… cruel, mas será melhor para todo mundo. Ao invés de um site inteiro dedicado à única tarefa de recomendar vídeos, melhor uma página enxuta, com links diretos para os melhores vídeos. A essência é a mesma, o que muda é a ferramenta. E aqui, aquela velha máxima de “pra que usar uma espingarda pra matar mosquito?” se mostra com toda sua força. Pra quê? Poderia haver uma justificativa nas ferramentas interativas que o WordPress proporcionava, como comentários, recomendação de vídeos, notas. Mas se levarmos em conta o fato de que os visitantes pouco ou nunca as usavam, então ficamos na mesma. É bem verdade que a tag terá ainda menos acessos que o site (que, por sua vez, patinava por volta das cem visitas diárias), mas enfim, é a vida…

(A propósito, vejam esses vídeos da “nova fase”: THIS IS SPARTA, The Simpsons Marge On Google e 300 - Leônidas.)

Coloquei uma nota póstuma lá, em respeito aos gatos pingados que visitavam o site. Já ouvi protestos das minhas irmãs e da namorada. Pior que isso, foi ter que ouvir algo como “era seu site que eu mais gostava”. Será que escrevo tão mal assim?

Já o Deskmod, nascido em novembro último em razão do aniversário de quatro anos do WinAjuda, voltará ao seu local de origem: o WinAjuda. Conforme explicação veiculada no próprio site, a mudança será benéfica a todos, pois além de integrar várias informações num só endereço, graças à nova versão do WinAjuda (ainda não lançada), será possível aos leitores sugerir novos resources de deskmod para serem publicados. Todos saem ganhando: o site com conteúdo, eu com diminuição da carga de trabalho, e os leitores com mais material disponível.

Falando no novo WinAjuda, está ficando tão legal, mas tão legal, que estou tabalhando ininterruptamente para lançá-lo o quanto antes. Logo, logo sai.

E como não poderia deixar de ser, vamos a mais um “momento diarinho”.

Estou num momento bastante delicado. Tenho os sites, que embora não sejam um PlentyOfFish da vida em termos de visitação e rendimento, têm lá seus milhares de visitantes diários e me dão alguns trocados no fim do mês. Isso sem falar no prazer de administrá-los, nas oportunidades de poder ajudar as pessoas, na alegria de receber um singelo e-mail de agradecimento ou parabenização. Paralelamente a eles, porém, estudo Direito, e nutro a esperança de, num futuro próximo, estar advogando, mais especificamente na área trabalhista, com a qual me simpatizei muito durante as aulas práticas. E, bom, não sei se é incompetência, ou má vontade, ou algo inexplicável, mas não consigo me dedicar às duas atividades, o trabalho e os estudos, de forma satisfatória em ambos. Na dúvida, ultimamente venho pendendo mais para os sites. E minha consciência me massacra por isso.

O momento delicado é justamente este: apostar num empreendimento relativamente novo, instável e instigante, com potencial e na qual eu posso me considerar, de certa maneira, um dos pioneiros em âmbito nacional, ou no tradicional, que corresponda à expectativa de todos, e que cujas chances de eu me dar bem em termos de estabilidade são maiores, ainda que, neste caminho, eu corra o risco de cair no abismo da monotonia?

Difícil…

[tags]Sites, Webmaster, vidinhos, Deskmod, Direito, Advocacia[/tags]

O último dos apaixonados

Thursday, May 10th, 2007

Publicado originalmente em 17 de fevereiro de 2005.

Texto bem simpático, escrito numa época onde eu estava bem recluso, sem namorada, ficante ou qualquer coisa do gênero.

Durante minha adolescência, quando meu pai me levava de carro à escola todo dia de manhã, sofria com seu gosto musical. Entre Tião Carreiro & Pardinho, Milionário & José Rico, Tonico & Tinoco, e outras pérolas brega-sertanejas (nada contra quem goste), tinha um maldito CD do Zezé di Camargo & Luciano. Não sei se ele percebeu que eu odiava aquela desgraça, ou se porque ele gostava mesmo, mas a droga do CD foi o “oficial” do carro durante uns três meses. Sem ofensas pessoais, mas se tem duas coisas que os Camargo não sabem fazer é compor e cantar. As músicas são idênticas, só mudam as letras, que ainda assim sempre tem o mesmo apelo: servir de consolo para cornos desolados. Isso sem falar da voz extremamente irritante do Zezé. Entretanto, tinha uma música cuja a letra me chamava a atenção. O nome dela é “O Último dos Apaixonados”. Ainda lembro do refrão, era mais ou menos assim (ô vergonha…):

Eu sou um dos últimos / dos apaixonados / do tipo que ainda faz serenata a um graaaaaaaaaande amor.
Se o romantismo / ficou no passado / posso ser careta, ser antiquado, ser o que fooooor.

A letra dela é boa, acreditem! Meio piegas, como todo sertanejo é, mas além de original, trata de um tema em decadência atualmente, o romantismo, o que eu particularmente acho um ultraje!

Eu adoro o romantismo, gosto de tratar bem uma pessoa que gosto, de fazer surpresas, enfim, de “ser antiquado”, como diria o filósofo chifrudo Zezé di Camargo. Qual o mal que há nisso? Muitos podem dizer que, dessa forma, a mulher se aproveita, faz do cara gato e sapato; ledo equívoco, são coisas completamente diferentes. Ser romântico não é fazer todas as vontades da mulher, pelo contrário, é dizer “não” às vezes. Agir com respeito, demonstrando apreço e carinho, dar liberdade à ela, e ela a ele, enfim, essas e outras coisas também caracterizam um casal romântico. É difícil manter um relacionamento, é verdade, mas se as duas partes estiverem cientes de tudo isso, torna-se algo muitíssimo benéfico, revigorando até o mais infeliz dos seres humanos.

Na teoria é tudo maravilhoso, mas e na prática? Talvez seja pelo pouco contato que tenho com outras pessoas, mas com base no meu limitado convívio social, sinto que nem mesmo as mulheres gostam disso. Preferem o malandro ao romântico. Dá pra entender!? Dia desses, vindo da faculdade, surgiu esse papo na van (é, sou pobre, vou de van pra faculdade…). Como lá a maioria é mulher - graças a Deus -, tive que defender a classe sozinho. Todas foram unânimes: homem é tudo igual, só muda o endereço. Será mesmo? Ou seria culpa delas, que tomando por exemplo uns poucos homens, formaram uma opinião generalizada sobre o assunto, repelindo os bons homens? O meu palpite é que seja isso.

Apesar dos pesares, as perdoô (que prepotência, não?). E só faço isso por um motivo: eu amo as mulheres!

[tags]Mulheres, Zezé di Camargo, Romantismo, Sertanejo, Amor, Namoro[/tags]

Homem Aranha 3

Tuesday, May 8th, 2007

Tenho um trabalho enorme de Medicia Legal para fazer, mas dane-se ele. Há algo mais importante a ser feito, algo que, até agora, havia protelado por motivos alheios à minha vontade: comentar Homem Aranha 3 (Spiderman 3).

Pensei em vários prováveis títulos para este post. “Como fazer um filme de merda com 258 milhões de dólares”, ou “como cagar uma trilogia que tinha tudo para ser perfeita”, ou ainda “como acabar com a trajetória cinematográfica do maior ícone dos quadrinhos”. No final, resolvi deixar um singelo “Homem Aranha 3″ mesmo, afinal, o título é um espaço pequeno para abrigar todo o repúdio e nojo que senti ao assistir este filme.

Homem Aranha 3 tinha tudo, mas tudo mesmo, para ser o melhor dos filmes do Aranha, e, conseqüentemente, o melhor filme de um herói já feito. Tudo conspirava para isso: o uniforme negro, Gwen Stacy, Venom (Venom!!!), até o Homem Areia, que embora seja um vilãozinha de segunda, é bem carismático, pelo menos a mim. Uma pena o roteiro ser tão medíocre, mas tão medíocre, que fica aquela sensação de que o Sam Raimi teve uma recaída e quis dar um ar de Uma Noite Alucinante no seu Homem Aranha…

São tantos pontos ruins que terei bastante trabalho para elencá-los de forma ondenada e compreensível, ordenação esta que, diga-se de passagem, o roteiro não tem. Sim, você não leu errado: o roteiro é bagunçado, recheado de clichês, cheio de buracos. Simplesmente tosco. Mas vamos por partes…

Tá cheio de spoilers, então, se não assistiu essa bomba ainda (sortudo!), cai fora.

Uniforme negro

Comparação entre os uniformes negros (gibi x cinema).

Começo com o mais light dos defeitos: o uniforme negro, obtido por Peter graças ao simbionte alienígena que, muito curiosamente, cai ao lado da motoca do nosso herói.

O uniforme negro é legal e podre ao mesmo tempo. Paradoxal, mas nem tanto. Vendo-o só, sem influências externas, ficou bem bacana. Agora, comparando com o dos gibis… Vejam vocês mesmos, na imagem ao lado.

Sei que é detalhe bobo, mas se conseguiram fazer um uniforme tradicional simplesmente perfeito, por que não fazer o mesmo com o negro? Poxa, no gibi o Aranha sequer veste o uniforme… O simbionte simplesmente cai fora, e ele fica com a aparência normal, com a força da mente. Aí, quando precisa ser o Aranha, ele mentaliza, e num esquema meio Power Ranger (mas sem as frescuras), o uniforme negro surge. No filme, ficou aquela sensação de que os produtores jogaram um balde de tinta preta no uniforme reserva das filmagens e beleza, lasque-se se ficou tosco ou não.

Ainda sobre o uniforme: chega de tirar a máscara do Aranha… Ficou legal o rasgo nela no primeiro filme, na luta contra o Duende Verde, mas daí a repetir a dose sempre, enche o saco.

A morte do Tio Ben

Me digam: para quê? Para que revirar a morte do tio Ben, e o que é pior, colocar como assassino o Marko, vulgo Homem Areia? Mais uma das mirabolantes coincidências e laços, tão típicas do cinema norte-americano, das quais a franquia estava livre até então (salvo o necessário, como a aranha radioativa ter picado justamente o Peter, e por aí vai). Achei essa alteração no passado, além de absolutamente desnecessária, um ultraje à história original, à gênese do Homem Aranha.

Homem Areia

Outra mancada. Nos gibis, Flint Marko, o Homem Areia, é um vilão de segunda, daqueles que, em regra, são fracos, e nunca, jamais, em tempo algum, dão trabalho ao herói. No filme ele virou um megalomaníaco, e, arrisco dizer, o vilão mais forte de todos, graças a tosqueiras como ficar gigante, ou sair por aí voando. Como cagada pouca é bobagem, ainda tem uma filha doente que serve de desculpa para os crimes que ele comete, o já dito assassinato do tio Ben, e o pior, a regeneração no final… Como eu odeio clichês.

Algo que se salva? A caracterização ficou perfeita, e a interpretação do ator, o Thomas Haden Church, idem.

Clichês e coincidências

Vamos contar?

  1. Aranha com bandeira dos EUA atrás, momentos antes da luta contra Venom e Homem Areia;
  2. Harry se regenera e vai ajudar Parker. Ele chega no último momento, e salva o herói;
  3. O verdadeiro assassino do Ben Parker é, vejam só, o Homem Areia, coincidentemente o vilão deste filme;
  4. O Homem Areia se regenera no final…;
  5. …E Parker o perdoa pelo assassinato do seu tio;
  6. O simbionte cai exatamente do lado da motocicleta do Peter;
  7. Eddie namora Gwen, Peter namora Mary Jane; Peter larga Mary Jane, e começa a sair com Gwen; Eddie fica chupando dedo. Peter é o Homem Aranha, Eddie é o Venom. Precisa dizer algo?

E tem mais, pode apostar.

Faça-me o favor, seu Raimi! Nem filme da Sessão da Tarde tem tantos clichês e coincidências toscas juntos assim.

Buracos no roteito

Reza a lenda que o filme começou a ser rodado sem que o roteiro estivesse pronto. Não sei se essa informação confere, mas a julgar pelo que saiu, deve ser. Há tanta coisa estúpida e sem sentido, que fica difícil às vezes entender a continuidade do filme. Por que aquele beijo do Aranha na Gwen? Por que o Parker não contou à MJ sobre o uniforme negro? Como MJ e Harry “fizeram as pazes” após a cachorrada dele? Como MJ perdoou Peter tão facilmente no final do filme? O Aranha chega para Harry, e pede a ajuda deste para salvar MJ; o detalhe é que, alguns dias antes, aquele explodiu uma bomba no rosto deste. Normal, né? Como também foi normal o Harry esperar o Peter terminar seu papo de analista com o Homem Areia, para aí sim, com o herói do lado, finalmente morrer.

É tanta bizarrice, informações sem nexo vomitadas na tela, que é difícil descer…

Emo Aranha

Emo Aranha.Quem assistiu, sabe. Aquela franja, aquela parte de dança e tudo mais, Deus, pra que diabos colocar aquilo no filme!? Ficou parecendo uma comédia pastelão da pior qualidade. E olha que este deveria ser o filme mais sombrio de todos… Ficou engraçado? Sim. Mas não combina com o filme. Não era o momento. Peter estava no fundo do poço, cheio de ódio e rancor, graças ao simbionte. É isso que ele causa em seu hospedeiro; não é loucura, ou retardamento.

E sobre a franjinha, em especial aquela jogada de franja totalmente gay que ele faz para o J.J. Jameson (aliás, o dono do Clarim Diário é uma das poucas coisas boas do filme), eu isento-me de tecer comentários.

Gwen Stacy

Gwen Stacy.Gwen Stacy teve um papel pífio no filme, muito aqüém do que ela merecia. Eu já esperava isso, desde quando fiquei sabendo que ela teria participação no longa. Nos gibis, Gwen foi a primeira namorada de Peter. Ela era amada pelos fãs, era cool, bacaníssima. Como encaixá-la no estágio atual dos filmes, onde Peter e Mary Jane estão quase casados!? Escolheram a pior forma possível: para fazer ciúmes na MJ. No lugar do seu Raimi, eu faria um flashback (mas em cores, nada de p&b clichêzão) sobre ela. Ficaria mais legal.

A propósito, gatíssima aquela atriz, a tal da Bryce Dallas Howard!

Vilões

Três vilões no filme. Tava na cara que ia ser complicado conciliar todos eles. Duende “Júnior” teve uma participação bacana, Homem Areia foi superestimado, e Venom

O que fizeram com Venom!? É público e notório que Raimi não gosta do Venom, mas poxa, é o vilão mais legal na opinião de nove entre dez fãs. Cadê a língua, cadê o porte gigantesco, cadê a voz sinistra!? Deprimente… E teve gente que ainda gostou daquele troço preto escroto. Vejam a imagem abaixo, uma comparação entre dois action figures (bonecos) do Venom. O da esquerda reproduz o dos gibis, e o da direita, o do filme:

Comparação - Venom.

Sem falar que ele aparece só nos vinte minutos finais, e não há um close decente do seu rosto. Na verdade há, mas quando isso ocorre, o simbionte deixa à mostra o rosto do Eddie Brock.

Algo bom?

Sim. Apesar do conjunto ser péssimo, há alguns detalhes legais no filme. Basicamente, dois: as lutas, que ficaram espetaculares, e as pitadas de humor suave. Não aquela grosseria emo, mas coisas como a areia dentro do uniforme, ou as aparições do J.J. Jameson, ou ainda Bruce Campbell no restaurante francês.

Saí do cinema realmente desapontado… Como puderam estragar uma série até então imaculada!? O pior de tudo é que o filme está arrecadando horrores, já bateu os recordes de estréia e primeiro fim de semana em termos de bilheteria, e certamente baterá outros ainda. Isso dá brecha para um Homem Aranha 4. Tomara que eles parem por aqui.

[tags]homem aranha, spiderman, emo aranha, sam raimi, venom, homem aranha 3, spiderman 3[/tags]


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