No fim do ano, será lançada a edição brasileira de Harry Potter e as Relíquias da Morte, o último dos sete livros da série Harry Potter, escrita pela inglesa J. K. Rowling. Acho que, de todos os volumes, os únicos que eu li duas vezes foram o terceiro e o quarto. E, bom, levando em conta que faz uns cinco anos que tive meu primeiro contato com este universo mágico, nada mais justo que reler todos, numa preparação digna para o desfecho de uma estória fenomenal.
Eu já lia antes de pedir Harry Potter e a Pedra Filosofal de Natal (ou aniversário) para meus pais. Gostava muito da coleção Vaga-Lume, unanimidade entre a molecada do Ensino Fundamental. Mas este livro foi importante para mim por um motivo: foi o primeiro da minha pequena biblioteca. E isso, somado à qualidade do texto, fez com que esse contato fosse amor à primeira vista – pelo livro, não pelo Harry.
O primeiro livro da série é bem singelo e, por isso, “desce” muito bem. O enredo é relativamente simples, bem amarrado e muito bem contado. A forma com que as coisas são apresentadas, especialmente quando de forma displiscente (“as fotos dos trouxas NÃO SE MEXEM!?”), é realmente encantador, e um bom diferencial dos demais da série. As personagens são bem caracterizadas e descritas, bem como os objetos e lugares, e tudo isso dá asas gigantescas à imaginação.
Nesta primeira aventura, Harry, que até seu décimo primeiro aniversário sequer suspeitava que bruxos e criaturas mágicas existiam de verdade, e vivia sob os péssimos cuidados de seus tios trouxas (ou seja, não-bruxos), os Dursley, recebe uma carta de Hogwarts, a melhor escola de bruxos do mundo, administrada pelo maior bruxo de todos os tempos, Alvo Dumbledore, convocando-o a ingressar na mesma. O recado vem através de Hagrid, o guarda-caças, que o ajuda com os preparativos para o ano letivo. Depois de comprarem o material no Beco Diagonal, uma espécie de bairro mágico escondido em Londres, eles se separam.
Dali a alguns dias, Harry embarca, através do Expresso Hogwarts, para o castelo. Durante a viagem, conhece duas pessoas que se tornariam seus melhores amigos: Rony Weasley e Hermione Granger. Também revê seu maior desafeto (já o tinha visto no Beco Diagonal), Draco Malfoy. A viagem corre tranqüila, e eles finalmente chegam ao destino.
O começo do ano é meio difícil, afinal, depois de onze anos vivendo entre trouxas, adaptar-se ao mundo dos bruxos demora um pouco. Mas Harry consegue. Suas aulas são as mais variadas e inimagináveis possíveis: Poções, Herbologia, Transfiguração, Defesa Contra a Arte das Trevas, História da Magia e Feitiços (acho que não esqueci nenhum).
Paralelamente a tudo isso, o trio de amigos tenta desvendar um segredo guardado por Fofo, um cão de três cabeças, na sala trancada do terceiro andar. Munido de sua capa de invisibilidade (presente de Dumbledore, ganho no Natal), eles se arriscam à noite e, com muita dedicação, descobrem que o segredo é a Pedra Filosofal, um artefato que dá riqueza a quem o detém, além da vida eterna.
Harry, então, se divide em três (figurativamente, por favor) para dar conta dos estudos, das investigações sobre a Pedra, e do quadribol, o esporte bruxo tão idolatrado quanto o nosso futebol. Por ser do primeiro ano, em regra Harry não poderia jogar oficialmente, mas graças a uma disputa com Draco, onde ele demonstra uma habilidade natural fora de série com a vassoura, torna-se o mais jovem apanhador em cem anos.
Há muitas reviravoltas, jogos e advinhações até o desfecho do livro. Snape, o professor de Poções que gosta de odiar Harry nas horas vagas, é desde o princípio o principal suspeito das sucessivas tentativas de furto da Pedra Filosofal. No final, entretanto, todos descobrem que o culpado é o nada suspeito Quirrel, professor de Defesa Contra a Arte das Trevas, possuído por Voldemort, o vilão da série que, não por acaso, definhou tentando matar Harry quando este era ainda um bebê, deixando-o com a característica cicatriz em formato de raio na sua testa.
Um detalhe curioso que se observa neste e nos demais livros da série é que, salvo raras vezes, Harry, Rony e Hermione quebram todos os regulamentos possíveis e, ainda assim, no final posam de heróis, com o aval de toda a direção de Hogwarts, e até do Ministério da Magia. Não que isso influenciará jovens a cometerem ilícitos na esperança de serem agraciados pelos diretores das escolas onde estudam, ou pelo Lula, mas enfim.
No final, o bem vence o mal, Grifnória ganha a taça das casas depois de sete anos de hegemonia da Sonserina, Harry, Rony e Mione derrotam o Quirrel powered by Voldemort, a Pedra Filosofal é destruída, e tudo termina bem – ou normal, já que voltar à casa dos Dursley não é algo que Harry enquadraria no termo “bem”. Isso, claro, até o próximo ano, quando novas aventuras surgirão. Mas isso é papo para um outro post…
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