Posts do mês Agosto de 2007

5 livros que li e recomendo

28 Ago

Meme cansa, não? Ultimamente recusei alguns, todos em virtude do assunto de que tratavam, de nenhuma maneira, se encaixarem com a proposta do blog (e olha que este é um blog sem foco!). Enfim, talvez por isso, ou pelo tom de banalidade que a prática alcançou, está sendo difícil eu topar participar de um meme.

Difícil, mas não impossível. Há mais de um mês, o Hilder Santos escreveu sobre os cinco livros que marcaram sua vida, e após uma rasgação de seda que, embora eu tenha achado exagerada, muito me lisonjeou, passou a bola para mim. Como livros é um assunto que me atrai muito, escrever sobre os cinco melhores que já li é, antes do seguimento de um meme, um prazer. É exatamente por isso que estou participando deste.

Alguns acham que sou uma máquina de leitura, mas a verdade está bem longe disso. Gosto, sim, de ler, e muito, mas em virtude dos compromissos que tenho, tanto com a faculdade, quanto com os sites que cuido, é bastante raro sobrar algum tempo para dedicar à leitura. Mas mesmo com esses empecilhos, vez ou outra consigo terminar um livro, e nessa, até hoje já li bem mais que a média do brasileiro (não que isso valha alguma coisa; serve só para demonstrar que não sou tão relapso assim, também…).

Sem mais delongas, vamos à lista, organizada de forma alfabética a fim de evitar quaisquer insjutiças ou discriminações.

Admirável mundo novo

Admirável mundo novo, de Aldous Huxley.Livro escrito na década de 1930 por Aldous Huxley, trata de um tema delicado, futurista e que, invariavelmente gera discórdia e debates acalorados: condicionamento do ser humano. Na estória, os seres humanos são condicionados, desde o nascimento, a agirem em prol do todo. Institutos que em nossas vidas são essenciais, como a maternidade, religião, etc., não existem ali, e todos vivem felizes com o que têm, sem reclamações, ou brigas, ou qualquer coisa que cause trauma à coletividade. Claro que, nesse quadro, surge uma ovelha negra e quebra o círculo perfeito. O livro foca justamente nele.

Outro detalhe interessante é que, embora essa sociedade perfeita seja onipresente, os humanos de hoje existem lá, mas estes são tratados como seres inferiores, verdadeiras pragas que devem ser repelidas sem dó. O livro aborda também o choque entre esses dois mundos, e o faz de forma magistral.

Já defendi meu ponto de vista sobre a temática do livro aqui. Ainda acho que o condicionamento seria uma boa saída para a solução de todos os problemas, mas acho tal solução impossível de ser praticada por um simples motivo: o ser humano anseia o caos. Lembram da primeira Matrix? Então.

De resto, o livro é entretenimento de primeira, e traz uma boa dose de perguntas existenciais e questionamentos dificílimos. A leitura é fácil, flui bem, o que só enriquece ainda mais a memória de Huxley. De quebra, a edição que li, embora não seja perfeita, quebra o galho, e o que é mais importante, é baratinha - menos de R$ 10,00.

Alta fidelidade

Alta fidelidade, de Nick Hornby.Sou um fã confesso do estilo de Nick Hornby. Seu humor fino e escrita envolvente são deliciosos. Os dois livros deste autor que já li até hoje, Alta fidelidade e Como ser legal, figuram fácil em qualquer lista de melhores livros que eu possa fazer. (Nesta, para abrir espaço para outros autores, escolhi apenas um dele).

Esse livro mostra a vida do trintão Rob Fleming, dono de uma loja de discos, viciado em top fives e colecionador de foras de garotas. Não que eu queira ou anseie ser como ele quando chegar na casa dos trinta, mas me identifico bastante com suas neuras e paranóias, e talvez por isso, somado à inegável e já citada qualidade do texto, tenha gostado tanto desse livro. Na loja, Rob tem a ajuda de dois assistentes e amigos (os únicos, aparentemente), Barry e Dick, e em casa, a companhia de sua namorada advogada, Laura. Esses quatro são os personagens principais.

Não há um assunto central no livro, que começa com Laura dando um pé na bunda de Rob. Ele fala sobre amor, compromisso, falta de expectativa na vida, e outros assuntos bobos mas que, sem pedir licença, tomam de assalto qualquer um que tenha passado a casa dos vinte anos. Aliás, uma das passagens mais legais do livro, a favorita da Lu, denuncia o espírito da obra: “Somente pessoas com uma determinada inclinação têm medo de ficar sozinhas para o resto de suas vidas aos vinte e seis anos de idade”

Cem anos de solidão

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez.Este é o, arrisco dizer, melhor livro que já li. Gabriel García Márquez escreve com tamanha perfeição que faltam palavras para descrever seu estilo. Ele conduz o enredo de forma leve, entrelaçada, magnífica. E mesmo que às vezes o leitor se perca no meio de tantos Buendías, como num passe de mágica tudo volta a fazer sentido, detalhe este que engrandece ainda mais essa obra.

O livro fala sobre a trajetória dos Buendía, uma família que vive num país qualquer da (acho eu) América Central, e que funda uma pequena vila no meio do mato. Várias e várias gerações são retratadas no livro, bem como o desenvolvimento da vila e de todos os integrantes da família.

A nota da orelha do livro diz que Márquez baseou-se nas estórias que sua avó contava quando ele era pequeno. Isso talvez explique a aconchegante familiaridade sentida em determinados trechos. Inexplicável, porém, é a sensação de ler esse livro. Nota dez, fácil!

Crime e castigo

Crime e castigo, de Fiodor Dostoiévski.Uma das maiores obras do escritor russo Fiodor Dostoiévski. Li esse livro num grupo de leitura, com o auxílio de um especialista no assunto, e isso foi muito bom a fim de melhorar a compreensão do enredo. Não que seja difícil, coisa que não é, mas sempre há detalhes pequenos, curiosidades e/ou peculiaridades russas, enfim, essas coisas.

O livro mostra um jovem pobre e desiludido, Raskólnikov, que, para conseguir dinheiro, decide matar uma velha usurária (aka agiota) mão de vaca e mesquinha. Embora esse possa parecer o ápice do livro, não é; a coisa realmente começa a ficar interessante após o assassinato, quando começa o dilema de Raskólnikov: se entregar ou não à polícia?

A profundidade do fator psicológico é o que mais chama a atenção. Dostoiévski conseguiu demonstrar muito bem o que, imagino eu, seja a angústia de alguém que cometeu um delito e teme ser descoberto. Paranóias, medos, suspeitas… Tudo isso é muito bem retratado, e o mistério acerca de sua rendição ou não permanece até o final.

É um livro denso, extremamente detalhado, e em virtude disso, em determinados pontos meio maçante. Mesmo assim, é uma leitura que acrescenta muito, seja pela qualidade do texto, que foi muito bem escrito, seja pela temática, desenrolar do enredo e pequenos pensamentos embutidos, que são fantásticos.

Dom Casmurro

Dom Casmurro, de Machado de Assis.Obra máxima de Machado de Assis, um dos maiores escritores da língua portuguesa. Este é o único livro da lista que li enquanto estava na escola, e o fato de eu ainda lembrar dele passado tanto tempo, só evidencia sua qualidade.

Nesse livro, temos a estória de Capitu e Bentinho, um casal que se conheceu ainda criança, e que têm juntos uma história de amor e tragédia. A beleza do texto é fantástica, e é fácil apaixonar-se por Capitu e “seus olhos oblíquos e dissimulados”. Num exemplo de domínio do vernáculo e sensibilidade, o autor deixa no ar uma dúvida que inúmeros doutores e especialistas já tentaram solucionar, todos sem sucesso: afinal, Capitu traiu ou não Bentinho? Eu acho que não, mas independente disso, vale a pena ler esse livro.

***

Ufa! É difícil listar e comentar cinco livros. Mas gostei do exercício, e acho que cumpri a missão a contento. Espero que gostem das indicações, e caso ainda não tenha lido algum(ns), vá em frente: eu garanto todos os cinco títulos listados aqui.

[tags]Livro, Literatura, Dom Casmurro, Alta fidelidade, Crime e castigo, Cem anos de solidão, Admirável mundo novo, Aldous Huxley, Machado de Assis, Nick Hornby, Dostoiévski, Gabriel García Márquez[/tags]

Talk about yourself

22 Ago

Tenho medo do tio Sam!Há pouco mais de dois anos, comecei um curso de inglês numa renomada escola de idiomas que, embora seja cara, até hoje não me decepcionou. Estou aprendendo direitinho, e, vejam só, já até consigo entender algumas músicas cantadas no idioma do uncle Sam!

Ok, ok, vamos direto ao ponto. Tenho notado ultimamente que o contexto das lições está um pouco… estranho. Eu realmente sinto-me um pouco desconfortável em ter que escrever coisas como “minhas metas profissionais”, ou “o que eu tenho feito para melhorar minha relação com minha família”. Não ligou uma coisa à outra? Pois é assim que as lições são propostas.

A escola em questão foca fortemente no crescimento pessoal, mas isso não deveria ser levado tão ao pé da risca. Afinal, a idéia é aprender inglês, não filosofia. Não é uma crítica destrutiva, tanto que inclusive já comentei esse assunto com alguns professores. O problema é que, nessa, às vezes eu me preocupo mais com o que escrever, do que com como escrever.

Antigamente os toques zen eram mais amenos, e se restringiam a uma mensagem reconfortante no final das lições, que enchia nossos corações de alegria e ânimo, e essas coisas todas. Essa parte é legal, pois enriquece nosso vocabulário de forma atraente e interessante. Hoje, porém, a aula toda, exceto a parte gramatical, é quase um inquérito sobre nossas vidas.

Por ora, está funcionando. Digo, estou aprendendo e, na medida do possível, me safando das perguntas profundas. Mas, se a coisa continuar assim, não quero nem imaginar como será no último semestre…

[tags]Inglês, Curso, Futuro, Auto-ajuda, Idioma, Língua, Americano, English[/tags]

Carros da Volkswagen, Chevrolet, Honda e Fiat

16 Ago

Gol.   Fox.   SpaceFox.
Polo.   Bora.   Golf.
Jetta.   Passat.

As novas versões dos carros da Volkswagen do Brasil são… horríveis. Essas lanternas traseiras com arcos prateados que, segundo a VW, lembram “olhos humanos”, é deprimente. Tinha ficado legal na SpaceFox, mas daí a estender a novidade para TODOS os carros, é forçar amizade. Além disso, os nossos Volks são diferentes dos europeus. Já viram o Golf de lá? Dá um banho no nacional, tanto em design, quanto em desempenho.

Vectra GT.

A Chevrolet vai pelo mesmo caminho, mas pelo menos não peca quando o assunto é design. A última investida da montadora é o Vectra GT, uma versão hatch e mais esportiva. Acredite ou não, na Europa este é o Astra. Claro que a semelhança pára no visual, já que por dentro, o motor usado é o mesmo de sempre. O carro sequer foi lançado ainda, mas já ganhou um carinhoso apelido: Vectra Grande Trouxa.

Civic.   Grande Punto.

Enquanto isso, a Honda dá o exemplo, mantendo carros belíssimos (em todos os aspectos), idênticos aos fabricados no Japão. A Fiat, por sua vez, está trazendo para cá o Grande Punto, igual ao europeu, incluindo a tecnologia Blue&Me.

Ah, eu adoro carros :).

[tags]carro, punto, civic, golf, volkswagen, fiat, honda[/tags]