A arte de ser prolixo

18 Set, 23:14     Eu e eu mesmo, Mas hein?

Fala, fala, fala…Acabo de retornar da primeira noite do VIII Simpósio de Direito, promovido pela Faculdade Maringá, no Centro de Convenções do shopping Aspen Park. Os palestrantes falaram sobre guarda municial (Coronel Bicalho), e justiça desportiva (Alexandre Quadros). Palestras bacanas e tal, mas não é sobre elas que quero falar.

Quero demonstrar, aqui, neste espaço público, minha indignação contra a prolixidade. Não dos palestrantes, que felizmente não cometeram este pecado, mas dos membros da mesa que, após cada palestra, eram convidados a formularem perguntas àqueles. É impressionante como certas pessoas conseguem criar redes e linhas de pensamentos em tamanho número que, em pouco tempo, se perdem nas próprias palavras, e por fim, transformam seu discurso numa sopa de palavras sem nexo, algo totalmente desinteressante.

Não sou bom para falar em público (embora após o segundo minuto no palco consiga me comportar decentemente), mas acho que até o mais tímido dos tímidos tem noção de que ser sucinto em ocasiões como a de hoje é o melhor caminho. Sucinto, não incompleto. Há um abismo entre esses dois termos. Talvez não seja nem questão de desinibição ou timidez, mas de bom senso. Enfim, não sei qual o motivo, acredito que cada um dos que questionaram os palestrantes tinha os seus, e a nós, pobres espectadores, coube ouvir aquela ladainha sem fim.

Nas duas “perguntas” mais longas, uma nem eu, nem os que estavam à minha volta, nem mesmo o palestrante, entendeu a pergunta. Algo absolutamente paradoxal, afinal, convidaram o cara para… perguntar! Na outra, o que era para ser uma pergunta, transformou-se num “causo”, culminando com congratulações entusiasmadas, e só. Pergunta? Hein!?

Ou os questionadores estavam realmente ruins hoje, ou eu estou ficando ainda mais chato e rabugento. Amanhã tem mais duas palestras. Vou tentar sobreviver.

[tags]palestra, oratória, pergunta, questionamento, prolixo[/tags]

Neste dia, em anos anteriores...

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8 Comentários

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  1. Pepe
    19 Set, às 08:20

    É o mal do direito: Muita enrolação e pouca coisa de fato.

    Vai se acostumando…


  2. Dan
    19 Set, às 09:56

    Normal, muitas das palestras de direito acabam virando consultas, de uma forma ou de outra.

    Outra coisa que eu percebo é que, por ser estudante de direito, a pessoa acha que tem que falar difícil para demonstrar que tem conhecimento (que as vezes não tem).


  3. Vinícius de Figueiredo
    19 Set, às 12:41

    Infelizmente é muito comum encontrar gente que não consegue se expressar direito. Falta poder de organização nas idéias e capacidade de síntese, discutir com essas pessoas se torna algo impossível.


  4. Nelson
    19 Set, às 21:07

    Pois é aquilo que sabes ser do sabiá uma grande idéia humanidade da água no passado sujeito composto? Hmm.


  5. Thássius
    20 Set, às 01:49

    Esse tipo de situação é muito chata. Outra coisa que incomoda, além da pergunta demorada e prolixa, é a resposta na base do “enrolation”.


  6. Daniel Moura
    21 Set, às 20:16

    Legal esses simposios… principalmente quando é de uma area que vc gosta…
    Sempre que tem uma oportunidade de conderir algo assim, seja um simposio ou um congresso… é uma otima oportunidade de conhecer pessoas.


  7. issamu
    24 Set, às 08:40

    Marketing pessoal.

    Quem quer fazer uma simples pergunta, pensa, antes de soltar alguma palavra.


  8. Larissa
    24 Out, às 15:49

    É, Rodrigo. Por esta e outras que ainda me pergunto como fui capaz de me graduar em Direito. Acho que o Direito para alguns deixou de ser ” a arte do bom de justo” e agora é mera “arte da enrolação”.
    Um abraço.

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