Barbarella, a rainha da galáxia

Jane Fonda - Barbarella.Barbarella, Barbarella, Barbarella… Mas quem diabos é essa tal de Barbarella? Confesso que nunca tinha ouvido este nome, até minha irmã e as amigas dela começarem a praticamente cultuá-la, graças à exibição do filme numa madrugada em que elas estavam reunidas.

Respondendo a pergunta do primeiro parágrafo, Barbarella é a “rainha da galáxia”. Uma heroína intergalática que vive no ano 40000 d.C (sic), combatendo vilões como Duran Duran e Rainha Negra. De acordo com a resenha presente na parte traseira do DVD nacional, ela é algo como uma “James Bond de saias” - se bem que, a julgar pelo filme, está mais para uma James Bond sem saias, blusa e peças íntimas.

Barbarella dos quadrinhos.A personagem foi criada pelo francês Jean-Claude Forest, sob a forma de uma revista em quadrinhos, em 1962. O mote das aventuras dela teoricamente seria salvar o Universo, mas na real ela gosta é de ser salva e “recompensar” os mocinhos.

Em 1968, estrelando Jane Fonda, foi rodado o filme Barbarella. Verdade seja dita, Jane Fonda é um espetáculo. Belíssima mulher, tanto para os padrões da época (imagino), quanto para os atuais. Pois bem, o filme é trash, considerando ter sido rodado na década de sessenta e, apesar disso, exigir efeitos especiais complexos. Sem falar na trilha sonora, que parece ter saído de um dos discos do Tom Jones. Mas, tal qual todo material trash, é divertidão.

Na trama, a paz universal é abalada pelo Duran Duran, um terráqueo que fugiu e criou o Raio Positrônico, capaz de destruir tudo e todos. O chefão do Universo, então, convida Barbarella, que prontamente aceita a missão de deter o bandido. A partir daí, começa uma sucessiva leva de acontecimentos, que basicamente podem ser resumidos da seguinte forma: Barbarella corre perigo; mocinho salva Barbarella; Barbarella “recompensa” o mocinho.

Pode soar pornográfico, e talvez até seja. Barbarella é uma moça um tanto… dada. Pelo visto, daqui a quarenta mil anos sexo será igual aperto de mão, ou agradecimento verbal (”obrigado”). O detalhe mais interessante é que o sexo é encarado de maneira diferente. O único contato corporal é feito com a palma da mão. Através de uma pílula, o casal tem orgasmos violentos, do tipo que levanta os cabelos - literalmente. O primeiro cara que a salva no filme, porém, é old school, e quer a coisa do jeito tradicional, ou na visão da heroína, primitivo. E não é que ela gosta da coisa?

Há muita coisa trash no filme, o que é garantia de boas risadas. Desde o pai do Daniel Radcliffe, o ator John Phillip Law, que interpreta o anjo Pylgar e, acredite ou não, consegue ser mais insosso que o Harry Potter das telonas, até os nomes absolutamente estranhos dados às parafernalhas inventadas pelo criativo roteirista. Isso sem falar na mania de discrição deles, o que demanda um sem número de coisas secretas. Até o pescoço da Barbarella é secreto, e nele fica pendurada a chave invisível (corte de custo já!).

Pylgar.

A pérola do filme, o ápice, a tosqueira-mor, todavia, é a passagem abaixo, que, não por acaso, é o primeiro resultado na busca por “Barbarella” no YouTube:

Contextualizando. O tiozão com cara de Galvão Bueno é o vilão Duran Duran, a mocinha dentro do caixão é a Barbarella, e o caixão é, na realidade, a “máquina do prazer”. Duran Duran capturou Barbarella, e a submeteu à tal máquina, que mata as mulheres de… ahn, prazer. Só que a virilidade da heroína é tamanha, que sequer a maléfica máquina do prazer é capaz de segurá-la e, pasmém, ela quebra a máquina.

Tosco, mas ainda não é o bastante. Essa cena dá margem para o maior, melhor e mais incrível trocadalho do carilho da história do cinema. Para a máquina funcionar, é preciso que alguém toque uma música no piano. E… bem, Duran Duran toca uma para Barbarella. Literalmente. Sem malícia.

O filme está à venda no Submarino, por um precinho camarada (R$ 13,00). Vale muito a pena, tanto pela Jane Fonda, quanto, principalmente, pelas boas gargalhadas que ele proporciona. Reúna os amigos, estoure uma pipoca, e prepare-se para o festival. Comentários pertinentes e engraçados durante a exibição são altamente recomendados.

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8 Responses to “Barbarella, a rainha da galáxia”

  1. Eh,eh,eh… sou cinquentão e da época do lançamento. Jane Fonda era o que havia de mulher desejada na época e para nós, garotos dos 14, 15 anos, esperamos ansiosos a chegada de Barbarella no cinema da cidade.
    Deu fila de volta no quarteirão, coisa que só acontecia com filmes de Tarzan e do Mazzaropi.
    Pela postagem Rodrigo. E, acredite, na época, quando ninguém sonhava com efeitos especiais, era o máximo ver o que está no filme.

  2. elaine Says:

    eu sei q é meio fora do assunto, mas vc comentou o fato de sua irma ter visto esse filme de madrugada e eu to numa busca pelo nome de um filme q eu vi e me causou uma epifania daquelas…
    é um filme japones onde as pessoas morrem e precisam escolher uma lembrança de suas vidas para viver eternamente com ela.
    se souber me socorre aí!
    a proposito, esse tal de barbarella tá mais p desenho animado…
    valeu!

  3. Paty Says:

    Barbarella é um clássico hauhauahuhauhuhah!

    Ps: Não é o chefão da galáxia que convoca ela, é o Presidente da Terra =p

  4. Rafael Says:

    Ótima análise, Rodrigo! Verei se alugo pra dar umas risadas no feriado!

    Mas um detalhe inútil, mas que não deixa de ser um detalhe:

    Repare o comprimento dos dedos dela (especialmente na primeira foto do post)! Repito, *olha o comprimento dos dedos dela*!

    Não preciso dizer mais nada…

  5. Carol Says:

    HÁÁ eu não falei que você tinha a-do-ra-do esse filme??
    é risada garantida…
    é o clássico dos clássicos, inspirou metade dos filmes da atualidade…
    assistindo ele agente descobre caada coisa… HUAOAOUAHOUAHOAUh

    essa sim é uma análise relevante, talvez a mais relevante já feita por você… yes!

  6. Neto Cury Says:

    Caraca, não consigo pensar outra coisa, senão falar pra sua irmã e suas amigas que está na hora de arranjar namorados… :D
    Ficar em casa reunida com a galera e assistir barbarella é sacanagem! (ou não :lol: )
    Abração

  7. Nelson Says:

    Filmes trash antigos realmente nos fazem rir. Às vezes passa um do tipo na Sessão da Tarde e o pensamento “como eles tiveram coragem de colocar isto no filme!?” vem à tona…

  8. Lali Says:

    Barbella adicionado com sucesso na lista “must see” de filmes que preciso assistir antes de morrer!

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