Dia desses, estava assistindo TV, e vi uma propaganda de um curso superior via satélite. Nela, uma ex-aluna fazia o jabá do tal curso, dizendo todas aquelas bobagens inerentes à publicidade do tipo, além de ressaltar que, após tê-lo concluído, tornara-se professora e escritora. Não que eu duvide da capacidade da moça, mas… Por que ela não escrevia antes? Afinal, por mais que o curso seja bom, e não quero entrar neste mérito, dificilmente vê-se recém-graduados tornando-se escritores – eu, pelo menos, nunca vi.
Continuando nesta linha de raciocínio, tive um pensamento meio mesquinho e invejoso, mas que me pareceu sensato naquele momento. Talvez o nível, os critérios, enfim, o “desconfiômetro” da escritora do curso via satélite seja baixo, mas ela não perceba isso. Talvez seu livro contenha textos intragáveis, mas para ela, a pessoa que escreveu aquilo, seja um épico de Camões, ou uma tragédia de Shakespeare. E isso a enche de coragem e determinação para publicar seu material, independente da qualidade deste, sem medo do que público e crítica dirão. Algo mais ou menos como aquela velha história de que felizes são os ignorantes.
Ou então, e acredito piamente nessa hipótese, estou perdendo a confiança no meu taco, achando tudo que escrevo (quando o faço) um lixo, o que é, cá entre nós, muito, mas muito mais grave do que recém-formados em cursos de graduação via satélite publicando livros e aparecendo na TV como se fossem quase-membros da ABL.
