Sawdust

O problema em ser bom é a expectativa que essa qualidade gera nos outros. A partir do momento que passam a empregar esse adjetivo quando se referem a você, a obrigação de manter o nível se estabelece e só vai embora quando a contrariamos, ou seja, quando o bom se torna ruim.

Os Killers saíram de Las Vegas há alguns anos e, com seu disco de estréia, Hot Fuss, arrebataram elogios efusivos de crítica e fãs (inclusive deste que aqui escreve). As músicas são contagiantes, têm influência das dos anos oitenta, embora não passem sequer perto do cafona, e… enfim, são excelentes. Algum tempo depois, a trupe de Brandon Flowers lançou o Sam’s Town (escrevi sobre o disco), segundo disco que, se não é superior ao primeiro, segurou o rojão legal. Um disco bacana, que embora tenha menos músicas marcantes em relação ao primeiro (apesar de ter mais canções, em termos absolutos), é bom. Vale a pena, de verdade.

Sawdust, novo disco do The Killers.

Capa do Sawdust.

Enquanto os Killers ainda seguem turnê do Sam’s Town, resolveram entrar em estúdio, pegar alguns b-sides e músicas experimentais, e lançar um CD “off road”. O resultado é Sawdust, disco inspiradíssimo que já há alguns dias não sai da minha playlist.

Sawdust traz reinterpretações interessantes de grandes sucessos, conserta injustiças (b-sides que nunca chegaram aos ouvidos do grande público), e apresenta músicas novas à altura das grandes dos discos anteriores. Se faltou inspiração e ousadia em Sam’s Town, aqui sobra. Dá para entender, afinal, o disco é composto por canções que, acredito eu, a princípio ficariam de fora de quaisquer discos lançados pela banda. Ainda bem que esse destino não se concretizou.

Há muitas músicas novas legais (Tranquilize, Who Let You Go?, Move Away, Leave the bourbon on the shelf), reinterpretações de músicas já lançadas em outros discos (Sam’s Town “piano e voz”, Mr. Brightside “dançante”, Glamorous Indie Rock And Roll), e b-sides/bonus tracks geniais (Where The White Boys Dance, All The Pretty Faces).

Não sei se este disco desembarcará por aqui. Se tiver a chance de ouví-lo, não perca-a! É difícil encontrar bandas boas divulgando dessa maneira b-sides e versões alternativas de suas próprias músicas…

Neste dia, em anos anteriores...

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4 Responses to “Sawdust”

  1. Beto Says:

    Muito bom o som deles, mas para mim Hot Fuss é o melhor. Eu fiquei com uma raiva: eu fui no Tim aqui em SP, mas não deu para ficar pro show deles porque eu tinha prova na segunda… (mas valeu a pena ir só pela Björk!). Eu gosto das músicas mais melancólicas e dançantes, bem sticky, e nenhuma do Sam’s Town ficou grudada na minha cabeça como ‘Mr. Brightside’ e ‘Somebody Told Me’.

  2. Lali Says:

    Who let you goooo? Who let you go?
    Sha la la la
    Obrigada pela dica master Rodrigo!

    ps: parece a voz do Bono sim!

  3. Eu achava Hot Fuss muito melhor que Sam’s Town até que um dia percebi que tava gostando mais do segundo.

    Sawdust tá na minha playlist desde que lançaram. e gostei muito. Meu als.fm não me deixa mentir: http://www.last.fm/user/felipediesel

  4. [...] O último disco deles, Sawdust, trouxe canções de singles, bonus tracks e outras que, por um motivo ou outro, não entraram nos CDs oficiais lançados até então. Apesar dessa descrição passar uma sensação de “resto”, acredite: é um disco fenomenal. Já escrevi sobre Sawdust, portanto, para ler mais sobre ele, clique aqui. [...]

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