Rodrigo Ghedin

A terceira temporada de The O.C.

Não curto muito acompanhar séries, tendo em vista minha indisciplina para com elas, motivada pela relutância em ficar uma hora por dia parado na frente do monitor, assistindo um episódio. Por isso mesmo, quando gosto de alguma, de duas, uma: ou faço um esforço e me torturo diariamente no PC, ou compro logo a série em DVD. A esta última opção, só recorro em casos muito especiais, quando a série vale mesmo a pena. E, depois de assistir alguns episódios na SBT (lembrar da dublagem e do Celso Portioli me dá calafrios), comprei o box da primeira temporada de The O.C. (análise aqui). Excelente, uma das melhores coisas que já assisti na TV. Trama bem amarrada e inteligente, pitadas de humor deliciosas, enfim, um deleite.

Algum tempo depois, quando entrou na promoção, comprei a segunda temporada também (análise aqui). Bem aquém, roteiro um tanto previsível, e partes absolutamente desnecessárias, chegando ao ponto de constranger.

Mas, já que tinha metade da série, resolvi terminá-la. E assim, no momento em que o box da terceira temporada de The O.C. entrou em promoção, comprei-o.

(Daqui em diante, spoilers!)

Essa temporada começa exatamente onde a segunda termina: no tiro de Marissa em Trey. Este, para felicidade geral de todos que gostam da série, sumiu depois do primeiro episódio. Uma pena terem incluído, lá na frente, outro mothafocka tão idiota quanto o irmão de Ryan, o tal do Volchock.

Ao invés de retornar ao tom light da primeira temporada, esta mostra que, realmente, é seqüência da segunda. Entenda tal constatação no sentido metafísico, “espiritual”. Tramas paralelas continuam cansativas, e certas ações são previsíveis e/ou idiotas ao extremo, como o fato de Ryan e Marissa terem um namoro telepático, já que eles mal se vêem ou conversam; Volchock não diz a que veio, fica rondando, dá uns pegas na Marissa e, pasmém, depois a mata. Legalzão ele, né?

Apesar dos pesares, há cenas muito divertidas, especialmente com o casal Summer e Seth. A mais legal, sem dúvida, é quando ele, tentando obter o apoio de Taylor (nova personagem) para que os pais deixassem Marissa estudar na Harbor, lhe oferece favores sexuais. É a cena mais non sense da série, e por isso mesmo, uma das mais divertidas.

Favores sexuais.

Ele ainda fuma maconha, mente sobre sua reprovação na Brown (e causa um imbróglio de proporções gigantescas), além de desferir suas piadinhas alucinadamente. Deviam mudar o foco da série; tirá-lo de Ryan, e jogá-lo em Seth. Seria bem mais divertidona (ou não!).

Seth acendendo um baseado.

Ryan vira um pegador nato; além de finalmente copular com Marissa, logo nos primeiros episódios, ele tem uma one night-stand com a loirinha (bem gatinha) que trabalha com sua mãe, e logo em seguida, se envolve com Sadie, a prima do Johnny. Aliás, é com Sadie que ele tem as idéias mais toscas do mundo, como morarem juntos em Berkley… Mas, como todas as mulheres da vida dele, ela vai embora.

Velhos conhecidos reaparecem: Theresa e Anna! A primeira está bem gorda, e não, o filho dela que misteriosamente aparece no começo da segunda temporada, não é de Ryan. Anna está magrela e bronzeada - e estranha. Mas ela é tão legal!

Anna.

A intervenção de Theresa é horrível. Começa a rolar um clima, aí Ryan dá uns sopapos em Volchock, e quando ela vê as marcas das agressões na mão do mocinho bad boy, tem um xilique e vai embora. Mas hein!?

A porçõa old do elenco, encabeçada por Sandy, Kirsten e Julie, ficou meio apagada. No começo, Kirsten quase é enganada por uma tiazona golpista que conhece na clínica de desintoxicação. Aí Julie frusta os planos dela, e ela… some. Isso que é foda: num episódio, há tanto enfoque na tiazona que a sensação que fica é de que ela passará a integrar o elenco; no outro, ela some sem deixar rastros, e nunca mais tocam no nome da coitada (tanto que eu nem lembro qual é). Sandy assume a presidência do Newport Group, e vira um sacana. No final, ele abdica do sonho de construir um hospital, no qual havia tanta maracutaia que faria nosso Congresso se envergonhar, e reassume a posição de pai de família exemplar. Assim, num estalar de dedos. Muito mal contada essa história, e abrupta essa mudança.

Sandy discursando.

Ah sim: depois de amargar meses vivendo num trailer, Julie se casa com Dr. Roberts, o pai da Summer.

Parece que fizeram tudo de qualquer jeito, que os roteiros não passaram por revisões, e que foram escritos na medida em que a série era filmada, sem nenhum tipo de planejamento. Resumindo, saiu um serviço de porco.

Pra fechar, o final é pesado, tal qual foi o da segunda, e isso passou uma sensação de mais do mesmo não muito agradável… Seria mil vezes melhor se tivessem encerrado com um clima alegre, na formatura do quarteto (que foi bem legal, de verdade!).

Embora tenha zilhões de pontos negativos, ainda assim acho que a terceira é melhor que a segunda, e que ambas ficaram a anos-luz da primeira… Uma pena. A série já foi para o saco, terminando na metade da quarta temporada. Resta um box (quero o especial!), que adquirirei quando o preço baixar. Então, até lá!

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Publicado em 18 de December de 2007, às 1:24 pm, na categoria Cultura.

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