Recentemente, no dia 17 de dezembro, para ser mais exato, o termo “weblog” completou dez anos. Muitos artigos foram publicados em sites mundo a fora, e eu, através deste humilde espaço, mais especificamente por causa deste texto, parei num deles.
O Marcelo Tavares, jornalista da revista eletrônica Cultura Online, cuja sede fica em Goiânia, entrou em contato comigo através do espaço para comentários do post supracitado, a fim de saber se eu poderia conceder-lhe uma entrevista sobre blogs. Concordei, e alguns dias depois, respondi uma bateria de perguntas.
Algum tempo passou, e eu tinha até esquecido a tal entrevista. Organizando meu e-mail, me deparei com o do Marcelo, e então fui verificar no site se a entrevista já tinha sido publicada. Para minha surpresa e gratidão, estava lá (e com minha estonteante foto ilustrando a chamada, no canal Web).
O link direto para a entrevista é este aqui. Gostei do resultado, embora o texto contenha muitos errinhos bobos de gramática e concordância, e o que é mais grave, não dá, em momento algum, link para meu blog (sem falar na screenshot minúscula do blog de uns dois anos atrás). O Marcelo apenas pescou alguns trechos de minhas respostas, emendando-as com comentários sobre a Raquel Pacheco (aka Bruna Surfistinha) e Ricardo Noblat.
Pedi autorização ao Marcelo para publicar aqui a entrevista completa. Ele liberou. Segue as perguntas e respostas:
1. Como descobriu o blog?
Não lembro ao certo, mas acho que foi no IRC. IRC é um sistema de bate-papo muito legal, o mais popular no final da década passada, começo desta. Algumas meninas tinham blogs, e pediam comentários nos bate-papos que rolavam por lá. Acho que foi aí que conheci os blogs.
2. No artigo você fala que não se deu muito bem no primerio contato com o blog. Você poderia explicar um pouco melhor?
Pelo motivo acima. Moçoilas de 14 anos, em regra, não escreviam nos blogs; elas simplesmente colavam GIFs cor-de-rosa que piscavam freneticamente na tela. Associei blogs àquelas coisas, e daí veio a repulsa inicial a eles.
3. Hoje qual é a importância do blog na sua vida, tanto profissional como pessoal?
Neste momento, o blog é meu ganha-pão. Mantenho alguns e, através da publicidade que veiculo neles, recebo alguma coisa no final do mês. Não é muito, e nem quero viver exclusivamente disso para sempre, mas é algo considerável. Minha meta é fazer dessa renda um complemento à renda principal. A exceção é meu blog pessoal, no qual não tenho pretensões financeiras. Sempre gostei de escrever, e este blog funciona como uma válvula de escape para meus textos. Quase uma terapia.
4. O artigo que está no seu blog é o primeiro, ou você ja fez outros? Qual é sua intenção em fazer esses tipos de artigo e por quê?
Não mesmo. Só no meu blog pessoal, já publiquei mais de 320 textos, no período de um ano e meio. Isso sem falar nos demais… Todo dia, religiosamente, escrevo pelo menos um texto para um dos blogs. Em dias inspirados, chego a sete, oito textos. É difícil manter uma regularidade em virtude da ausência de pautas vez ou outra, e também de outros compromissos, como a faculdade. No meu blog pessoal, não tenho um assunto definido. Escrevo sobre qualquer coisa (desde que eu não me sinta constrangido em publicá-la). Este texto, em particular (Breve análise da curta história do blog), eu não lembro muito bem quando ou porque resolvi escrevê-lo…
5. Quanto tempo você gasta diariariamente para atualizar seu blog?
Então, isso também é relativo. O maior trabalho que tenho não é escrever, mas sim garimpar e lapidar assuntos relevantes para cada um dos blogs que mantenho. Os mais focados, com assuntos definidos, recebem atualizações de acordo com o mercado: notícias, lançamentos, novas dicas, etc. Já meu blog pessoal, varia do que eu fiz, do que consumi nos últimos dias (livros, filmes, etc.), ou de idéias mirabolantes que às vezes me vem à cabeça, como aquela de ensinar a fritar um ovo.
Contabilizando todo o tempo com pesquisa e leitura de material, além do tempo gasto na redação dos textos, devo gastar, num dia normal, em torno de umas seis horas. Há dias em que gasto bem menos que isso, da mesma forma que há outros em que gasto bem mais. Mas na média, fica em cerca de seis horas por dia mesmo.
6. Quais as vantagens e desvantagens desse tipo de midia?
Gosto do formato blog pela sua simplicidade, tanto em manter, quanto em escrever. Não tenho rabo preso com ninguém, não tenho editor chato enchendo o saco, não tenho prazos desumanos para cumprir, não tenho que seguir formalidades desnecessárias. Escrevo de maneira informal, expondo minha opinião, e interagindo com o público. Isso é legal, é muito legal. Quando passo alguma informação incorreta, ao invés de publicar uma errata, simplesmente corrijo o texto, e mando um comentário de agradecimento ao leitor que apontou a falhar. Simples assim. Essa é a vantagem: liberdade.
Algumas vantagens podem ser consideradas desvantagens também. Por exemplo: quando estou numa estafa gigantesca, cansado e sem vontade de escrever, um editor chato viria bem a calhar.
Uma coisa que eu não vejo com bons olhos é a facilidade em se criar blogs. Hoje, qualquer um cria uma conta num Blogger da vida e sai escrevendo o que der na telha. Maravilha. O problema é que o todo ofusca a qualidade de alguns, já que, num país onde a maioria da população é semi-analfabeta, tal quadro se reflete nos blogs. Canso de ver gente escrevendo errado, emitindo informações absolutametne incorretas, e, o que é pior, gente que não escreve: fica no “Control + C, Control + V”. Sei que esse discurso pode soar meio elitista, e talvez até seja, mas dificultar um pouco as coisas no sentido de criar uma seleção natural de blogs seria muito interessante.
Por fim, a última desvantagem dos blogs é a segregação que os próprios bloggers fazem de si mesmos. Algo como se blog fosse coisa de outro mundo, algo além da compreensão dos que não estão na coisa. Se você assinar o feed de uns dez blogs, tenha certeza de que, pelo menos sete, escreverão algo sobre blogs, ou blogosfera. Há algum tempo teve uma febre de criar rankings de blogs (porque vaidade pouca é bobagem…), e um cara fez uma análise de um deles. Assino embaixo o que ele escreveu.
7. Quais assuntos você mais gosta de ver nos blogs?
Desde que seja bem escrito, e que esteja dentro das minhas preferências, eu leio, gosto e assino o feed. Sou bem eclético quanto a isso, embora meu agregador de feeds contenha mais blogs de informática, devido aos meus próprios blogs.
8. Você acha que o blog é uma ferramenta mais democrática que outras mídias, como televisão ou rádio?
Sim, mas acho errado comparar o blog à TV, ou ao rádio. São coisas completamente distintas, não concorrem entre si…
9. Pra você, o blog é a mesma coisa que um diário pessoal?
Pode ser, mas de maneira alguma se restringe a apenas isso. Essa idéia de remeter blog a diários pessoais remonta a primeira pergunta desta entrevista, que por sua vez nos leva às meninas do IRC do final da década passada. Além dos GIFs cor-de-rosa piscantes, elas escreviam seu dia-a-dia. Essa associação ficou enraizada no Brasil, e embora nos últimos anos blogs fortes estejam mudando esse panorama, creio que ainda demorará um pouco para o coletivo deixar de associar instintivamente blog a diários pessoais.
10. Você ja encontrou muitas pessoas que não gostaram do primeiro contato com o blog? Se sim, o que você fez pra mudar essa visão?
Não me lembro de ter encontrado muitas pessoas assim, até mesmo porque falar sobre blogs fora da Internet não é algo que faço muito. Em regra, as pessoas que não conhecem o conceito de blog não diferenciam estes de sites comuns. Amigos meus dizem coisas como “Rodrigo, li aquele texto no seu site”. Ou seja, é apenas um site, ou, no caso, o site do Rodrigo.
É justamente por isso que me incomoda tanto essa mania de segregar os blogs numa classe. Penso que, se o blog é bom, pouco importa o formato: ele será reconhecido pela sua qualidade, e não por ser um blog. O blog encurta o caminho para o reconhecimento, justamente pela facilidade de criação e manutenção, mas não é o motivo do reconhecimento. Não me lembro de ninguém ser reconhecido só pelo fato de ter um blog (exceto Jorn Barger, o criador do termo “weblog”).
11. Deixo espaço pra você falar um pouco de você. Falar de assuntos considerados importantes que não foram abordados acima.
Falar sobre mim? Ahn… então…
. Tenho 21 anos, alterno minha residência entre Paranavaí (cidade onde nasci) e Maringá (estudo Direito), ambas no Paraná, e pretendo me tornar advogado depois que me formar, no final de 2008. Sempre gostei muito de tecnologia, especialmente informática e Internet. Tudo começou como hobby, e daí a coisa foi evoluindo, e hoje vivo disso.
Os blogs em que escrevo são os seguintes:
- Rodrigo Ghedin;
- Guia do PC;
BlogAjudapBlog;- MSNM.
A quem tem interesse em criar um blog, recomendo, antes de tudo, muita leitura e um domínio mínimo do nosso vernáculo. A web está saturada de material de baixa qualidade, mas ávida por bons textos. Sempre há lugar para os bons.
Quem quiser entrar em contato, meu e-mail é ghedin[§]gmail.com.
Obrigado pela oportunidade, Marcelo!
Esse tempo do IRC foi fantástico, tenho muitas saudades, pena que jamais se repetirá. A internet era um lugar melhor, para ter um site era necessário pelo menos conhecer HTML.
Deixando de nostalgia e olhando o presente, a maioria dos blogs se divide em WordPress, WordPress.com e Blogger. Dificil ver alguém usando outro CMS mas existem alguns com Movable Type, Joomla e Drupal. Analisando o CMS você percebe uma certa constância no perfil dos bloggers.
Por exemplo os que escolhem o Blogger geralmente querem ganhar dinheiro e não gastar nada com hospedagem, neste serviço estão os piratas e um grande número de plagiadores. Os bons blogs existem mas são minoria neste serviço.
O WordPress.com é em maior parte utilizado por adolescentes que escrevem sobre informática, internet, tecnologia. Nele tem bons blogs de jornalistas e outras pessoas interessantes, porém o número de plagiadores é grande mas um controle rígido da equipe do WordPress.com e como não é permitido colocar Adsense ou outro programa de afiliado acabam afastando os piratas e até mesmo alguns “copiadores”.
Quem usa Movable Type tem um perfil muito interessante, geralmente são “das antigas” e possuem grandes blogs com muita visitação. Talvez pelo fato de estarem muito tempo na internet.
O WordPress por ser o CMS mais popular tem o perfil dos bloggers bem diversificado, mas aproximadamente 90% são sites com fins lucrativos, e um grande número deles é escrito para o Google ler. Uma grande parcela deixa de existir depois de um tempo, pois não conseguiu gerar receita com o site.
Claro que existem alguns que fogem a regra, porém todos formam uma bolha e não é possível prever se ela vai estourar ou não. Se estourar é na parte financeira, se isso acontecer, sem dinheiro você continua com seus blogs? Responda eu gostaria muito de saber.
Pelo menos com este, eu continuaria
.
[]’s!
Considere o fato de que a inclusão digital não é totalmente uma coisa boa: elimina a ignorância do brasileiro na rede, mas em contrapartida coloca mais pessoas de pouco bom senso nela. E é aí que entram os blogs com gifs cor de rosa e fotologs que celebram a auto-imagem.
Hoje em dia a rede está lotada dessas. Sorte existirem os bons blogs.
Abraços! E muita boa a entrevista.
Caramba Ghedin, ta podendo hein!
Parabéns Ghedin, entrevista ficou legal é bom saber mais sobre o cara que faz os blogs que agente lê.
No começo também associava blogs com “GIFs cor-de-rosa que piscavam freneticamente na tela”, e demorei a trocar de opinião, realmente era difícil aquilo…
tá pop! mas que tal fazerms uma outra entrevista com você daqui dez anos?