Alguns casos de “empreendedores”
Marketing é uma coisa fabulosa. Sabemos que tudo é feito com a finalidade de nos fazer gastar nosso rico dinheirinho com bens que, na maioria das vezes, são no mÃnimo dispensáveis. Mesmo assim aquele que se dispõe a contar as peças publicitárias interessantes ou divertidas já veiculadas na mÃdia, e que cumprem sua finalidade, definitivamente não consegue. Quando achamos que já inventaram tudo, aparece uma propaganda bem feita, um viral natural dos bons, um produto chamativo e interessante.
Sim, marketing bom é marketing que instiga a imaginação, faz com que os propensos consumidores imaginem-se usufruindo do bem, essas coisas. Marketing ruim, por sua vez, é aquele feio, que não diz a que veio, e, ao invés de fazer a boa imagem do produto que tenta vender, acaba conseguindo exatamente o contrário. Existe um terceiro tipo de marketing, ainda, que não se encaixa em nenhuma das duas classificações até aqui mostradas. É o marketing sacana, ou safado. Em geral, se aproveita da ingenuidade do consumidor para induzi-lo ao erro.
Acabei de criar essas classificações, as quais provavelmente não existem no mundo da publicidade, para introduzir um assunto que, cada vez mais, aparece nos intervalos da TV, nas páginas das revistas, nos catálogos das grandes lojas: o marketing que ilude o consumidor. Tenha certeza de que você já viu algo assim. Existem aos montes.
A Dynacom é um exemplo dos melhores. A empresa, que há anos se arrasta à s custas da plataforma de 8 bits da Nintendo, lançada em 1985, possui um misto de criatividade e coragem que dá medo… A última empreitada deles é o PC Game, o revolucionário PC com vÃdeo game (:P). O hardware? O bom e velho NES 8 bits. A diferença dos demais consoles da empresa? um joguinho que simula um desktop, com alguns programas educativos. O caça-nÃquel-mor da empresa, todavia, é o sugestivo Wii Vision, com joysticks sem fio. A inspiração, óbvia, é o último console da Nintendo, o Wii. A diferença entre ambos? Apenas 27 anos… Ou alguém cogitou que o hardware do “Wii Vision” fosse qualquer coisa diferente do arcaico NES 8 bits?
Pior que isso só os apresentadores do Bom Dia & Cia, do SBT, se referindo ao Dynavision Extreme como “quase igual o PlayStation 2″. Não vou me alongar nas diferenças. Citarei apenas duas: o PS2 tem 128 bits, e usa mÃdia DVD; o Dynavision Extreme, como reza a tradição da Dynacom, possui 8 bits, e usa cartuchos.
Quer mais? A produtora e distribuidora VÃdeo Brinquedo, com sede em São Paulo. A empresa atualmente é especializada na produção de animações 3D. Alguns tÃtulos: Os Carrinhos, Ratatoing e Abelinha. Sentiu algo familiar? Pois é. O mote é pegar rabeira nos sucessos dos estúdios norte americanos, e só. A produção é horrÃvel, a qualidade, lastimável. O público-alvo são crianças com dois ou três anos, e é algo até entendÃvel - afinal, só nessa faixa etária para não notar o plágio descarado e mal feito. Essa matéria do G1 mostra o caso de maneira bastante completa.
Empreender é legal, e o Brasil destaca-se neste assunto. Porém, bom senso é bem-vindo em qualquer lugar. É por essas e outras que aprecio produtos e produções os quais costumo jocosamente chamar de “honestos”: aqueles simples, que não tentam vender o que não são, e que exatamente por isso, caem no gosto do povo. Exemplos? Minigames tipo Tetris, vendidos em qualquer camelô, e o lendário Chaves (o mexicano, não o venezuelano). São toscos? Absolutamente. Mas divertem e são autênticos. Ah sim: ainda por cima fazem muito sucesso - bem mais do que os espertalhões citados ao longo deste texto.