Comprar pela Internet já é comum para muitas pessoas. Aquele medo de fraudes, potencializado por filmes da Sessão da Tarde nos quais pivetes de doze anos faziam rombos na economia dos EUA escrevendo cinco linhas no MS-DOS, diminuiu muito, em boa parte graças à agilidade das lojas virtuais, e aos muitos relatos de compras bem sucedidas, sejam de estranhos, sejam de conhecidos.
Grandes lojas, como Submarino, Saraiva e Americanas, possuem certificados de segurança, criptografia pesada, políticas de troca claras e funcionais, e reputações imaculadas. Claro que, vez ou outra, cometem deslizes, mas no geral, são confiáveis. Essa é a palavra mágica para ser bem sucedido no chamado e-commerce.
Quando mudamos o foco para vendedores autônomos e lojas pequenas e desconhecidas, a situação muda completamente. O medo de comprar no Mercado Livre, por exemplo, é real e justificável, afinal, a picaretagem rola solta por lá, o que não significa que não existam bons vendedores que utilizam o site como plataforma de vendas. Basta ficar atento a alguns detalhes, e a transação provavelmente será tranqüila.
Se a compra é num site, vale a pena conferir a credibilidade do mesmo no BuscaPé e, principalmente, no orkut. Recomendo a rede social preferida dos brasileiros justamente por este motivo, e também por não haver moderação nos comentários. Ou seja, se a loja é ruim, vão descer o pau nela, ao contrário do BuscaPé, onde aparentemente não existe essa transparência.
Como os leitores regulares deste blog devem saber, estava atrás de um notebook simples, que atendesse minhas necessidades profissionais. Em outras palavras, algo com wifi, e que suporte o Fireworks, da Adobe. Fiz uma pesquisa extensa e cansativa em inúmeras lojas virtuais. Na primeira triagem, selecionei modelos com bom custo benefício; na segunda, uma nova triagem usando os mesmos critérios, mas dando preferência aos mais baratos; por fim, escolhi um através da reputação das lojas. Era um HP DV6208.
O site da loja que escolhi não era legal. Tinha (e ainda deve ter) um design horrível, que não transmitia confiança. Mas, como havia relatos garantindo a loja no BuscaPé, segui em frente. Ao fazer o cadastro, outro ponto negativo: certificado inválido. Como ia comprar via boleto bancário, sem precisar, assim, emitir quaisquer informações sigilosas, ignorei este detalhe e continuei a compra.
Antes de fechar mesmo, resolvi tirar a única dúvida que restara através do suporte online, no site: o notebook é refurbished ou não? No link para iniciar o atendimento via chat, havia uma moça bonita, loira e de óculos, com o telefone na mão. Abaixo dela, a mensagem “olá, em que posso ajudá-lo?”. Seria ingenuidade infantil de minha parte acreditar que tal imagem correspondia à realidade, mas mesmo precavido, o cara do atendimento conseguiu me assustar. Logo após o “boa tarde”, ele emendou direto um “podemos teclar no messenger?”. Estranhei, e questionei o motivo, enquanto inúmeras possibilidades enchiam minha cabeça. Na resposta, ele disse que o sistema de atendimento era instável, e poderia cair a qualquer momento. Disse que não precisava, pois a dúvida era simples, mas, por precaução, adicionei ele como contato no messenger. Ah sim, obtive a resposta que queria (o notebook era novo).
Após realizar o pagamento via boleto bancário, contactei o cara para enviar-lhe o comprovante. E… ahn… ele usa emoticons! Milhares deles, coloridos e piscantes. Medonho. Se fosse meu empregado, demitiria com justa causa. Veja a situação da coisa:
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Bah, tudo bem, já estava pago mesmo… E aí começou o martírio. Quinze dias úteis para o recebimento. No décimo sexto dia, nada ainda. Ligo lá, e a informação que recebo é de que o produto ainda não chegou do “fornecedor”. Sei, fornecedor, né…? Mais cinco dias, e nada. Arrependido até a medula de ter comprado lá, liguei para a loja física (que aparentemente existe, já que o site possui fotos do local), e cancelei a compra. Iniciava ali outra via crucis: receber o dinheiro de volta. O prazo dado foi de setenta e duas horas, mas sem muita surpresa, eles não cumpriram novamente. Liguei lá de novo, mantendo a calma, mas sendo seco e duro nas palavras. Não sei se minha ameaça de levar a pendenga pra Justiça surtiu efeito, ou de fato a devolução estava agendada para aquele dia, mas o fato é que, no final da tarde, o dinheiro tinha entrado na minha conta. Sem o valor do frete, mas o que é um grão para quem estava prestes a perder a colheita inteira?
Deve haver alguma moral da história nisso tudo, a qual eu ainda não identifiquei. Tomei todas as precauções, chequei fontes e opiniões de pessoas que compraram lá… Tudo beleza, tudo ok. Mas, não sei se pelo azar que me é inerente, ou se por incompetência muito bem disfarçada da loja em questão, o serviço ficou bastante aquém do esperado. Mesmo sem ter tirado moral alguma deste episódio, uma coisa é certa: não compro mais bens de custo elevado em sites desconhecidos. E só reforça essa postura o fato de ter pedido um notebook na Dell no mesmo dia em que cancelei a compra acima relatada, esta sim uma experiência de e-commerce exemplar e sem traumas.
